Mundial de Clubes

Os pontos fortes e pontos fracos do Chelsea para enfrentar o Fluminense

Contra os Blues, Tricolor Carioca faz semifinal do Mundial de Clubes nesta terça-feira, em Nova Jersey

Após eliminar Inter de Milão e Al-Hilal, o Fluminense terá mais uma parada dura pela frente no Mundial de Clubes. Para seguir fazendo história nos Estados Unidos e alcançar a tão sonhada decisão, o Tricolor Carioca precisará passar pelo Chelsea na semifinal.

Um jogo que promete ser intenso e decidido nos detalhes em Nova Jersey. Os Blues começaram devagar na competição, mas foram ganhando confiança e fazendo os ajustes necessários com o passar das fases. Trata-se de uma equipe perigosa, com investimento alto e jogadores importantes. 

A missão, porém, está longe de ser impossível. O Chelsea apresenta claras fragilidades que, se bem exploradas, podem render bons frutos ao Flu. Abaixo, a Trivela traça um raio-x dos londrinos e indica possíveis comportamentos a serem adotados pelo time de Renato Gaúcho em campo. 

Principais pontos fortes do Chelsea

Controle da posse de bola e construção desde a defesa

Adepto da “escola guardiolista”, Enzo Maresca, que foi auxiliar do técnico catalão no Manchester City, prioriza a posse de bola para controlar o jogo e criar oportunidades. Dificilmente o italiano abre mão de tal “mantra”, e a tendência é que isso se mantenha na partida contra o Fluminense.

A equipe londrina costuma iniciar suas jogadas desde a defesa, com zagueiros e volantes exercendo papel fundamental na saída de bola. Na fase ofensiva, Maresca monta o time no “WM”, termo que se refere ao esquema formado por três zagueiros, dois meio-campistas defensivos, dois meio-campistas ofensivos e três atacantes. É o chamado 3-4-3 e suas variações. No caso do Chelsea, trata-se de um 3-2-2-3.

Cabe ao time carioca saber minar essa organização e dificultar a fluidez dos Blues. A ausência de Martinelli (suspenso), um dos jogadores mais regulares do Fluminense no Mundial, certamente tem um peso nesse sentido.

Laterais “invertidos” e criação de sobrecarga no meio-campo

O Chelsea de Maresca se posta em um 4-2-3-1. Uma das marcas do estilo do treinador italiano é o uso de laterais que se movem para a faixa central quando o time está em fase de construção. Essa movimentação, conhecida como “laterais invertidos”, cria superioridade numérica no meio-campo, facilitando a troca de passes e a criação de jogadas por dentro — a temporada de recuperação de Marc Cucurella em Stamford Bridge tem muito a ver com isso.

E justamente Enzo Fernández e Moisés Caicedo, duas das principais referências técnicas dos Blues, são os mais beneficiados. Afinal, com o lateral invertido, há sempre um ponto de apoio próximo.

Além de maior controle e domínio do meio-campo, tal “artifício” concede liberdade para o argentino ter mais influência ofensiva (passes em profundidade e até finalizações) e faz com que o equatoriano se torne uma espécie de “motor defensivo”, que cobre zonas abertas, intercepta, rouba bolas e destrói jogadas adversárias.

Enzo Fernández e Caicedo, a dupla de meio-campistas do Chelsea
Enzo Fernández e Caicedo, a dupla de meio-campistas do Chelsea (Foto: Imago)

Talento ofensivo (Cole Palmer e companhia)

O setor ofensivo do Chelsea em 2024/25 foi marcado por variedade e dinamismo. Em vez de depender de um único jogador ou padrão, a equipe aposta na movimentação constante entre seus atacantes e meio-campistas, com trocas de posição e infiltrações que desafiam a organização defensiva adversária.

A mudança posicional de Cole Palmer na temporada parece não ter feito tão bem a ele, já que atuando mais por dentro, entregou menos gols e assistências. Durante o Mundial, no entanto, o camisa 10 tem conseguido se reinventar.

A pedido de Maresca, ele vem realizando rotações com o ponta aberto pela direita — Pedro Neto ou Noni Madueke. Essa alternância oferece liberdade para Palmer sair da ponta em direção ao meio, movimento que confunde a marcação e quebra linhas defensivas.

Outra grata surpresa do ataque do Chelsea nesse Mundial é João Pedro. Contratado no início do mês, o brasileiro estreou na vitória sobre o Palmeiras e deixou excelente impressão. Veloz, bom no um contra um e perigoso dentro da área, o novo camisa 20 dos Blues promete dar trabalho à defesa de seu ex-clube.

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E os pontos fracos?

Dificuldades com blocos médios e baixos

Ao longo da temporada, o Chelsea encontrou dificuldades evidentes ao encarar adversários que se fecharam em blocos médios e baixos. Um exemplo claro foi a sequência entre dezembro e janeiro, quando os Blues passaram cinco partidas sem vencer contra equipes de orçamento inferior na Premier League — Everton, Fulham, Ipswich, Crystal Palace e Bournemouth. Nesse período, marcou apenas quatro gols e saiu de campo sem balançar as redes em duas ocasiões.

Contra defesas bem postadas em campo (uma das grandes virtudes do Fluminense no Mundial) e com pouco espaço entre as linhas, o Chelsea não conseguiu (em muitos casos) acelerar o jogo, criar superioridade numérica e fazer triangulações no terço final.

Robert Sánchez

O Chelsea, como citado, preza por uma construção de jogo desde a defesa. É uma das virtudes do time de Maresca, mas de uma hora para outra, pode se transformar em fraqueza. O que explica isso? Principalmente a inconsistência do goleiro da equipe.

Robert Sánchez é pouquíssimo confiável. Falhas em saídas de bola, insegurança em jogadas aéreas e erros de posicionamento: essa tem sido a tônica do arqueiro espanhol desde que chegou ao Chelsea. Uma irregularidade que, por vezes, compromete a instabilidade de todo o sistema defensivo.

Robert Sánchez, goleiro do Chelsea
Robert Sánchez, goleiro do Chelsea (Foto: Imago)

Linha defensiva alta exposta

O uso da linha alta — quando os defensores jogam próximos à linha do meio-campo — combinado com laterais invertidos, tem criado vulnerabilidades recorrentes no sistema defensivo do Chelsea. Ao centralizarem suas ações e se posicionarem por dentro, esses laterais deixam os corredores nas extremidades desprotegidos.

A exposição é acentuada em momentos de transição defensiva. Com os zagueiros avançados e os laterais fora de posição, adversários que conseguem romper a primeira linha de pressão encontram espaço livre para atacar às costas da defesa, explorando principalmente os lados do campo.

Time jovem e “gestão de momento”

Dono do elenco mais jovem da Premier League na temporada 2024/25, o Chelsea apresentou problemas recorrentes na chamada “gestão de momento”, ou seja, a capacidade de entender o que a partida pede. Em momentos de pressão, o time pode se afobar e tomar decisões precipitadas, como cometer faltas desnecessárias e forçar jogadas individuais em excesso.

Como o Fluminense pode explorar tudo isso?

  • Pressão alta dosada, com organização e inteligência — identificar os momentos certos para pressionar a saída de bola;
  • Explorar Robert Sánchez, com chutes de média distância e jogo aéreo (seja bola parada ou rolando);
  • Marcação coordenada, com linhas compactas, preenchimento dos setores e “válvulas de escape”;
  • Contra-ataques rápidos e eficientes — tentar se aproveitar da linha defensiva exposta e atacar as laterais

Fluminense x Chelsea — Mundial de Clubes

  • Data e horário: terça-feira, 8 de julho, às 16h (de Brasília)
  • Local: MetLife Stadium, Nova Jersey, Estados Unidos
  • Transmissão: Globo (TV aberta), SporTV (canal fechado), CazéTV (YouTube) e DAZN (streaming)

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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