Há 50 anos, Pelé levou futebol aos Estados Unidos e transformou New York Cosmos em febre
Em clima de Mundial de Clubes na terra do Tio Sam, maior jogador de todos os tempos causou impacto revolucionário
Em 2025, os Estados Unidos foram escolhidos pela Fifa para sediar a primeira edição do Mundial de Clubes expandido, com 32 representantes de todos os continentes. Contudo, há exatos 50 anos, Pelé foi o responsável por transformar o futebol em uma febre na terra do Tio Sam.
No dia 15 de junho de 1975, o maior jogador de todos os tempos fez sua estreia pelo New York Cosmos. Com um gol e uma assistência, Pelé garantiu o empate por 2 a 2 em um amistoso contra o Dallas Tornado. Ao todo, 21.278 pessoas tiveram a honra de assistir o craque brasileiro das arquibancadas do antigo Downing Stadium.
O número pode parecer modesto para o tamanho do Rei do Futebol, porém, foi a prova do início de uma revolução nos EUA. Joey Fink, que foi atacante do New York Cosmos entre 1973 e 1975, explica o impacto de Pelé para o público americano, que até então não tinha muito apreço pelo esporte.
— Eu e um amigo uma vez contamos as pessoas no estádio, menos de 500. E no primeiro jogo em que o Pelé veio, estava completamente cheio.
A chegada de Pelé ao New York Cosmos

O camisa 10 da seleção brasileira foi contratado pelo New York Cosmos após longa negociação e vários meses sem entrar em campo. A escolha pelos Estados Unidos era ousada, já que o país não era fanático pelo futebol como no Brasil.
“Se alguém no país conhecesse um jogador de futebol, Pelé era quem eles conheciam”. Foi assim que Charlie Cuttone, escritor e espécie de faz-tudo do New York Cosmos em 1975, resumiu a importância do jogador para o cenário estadunidense.
Ele revela que, em meados da década de 1970, a cidade de Nova Iorque enfrentava diversos problemas financeiros. A falta de dinheiro em caixa impossibilitava consertos de patrimônio público — e até mesmo a nova casa de Pelé no futebol sofreu as consequências disso.
— O Departamento de Parques não tinha orçamento, então o estádio, e o campo, em particular, estava precisando de manutenção. E aí alguém veio com essa ideia…
O plano do New York Cosmos consistia em pintar o barro que cobria boa parte do gramado do Downing Stadium com tinta verde. Como a primeira partida do maior jogador de todos os tempos seria transmitida para todo o planeta, a maquiagem tinha o intuito de deixar tudo bonito para a televisão.
Como esperado, Pelé foi ovacionado pelos torcedores assim que saiu do túnel dos vestiários. Com a bola rolando, o Rei do Futebol fez aquilo que melhor sabia e comandou a equipe tecnicamente. Dali para frente, tudo mudaria no New York Cosmos.
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O regime do Rei
Neste dia, há 50 anos, o Rei fazia sua estreia no NY Cosmos!
— Trivela no Mundial de Clubes 🏆 (@trivela) June 15, 2025
Direto dos EUA, @_andreyray nos conta os detalhes 👑 #trivelamundial pic.twitter.com/FBTXdH59Wy
“Todo nosso regime de treinamentos mudou. Nós fomos de treinos físicos para samba, ritmo, abdômen e calistenia… toda a metodologia de treinos mudou para encaixar com o Pelé, o que fazia sentido”, relembra Fink.
No primeiro ano, o New York Cosmos continuou mandando seus jogos no Dowming Stadium. Na sequência, passou a jogar no Yankee Stadium. Já em 1977, o Giants Stadium se tornou a casa do time do astro brasileiro.
Entretanto, nenhum dos três estádios que Pelé brilhou em Nova Iorque estão de pé atualmente. O Downing, palco da estreia do Rei nos EUA, foi demolido em 2002 para dar lugar a outra arena esportiva.
Já o Giants, que marcou a despedida de Pelé do futebol, foi demolido em 2010. Anos depois, a área foi utilizada para criar o MetLife Stadium, que receberá as finais do Mundial e da Copa do Mundo de 2026. O substituto é mais moderno, mas não tem o mesmo charme dos tempos do melhor jogador da história.



