Como Palmeiras e Fluminense ajudaram o Chelsea a encontrar a melhor versão
Blues chegam à final do Mundial tendo enfrentado três brasileiros - um de cada jeito
O Chelsea chegou à final do Mundial de Clubes como um camaleão. Apesar do modelo de jogo de Enzo Maresca não ter sofrido grande mudança do que foi consolidado na temporada passada, houve muita variação por conta das diversas peças usadas ao longo da competição.
Ao longo do Mundial, os Blues enfrentaram três brasileiros: Flamengo, Palmeiras e Fluminense — e contra os três mostrou diferentes formas de construir e entrar no último terço, a depender de quem Maresca escalava. E os brasileiros “ajudaram” o Chelsea a se encontrar.
Chegada de João Pedro mudou o Chelsea

O brasileiro foi contratado durante o Mundial de Clubes e já chegou sendo impactante desde o primeiro jogo, nas quartas de final, contra o Palmeiras. Cole Palmer, em entrevista depois do jogo, chegou a dizer que João Pedro mudou o jogo quando entrou, aos 10 minutos do segundo tempo.
Substituindo Liam Delap, outro reforço recente que chegou para brigar pela vaga de centroavante, o ex-Brighton foi um centroavante crucial em movimentos sem a bola.
Foram apenas dois jogos e poucos minutos, mas deu para ter noção de qual pode ser uma das principais ideias de Maresca com o brasileiro: ser o alvo de lançamentos longos para fugir da pressão, reter a bola a progredir a partir de regiões mais altas, além de empurrar a linha de defesa durante a pressão adversária — justamente por ser esse alvo de bolas longas.
E a chegada do brasileiro não significa necessariamente que ele roubará a vaga de Delap ou de Nicolas Jackson. Em um esquema em que Cucurella avança e ocupa o lado esquerdo, como aconteceu durante o Mundial, João pode ser o ponta pela esquerda que assume regiões mais centrais como meia.
Isso caso Maresca ainda queria seguir com o 3-2-5 que levou a campo majoritariamente ao longo da temporada passada. Dessa forma, pode ter João Pedro, Delap (ou Jackson), Palmer e Pedro Neto em campo juntos, por exemplo.

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Elenco inchado = muita variação
Se em alguns momentos durante o projeto de Todd Boehly há crítica sobre o tamanho do elenco dos Blues — e seus diversos jogadores concorrendo pelas mesmas posições –, Maresca conseguiu fazer disso uma vantagem para armar diversas variações.
Os principais responsáveis por isso são os laterais, cada um oferecendo possibilidades e sendo utilizados em funções diferentes:
- Malo Gusto, pela direita, é uma opção para avançar pelo lado e ocupar o corredor, na maioria das vezes;
- Reece James, apesar de ganhar destaque na carreira fazendo o mesmo que Gusto, se tornou um lateral invertido, geralmente atuando como volante;
- Marc Cucurella, na esquerda, alterna como volante ou meia, a depender de quem está no meio, na ponta e quem é o volante, e até mesmo como zagueiro na saída de três.
- Cucurella foi quem mais variou: com bola, foi zagueiro contra Fluminense e Palmeiras, meia e volante contra LAFC e atuou mais avançado, no corredor lateral, contra o Benfica.

As variações dos laterais estão diretamente ligadas com os pontas. Com a saída de Noni Madueke e as chegadas de João Pedro e Jamie Gittens, serão outras possibilidades. Mas contra o Fluminense, por exemplo, as mudanças foram evidentes:
- Pedro Neto começou como ponta pela esquerda e Christopher Nkunku, pela direita. O primeiro ocupava o corredor lateral, enquanto o segundo caía pelo meio, dando o lado a Gusto;
- Depois de ter aberto 2 a 0 contra o Tricolor, Neto virou ponta-direito e ocupou o corredor, jogando Gusto para o meio-espaço, como meia — posição antes ocupada por Nkunku, que foi para a esquerda.
Contra o Fluminense, Cucurella participou da saída de três, mas que contou com apenas Moises Caicedo como volante (3-1), diferente do habitual dos Blues, que geralmente contam com um lateral ao lado do volante para formar a saída em 3-2.
Nesse cenário, Enzo Fernández, o segundo volante, Cole Palmer, o camisa 10, e Nkunku (depois Gusto) eram os meias que ocupavam as posições entrelinhas e os meio-espaços para abrir a linha de cinco defensores do time de Renato Gaúcho.
Foi contra o Palmeiras que Maresca colocou seu Chelsea em 3-1-5-1 pela primeira vez efetivamente no Mundial, e repetiu com sucesso contra o Fluminense. Contra o Flamengo, por exemplo, jogou com Gusto e James, em um híbrido de 4-4-2 com Palmer e Enzo como meias.
Beach to the Bridge. Joao Pedro is here! 🏖️ pic.twitter.com/wT3RUNLnUS
— Chelsea FC (@ChelseaFC) July 2, 2025



