O disputará a decisão do Mundial de Clubes contra o Tigres, na próxima quinta-feira. A história da semifinal no Catar, porém, não se restringe à vitória dos bávaros por 2 a 0. O time de Hansi Flick dominou a partida na maior parte do tempo e criou ocasiões para mais. De qualquer maneira, foi louvável também a valentia do Al Ahly ao longo da noite. Os egípcios contavam com o apoio de grande parte dos presentes nas arquibancadas e não tiveram amarras para peitar os europeus. Os Diabos Vermelhos alternaram momentos em que contiveram a pressão alemã com outros em que demonstraram boa intensidade para agredir. Neuer não precisou realizar nenhuma grande defesa, mas os egípcios venderam caro a derrota e deixaram o risco de uma surpresa no limite do placar até os 40 do segundo tempo. Caem em pé.

Os primeiros minutos de jogo não fugiram muito das expectativas. O Al Ahly adotou uma postura mais contida e o Bayern de Munique teve amplo domínio. Trabalhava a bola no campo de ataque, trocava passes com qualidade e contava bastante com o apoio pelas pontas para abrir a defesa adversária. As chances de gol naturalmente surgiam, até que abrisse o placar aos 16. A morosidade dos bávaros, que parecia atrapalhar algumas jogadas, virou capricho no lance decisivo. Kingsley Coman bateu cruzado, Serge Gnabry aproveitou a sobra do outro lado e ajeitou a Lewa. Com muita calma, o artilheiro dominou e bateu rasteiro.

As saídas do Al Ahly eram raras até então. Por isso mesmo, o time buscaria um pouco mais o ataque depois do tento. Quando Taher Mohamed cabeceou, Manuel Neuer realizou uma defesa segura. Mesmo com os egípcios aumentando a aceleração, o Bayern ainda tinha o controle da partida. A equipe tocava com facilidade e não precisava de muito para criar suas ocasiões de gol. Porém, faltava um pouco mais de precisão nas finalizações. O goleiro Mohamed El Shenawy estava sempre atento e faria uma defesa importante aos 36, saindo nos pés de Lewandowski. No mais, as principais jogadas se restringiram a arremates que saíram ao lado da trave.

O primeiro tempo deixou a impressão de que o Bayern desperdiçou a chance de garantir um placar mais elástico. E a postura do Al Ahly reforçou isso na volta do intervalo. Os Diabos Vermelhos faziam uma partida bastante intensa, trabalhando bem a bola e rondando a área dos bávaros. Era uma atitude corajosa dos egípcios, mesmo que faltassem oportunidades mais claras diante de Neuer. Os alemães não estavam tão confortáveis assim. Precisavam chegar junto na defesa e apostar um pouco mais nos contragolpes, sem exercer a mesma pressão da etapa inicial.

Hansi Flick acionou Leroy Sané e Eric Maxim Choupo-Moting no banco de reservas. Aos poucos, o Bayern voltou a controlar a partida no campo ofensivo e a postura do Al Ahly se arrefeceu. As finalizações dos bávaros se tornavam mais frequentes, mesmo sem tanto acerto. Enquanto isso, a esperança dos egípcios era encaixar algum contra-ataque, mas a defesa adversária fazia bem a cobertura. Aos poucos, o vigor físico dos Diabos Vermelhos caía, até que Lewandowski reaparecesse para definir a classificação aos 40. Choupo-Moting fez o passe em profundidade, Sané cruzou na linha de fundo e Lewa apareceu sozinho no segundo pau para cumprimentar às redes. A classificação estava consumada, mas o Al Ahly fez muito.

A decisão do Mundial de Clubes acontecerá na próxima quinta-feira. E o Bayern de Munique precisa de mais atenção contra o Tigres, especialmente pela experiência dos adversários e pelo perigo representado por André-Pierre Gignac. Se os bávaros não andam realmente em fase tão exuberante quanto no final da temporada passada, ainda são favoritos, mas devem ser mais contundentes do que nesta segunda-feira. No fim das contas, Lewandowski mais uma vez preponderou ao placar.

Já o Al Ahly vai disputar a decisão do terceiro lugar contra o Palmeiras, também na quinta. Os Diabos Vermelhos mais uma vez saem de cabeça erguida na semifinal, depois de darem trabalho ao em 2006 e ao Corinthians em 2012. A equipe é muitíssimo bem treinada por Pitso Mosimane, antigo assistente de Carlos Alberto Parreira e Joel Santana na seleção sul-africana, que liderou anos vitoriosos do Mamelodi Sundowns antes de se mudar ao Cairo. O treinador compensa a falta de talentos individuais e de jogadores mais renomados com um trabalho tático excelente.

A postura desta segunda demonstra bem por que o Al Ahly foi campeão africano e vinha de uma invencibilidade de 32 jogos. Coletivamente, a equipe atual é mais acertada do que em 2006 e 2012, apesar de não contar com um talento à altura de Mohamed Aboutrika. É bom o Palmeiras não se descuidar, porque também corre o risco de perder o bronze. Os alviverdes são superiores tecnicamente, mas o trabalho em conjunto dos egípcios e a intensidade foram superiores contra o Bayern se comparados ao que se viu dos palmeirenses contra o Tigres na semifinal anterior.