Há algo podre no ar
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Se o Corinthians fosse romeno, ele se sentiria em casa. O futebol da Romênia se vê numa delicada situação, envolto em denúncias de suborno, investigações por parte do Governo e recheado de polêmicas e dirigentes fanfarrões – e muitas vezes estúpidos.
O país, historicamente, é um dos mais tradicionais do leste europeu no futebol. Possui uma larga e rica história, cheia de ótimas seleções, equipes inesquecíveis e craques de nível world class. No entanto, toda bagunça pela qual passa os campeonatos do país preocupa. Principalmente pelo temor do que as investigações podem apontar.
Na semana passada, a Procuradoria Nacional Anticorrupção da Romênia (DNA) anunciou que está em fase final da investigação sobre irregularidades no futebol local. De acordo com o órgão, os oficiais receberam cartas de autoridades de países europeus e asiáticos sobre possíveis evidências. Há suspeitas de manipulação de resultados e evasão de impostos.
Suspeita-se que vários clubes e empresários não tenham declarado milhões de euros ao fisco, relativos à transferências de jogadores. As transações de Adrian Mutu (do Dinamo Bucareste para o Milan) e de Florin Bratu (Rapid Bucareste ao Galatasaray) fariam parte destas irregularidades. As investigações começaram em março de 2006 e abrangem o período entre 1990 e 2006.
Os dirigentes também estão na mira das investigações. Gigi Becali (foto), presidente do Steaua Bucareste, teria oferecido € 10 mil para cada jogador do Gloria Bistrita caso a equipe derrotasse o Rapid Bucareste. Há alguns dias, Marian Iancu, presidente do Poli Stiinta Timisoara, recebeu uma pesada punição da federação romena. Iancu foi suspenso por 16 jogos por “incitar a violência”- durante uma partida do campeonato romeno, no mês passado, o dirigente apoiou a atitude do jogador Ionel Ganea, que agrediu um bandeirinha.
Vale lembrar que problemas de violência e corrupção na Romênia não são restritos ao universo do futebol. Após o colapso do Bloco Soviético em 1989-91, a Romênia foi deixada com uma base industrial obsoleta e um padrão de capacidade industrial totalmente inadequado às necessidades da população. Isso, até hoje, ainda gera consequências diretas para o povo. Nos últimos anos a economia tem se reerguido, ostentando índices bons de crescimento do PIB e baixos números da taxa de desemprego.
No entanto, apesar das nítidas melhorias, a Romênia ainda enfrenta vários problemas-chave, muitos com consequência direta no futebol, como já citamos: corrupção elevada em quase todos os níveis da sociedade, falta de transparência nos gastos públicos, baixa competitividade econômica e um ritmo lento nas reformas do setor público.
O último Ranking Mundial de Corrupção, divulgado pela ONG Transparência Internacional há alguns meses, coloca a Romênia na modesta 69º posição no que diz respeito ao combate à corrupção, com coeficiente 3,7 (onde 10 significa altamente limpo e 0 altamente corrupto). Para efeito de comparação, o Brasil é o 72º (3,5) e Nova Zelândia, Dinamarca e Finlândia ocupam o topo da tabela (9,4).
Enfim, os problemas pelos quais passa o futebol romeno não são exclusividades dele. São situações, infelizmente, comuns para os países do terceiro mundo ou com economias frágeis. O que é uma pena pelo fato dos clubes romenos, nos últimos anos, terem feito boas campanhas nas competições européias e, aos poucos, recuperado um pouco o velho prestígio – na próxima temporada o campeão romeno terá vaga direta na fase de grupos da LC, devido ao ranking da Uefa, que coloca a Liga I Burger na sétima colocação, à frente de outros países fortes, como a Holanda.
O próprio Steaua, do polemista e preconceituoso Gigi Becali, aparece na fase de grupos da Liga dos Campeões pelo segundo ano seguido. Mas, as decisões precipitadas e impestuosas de seu máximo dirigente comprometem todo um planejamento e deixa o talento do jogador romeno em segundo plano. Na semana passada, Gheorge Hagi, maior ídolo do futebol romeno, deixou o cargo de treinador do clube, devido às interferências e pressões de Becali.
Talento para o futebol romeno brilhar, existe. Assim como incapacidade e problemas de sobra para encobri-lo.
Copa Uefa
Festa dos times do leste europeu! A terceira fase preliminar da Copa Uefa reúne muitas equipes da região. As partidas de ida aconteceram no último dia 20 e os jogos de volta são nesta quinta-feira (04/10). Confira abaixo como foram os confrontos iniciais.
Artmedia-ESL 1×2 Panathinaikos-GRE
Dinamo Bucareste-ROM 1×2 Elfsborg-SUE
Dinamo Zagreb-CRO 0x1 Ajax-HOL
Groclin-POL 0x1 Estrela Vermelha-SER
Lokomotiv Sófia-BUL 1×3 Rennes-FRA
Mlada Boleslav-TCH 0x1 Palermo-ITA
Nuremberg-ALE 0x0 Rapid Bucareste-ROM
Rabotnicki-MAC 1×1 Bolton-ING
Sarajevo-BOS 1×2 Basel-SUI
Sparta Praga-TCH 0x0 Odense-DIN
Toulouse-FRA 0x0 CSKA Sófia-BUL
Litex Lovech-BUL 0x1 Hamburg-ALE
CURTAS
ALBÂNIA
– Sulejman Starova não é mais o técnico do Tirana. Após a derrota, há duas semanas, por 4 a 2 para o Skënderbeu, Starova pediu demissão e saiu atirando contra a diretoria e os patrocinadores, acusados de não o apoiarem.
BÓSNIA
– Morreu neste domingo (30) Milan Jelić, presidente da federação bósnia de futebol, aos 51 anos, em decorrência de um ataque cardíaco. Jelić estava no cargo desde 1997.
BULGÁRIA
– CSKA e Levski Sófia lideram o campeonato búlgaro, passadas sete rodadas. O primeiro tem 19 pontos, três a mais que o Levski.
CROÁCIA
– O técnico Slaven Bilić anunciou nesta semana a convocação da seleção croata para o confronto contra Israel, no próximo dia 13, válido pelas eliminatórias da Euro`2012. Não houve surpresas. A partida pode, praticamente, definir a classificação da Croácia.
ESLOVÁQUIA
– Tríplice empate na liderança do campeonato eslovaco. Artmedia, Zilina e Nitra têm 25 pontos em 11 jogos e dividem o topo.
ESLOVÊNIA
– O ex-técnico da seleção eslovena, Bojan Prašnikar, assumiu o comando do Energie Cottbus-ALE. Prašnikar foi o primeiro treinador da Eslovênia depois da independência do país, perante a Iugoslávia, em 1991.
HUNGRIA
– O Honved segue imparável no campeonato húngaro. Em dez jogos foram oito vitórias, um empate e somente uma derrota, totalizando 25 pontos, cinco a mais que o vice-líder Debrecen.
MACEDÔNIA
– O Rabotnicki assumiu a liderança do campeonato nacional. A equipe foi a 20 pontos e deixou o Milano, com 18, na segunda colocação.
MONTENEGRO
– Com 12 pontos em 8 jogos, o Mogren tem o trabalho de seu treinador, Dejan Vukcevic, contestado. Como fez muitas contratações na pré-temporada, o time foi apelidado de “Chelsea montenegrino”.
POLÔNIA
-Legia Varsóvia e Wisla Cracóvia dispararam na disputa pelo título do campeonato polonês. Com 24 e 23 pontos, respecticamente, já abrem vantagem em relação aos rivais.
REPÚBLICA TCHECA
– A Gambrinus Liga está equilibradissima. Passadas oito rodadas, Slavia Praga e Teplice lideram com 19 pontos, mas são seguidos de perto por Banik Ostrava (17) e Sparta Praga (16).
ROMÊNIA
– Para o lugar de Gheorge Hagi, a direção do Steaua Bucareste promoveu, ao menos temporariamente, Massimo Pedrazzini, assistente de Hagi, ao cargo de treinador do time.
– O técnico Anghel Iordanescu, que dirigiu a seleção romena na Copa do Mundo de 1994, anunciou na semana passada sua aposentadoria, aos 57 anos. Considerado o maior técnico da história da Romênia, Iordanescu levou a equipe nacional às quartas-de-final do Mundial dos Estados Unidos.
SÉRVIA
– Quem dá as cartas no futebol sérvio é o Partizan Belgrado, que em sete jogos somou 19 pontos e está no topo da tabela, longe dos demais. O Estrela Vermelha decepciona e é apenas o quinto, com 10 pontos em seis jogos.