Meu Time de Botão

Meu Time de Botão: Brasil saiu da fila e ganhou Copa América de 1989 no aniversário do Maracanazo

Por Leandro Iamin e Paulo Júnior

O Brasil de Lazaroni era massacrado por público e mídia. Sem conquistas há 19 anos e vivendo uma dolorosa transição de gerações, a crise da seleção brasileira era, antes de tudo, de identidade. Mesmo assim, o esquema com três zagueiros que o treinador bancou contra toda a opinião pública sustentou um time que cresceu na hora certa e ficou com a Copa América de 1989. É deste time e desta competição que o Meu Time de Botão da semana falou.

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Em um grupo, a Argentina de Diego Maradona, atual campeã do mundo, se encastelava no hotel com medo do Césio 137, desastre radiológico que colocou Goiânia em alerta dois anos antes. Na mesma cidade o Uruguai de Enzo Francescoli dividiria forças e holofotes. Ao mesmo tempo, no nordeste, a seleção brasileira chegava de uma péssima excursão à Europa e não gozava de qualquer carinho por parte da torcida baiana, onde fez seus três primeiros jogos.

Renato Gaúcho tomou até ovo na cabeça, e o placar eletrônico, em uma mensagem de duplo sentido, dizia “É o fim da picada” durante um modorrento 0 a 0 contra o Peru (“É o fim da picada” era o slogan da campanha nacional de vacinação oral). O rompimento da torcida baiana tinha também traços afetivos: o corte do atacante Charles, campeão brasileiro com o Bahia meses antes, causou revolta. Mesmo assim a seleção passou de fase, e o programa, apresentado por Leandro Iamin, Paulo Júnior e Matias Pinto, foi até o Rio de Janeiro para revisitar o quadrangular final da competição.

O quadrangular foi disputado em cinco dias e três rodadas duplas, todas no Maracanã. Brasil e Uruguai ganharam as duas primeiras e, rigorosamente empatados, jogaram em 16 de julho, exatos 49 anos depois do Maracanazo, uma outra final no mesmo palco de 1950. O vencedor, dessa vez, foi outro, graças ao baixinho Romário. Com apenas um gol sofrido e bons jogos na fase final, o time de Lazaroni ganharia trégua até a Copa do Mundo do ano seguinte.

Esta Copa América ficou marcada pela revelação de Claudio Cannigia para a seleção argentina, pelas atuações apáticas de um Maradona fora de forma e pelo exuberante desempenho do uruguaio Ruben Sosa. O Meu Time de Botão lembrou também do artilheiro da Copa, Bebeto, que foi ao lado de Branco o destaque brasileiro. Uma seleção com dois atacantes, dois meias, dois alas, um Dunga que marcava por três, e mais três zagueiros de altíssimo nível. Uma seleção equilibrada e segura, que poderia ter sido muito mais do que realmente foi, mas talvez tenha um lugar injusto na história do futebol nacional.

O programa Meu Time de Botão é produzido semanalmente na Central 3, parceira de conteúdo da Trivela. Ouça o programa abaixo:

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