O Milan está fora da próxima edição da Liga Europa. Nesta sexta-feira, o clube italiano anunciou que a Corte Arbitral do Esporte ratificou o acordo que firmou com a Uefa, no qual aceita voluntariamente uma temporada de suspensão das competições europeias como punição por violações do Fair Play Financeiro em dois períodos de três anos (2014 a 2017 e 2015 a 2018).

Em junho do ano passado, o Milan recebeu uma suspensão de duas temporadas por não apresentar as garantias financeiras exigidas pela Uefa e por prejuízos acima de € 30 milhões no triênio anterior. A apelação do clube foi acatada pelo CAS quando o fundo Elliott Management assumiu o controle das mãos do chinês Yonghong Li, que havia contraído milhões de euros em empréstimos e atrasou os pagamentos.

O Milan foi colocado pela Uefa em período probatório, no último mês de dezembro, até 2021, o que significa que precisava apresentar equilíbrio financeiro, sob o risco de ver a pena anterior reimposta. Em abril, a entidade europeia abriu uma nova investigação referente ao triênio 2015-2018. O acordo, segundo a nota do CAS, substitui esses dois processos pela “exclusão de competições da Uefa na temporada esportiva 2019/20”.

Em nota, o clube deixou claro que os problemas financeiros foram responsabilidade do antigo proprietário, o que realmente é verdade, e afirmou que respeita o Fair Play Financeiro. “O Milan continua comprometido em restaurar o clube ao seu lugar de direito no topo do futebol europeu. A decisão agirá como estímulo para maximizar os esforços para respeitar completamente o Fair Play Financeiro e, paralelamente, consolidar a competitividade do clube e retornar o Milan à sustentabilidade um futuro mais positivo”, escreveu a diretoria rossonera.

Em meio aos vazamentos de possíveis infrações cometidas por clubes Manchester City e PSG, a rigidez da Uefa com o Milan, e outros clubes no passado recente, levantou questionamentos sobre a diferença de tratamento da entidade europeia aos seus filiados.

Ao Milan, a Liga Europa representava a chance de recuperar pelo menos uma mínima parcela do seu prestígio europeu, embora as últimas duas campanhas tenham sido muito fracas – oitavas de final e fase de grupos. Não é bacana ficar fora, mas, no momento, o mais importante é conduzir a reconstrução que o clube precisa sem a constante ameaça de ser punido pelo Fair Play Financeiro.

Com a saída do Milan, a Roma entra diretamente na fase de grupos da próxima Liga Europa, e o Torino pega a vaga nas fases preliminares.