MéxicoMundial de Clubes

Cabe mais um? Monterrey sonha surpreender

“Temos confiança e nos preparamos para isso. Temos qualidade no elenco e confiança. Temos condições de sermos campeões, sem dúvida alguma”. Não, essas declarações dadas à imprensa que cobre o Mundial de Clubes no Japão não foram feitas por Rafa Benítez, técnico do Chelsea, ou Tite, treinador do Corinthians, equipes tidas como favoritas ao título do torneio. O autor foi Víctor Manuel Vucetich, comandante do Monterrey, que enfrenta os ingleses nesta quarta-feira, em uma das semifinais da competição.

Uma declaração que à primeira vista pode parecer loucura, mas possui certa dose de realismo e embasamento. O clube não entra como favorito, posto reservado de antemão aos representantes da Europa e América do Sul. A despeito de algumas surpresas recentes (leia-se Mazembe na final da edição de 2010) a briga é monopolizada entre os clubes dessas duas regiões. Muito graças à própria força e tradição que os times possuem e aos resquícios da antiga Taça Intercontinental.

Vale lembrar, entretanto, que o torneio é de tiro curto, com partidas eliminatórias, nas quais um único tropeço (alguém falou em Internacional?) basta para que o clube dê adeus ao torneio. É nessa premissa que se baseia as chances e expectativas dos representantes das demais regiões. E se existe um grupo de clubes prontos (ou com capacidade) para surpreender Chelsea e/ou Corinthians, o Monterrey certamente entra nessa lista.

Aqui vale um exercício de pensamento: tirando clubes europeus ou sul-americanos, quantos países possuem clubes com elencos à altura de enfrentá-los? Clubes da Major League Soccer (liga de futebol dos Estados Unidos), da Liga MX (campeonato mexicano) ou talvez de ligas mais organizadas e/ou endinheiradas da Ásia (mundo árabe ou China) estão entre esses poucos representantes. Pensando dessa maneira, chegamos ao fato de que, no torneio interclube da Concacaf o Monterrey vem sendo dominante. Bicampeão da Concachampions, sobrepujando de forma categórica os mais ricos clube do futebol norte-americano e até mesmo seus rivais nacionais.

Não dá para dizer que o clube esteja à altura de ingleses e brasileiros, mas analisando somente elenco dos clubes, jogador a jogador, cabeça a cabeça, parece nítido que a distância entre Corinthians e Monterrey é menor do que a dos brasileiros para o time inglês. Se formos analisar entrosamento e manutenção tática, a base dos Rayados é a mesma desde 2010, com oito ou nove titulares atuando juntos há mais de duas temporadas. Se o técnico Tite serve de modelo no futebol brasileiro por ter sido mantido no cargo desde 2010, Vucetich comanda sem contestações a Pandilla desde 2009, tornando-se, entre os comandantes no Mundial o segundo mais longevo no cargo.

O fator comando técnico, aliás, pode ser considerada uma das principais razões para o Monterrey não ser tratado como surpresa. Chamado de “El Midas” no futebol azteca, Vucetich enumerou conquista por onde passou, somando 12 vitórias em 13 finais disputadas ao longo da carreira. Sob sua batuta, o time de Nuevo León passou de clube médio no cenário nacional à potência continental. E agora pode conquistar um lugar em âmbito mundial.

Nem tudo são flores, obviamente. O Monterrey ainda precisa apagar o vexame de ter sido eliminado na última edição do Mundial em 2011 ainda nas quartas para o Kashywa Reysol. Ou mesmo se livrar do peso que assola os representantes mexicanos no torneio, simbolizado pelas fraquíssimas campanhas do Pachuca, que nunca correspondeu às expectativas na competição organizada pela Fifa.

Mais do que isso, contudo, o corte do atacante Humberto Suazo por lesão pode ser um fator determinante no desempenho Rayado. Referência do setor ofensivo, o chileno é o maior artilheiro da história do clube e seu alto poder de decisão pode fazer falta. Há de se argumentar que Delgado, De Nigris, Cardozo e Carreño dão ao time inúmeras opções, com as quais nenhum outro clube da Concacaf e mesmo os demais concorrentes no Mundial pode contar. Ainda assim, é de se lamentar a saída de “Chupete”, indispensável nos momentos mais decisivos das últimas conquistas.

A primeira parte da missão foi cumprida com êxito. Contra um time tecnicamente inferior e exercendo domínio de jogo, o Monterrey comandou as ações do duelo contra o Ulsan Hyundai e quase não sofreu ameaças. Delgado e De Nigris infernizaram a defesa sul-coreana, e mesmo com a falha de Orozco no gol de honra pode-se dizer que o setor defensivo esteve atento e atuou de forma tranquila.

A questão é que esse estilo de jogo, frente a rivais inferiores, os Albiazules estão mais do que acostumados a enfrentar (e vencer). Contra o Chelsea, os aztecas dificilmente não se verão em situações de pressão sufocante e sem a posse de bola. Ainda que tenha um elenco experiente, será curioso analisar a forma como os Rayados se portarão. O sorteio poderia ter sido mais generoso, quem sabe enfrentando um Corinthians mais próximo de seu nível. Como não dá para escolher adversário em torneio desse nível, resta esperar para ver se o time consegue surpreender os ingleses e marcar de vez seu nome na história do torneio. Vucetich acredita que é possível. E você, leitor?

Curtas

– Fuerzas Básicas: nas categorias de base do futebol azteca, o nível sub-20 viu o Monterrey encerrar o domínio do América que conquistara os últimos quatro títulos nacionais e alcançar sua primeira taça, superando o Morelia na decisão;

– Com duas vitórias sobre o Santos na decisão (3×2 e 3×1), o Pachuca sagrou-se campeão do Apertura da Liga MX sub-17. Foi o primeiro título na categoria de um clube de fora de Guadalajara (Chivas e Atlas monopolizaram as primeiras edições). Quarto colocado na primeira fase, os Tuzos eliminaram Cruz Azul, Chivas e Santos com 100% de aproveitamento e uma campanha irretocável na Liguilla;

Costa Rica

– Com um gol solitário do jovem defensor Mauricio Núñez, o atual campeão Herediano superou o Saprissa na casa do adversário e ficou com a vaga na decisão do Campeonato de Invierno, após empate na primeira partida;

– Na outra semifinal, o líder da primeira fase Alajuelense apenas segurou o empate sem gols, em casa, após vencer pelo placar mínimo o Limón no jogo de ida. Dessa forma, Herediano e Alajuelense decidirão o título da Primera División;

El Salvador

– Em casa, o Isidro Metapán venceu novamente e eliminou o atual campeão Águila, ficando com a vaga na decisão, onde enfrentará o Alianza, que passou pelo FAS no “Clássico Popular” com novo empate;

– Dessa forma, os dois maiores campeões nacionais ficaram fora da decisão do Apertura da Liga Mayor, que começa a ser disputada no próximo fim de semana;

Guatemala

– Municipal e Comunicaciones, os dois maiores campeões do futebol guatemalteco, farão a decisão do Apertura da Liga Nacional. Líder e favorito, os Cremas arrancaram um empate do Malacateco na partida de ida das semifinais e venceram, em casa, de virada para ficar com a vaga;

– Da mesma forma, o Municipal, atual campeão, obteve a passagem para a final após um empate na casa do Heredia e um triunfo em casa no último fim de semana;

 Honduras

– Atual campeão, melhor time da primeira fase e maior campeão nacional, o Olímpia manteve a boa campanha e arrancou um empate sem gols em La Ceiba, casa do Victoria, no duelo de ida da final do Apertura da Liga Nacional;

– O time dos brasileiros Douglas Caetano e Fábio de Souza joga por novo empate, em casa, no próximo fim de semana para ficar com seu 26º título nacional, enquanto o Victoria precisa de uma vitória simples para alcançar sua terceira conquista;

Panamá

– O Millenium da Universidad do Panamá superou o Atlético Nacional o conquistou o Apertura da Liga Nacional de Ascenso. Caso vença também o Clausura, fica com a vaga na elite na próxima temporada, sem a necessidade de disputar a Superfinal.

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