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Quando o Cluj venceu a Roma, em pleno estádio Olímpico, na primeira rodada da Liga dos Campeões, muitos apontaram que ali poderia estar a grande surpresa do continente europeu na temporada. Afinal, a equipe comandada por Maurizio Trombetta, respaldada pelos títulos (inéditos) do Campeonato Romeno e da Copa da Romênia em 2007/08, se apresentava como a nova sensação do futebol do país, em evidência após o retorno da seleção nacional ao Euro. O empate com o Chelsea, no compromisso seguinte, animou ainda mais os torcedores.

Quis o destino, contudo, que quatro derrotas – duas delas para o Bordeaux, concorrente direto por uma eventual vaga na Copa Uefa – marcassem o restante da trajetória do time na Liga. Um desempenho frustrante que, somado à pouca consistência demonstrada no certame local, culminou na demissão de Trombetta, anunciada pelo presidente Iuliu Muresan na segunda quinzena de dezembro. O italiano, aliás, assumira o cargo pouco antes da estréia em Roma, substituindo Ioan Andone, técnico que comandara as recentes conquistas do clube.

Para surpresa geral, no entanto, Muresan voltou atrás em sua decisão e, quatro dias depois, chegou a afirmar que Maurizio Trombetta ficaria no cargo. Porém, a demissão acabou sendo ratificada na primeira semana de janeiro, quando também foi divulgado o nome daquele que teria a missão de salvar a conturbada temporada do Cluj e, claro, objetivar o bicampeonato. Trata-se do tcheco Ales Jindra, 35 anos, que ocupava a função de treinador-adjunto no Banik Sokolov, equipe que atualmente disputa a segunda divisão da República Tcheca.

O anúncio do desconhecido e inexperiente Jindra causou surpresa, mas veio precedido da confirmação de Dusan Uhrin Jr., demitido pelo Timisoara em dezembro, como novo conselheiro esportivo. Responsável pela classificação do Mladá Boleslav para a Copa Uefa 2006/07, Uhrin Jr., que também é tcheco, não poderia assumir a função de técnico justamente por ter comandado o Timisoara na atual temporada – as regras da liga romena impedem que um mesmo treinador trabalhe em dois times diferentes no mesmo campeonato.

Diante disso, a imprensa do país logo chegou a um consenso: não é segredo para ninguém que, nas entrelinhas, Dusan Uhrin Jr., filho do homem que levou a seleção tcheca à final do Euro ’96, será o treinador principal do Cluj. Ales Jindra, por sua vez, seria o famoso “laranja”, aquele que serve de fachada, um intermediário para alguém que, em virtude de regras pré-estabelecidas, não pode exercer uma determinada função. Além disso, boatos fazem crer que ele, Uhrin Jr. assumirá oficialmente o cargo tão logo o certame se encerre.

Independente de quem seja o real responsável pelo comando técnico da equipe, o fato é que o Cluj terá que remar bastante caso queira deixar a quarta colocação e alcançar o líder Dinamo Bucareste. Convém lembrar que, embora faça com que o foco, a partir de agora, seja o Campeonato Romeno, a eliminação na Liga dos Campeões fatalmente culminará na saída de jogadores importantes. Eugen Trica já defende as cores do Anorthosis Famagusta. Sebastián Dubarbier, ao que tudo indica, será contratado pela Lazio. Problemas para Jindra. E para Uhrin Jr., claro.

Na capital…

O Steaua Bucareste, quinto colocado na tabela com a mesma pontuação do Cluj, também terá cara nova na segunda metade da temporada. E, fazendo jus às trapalhadas do presidente Gigi Becali, o escolhido é um velho conhecido: Marius Lacatus, que deixou o comando do time em outubro, retorna ao clube no lugar de Dorinel Munteanu, demitido no mês passado. De acordo com Becali, Lacatus, ex-atleta da seleção romena, ganhará cerca de R$ 250 mil anuais (isso se conseguir a façanha de completar um ano no cargo, lógico).

Em sua curtíssima passagem como treinador, Munteanu, que assinara contrato por dois anos, somou uma vitória e quatro empates no torneio local, além de três derrotas na Liga dos Campeões. Os resultados obviamente desagradaram Gigi Becali, que, revoltado com o pífio desempenho em nível continental – ao lado do Basel, o Steaua teve a pior campanha de toda a Liga ao conquistar apenas um ponto no grupo F –, desfez o acordo e promoveu uma revolução, dispensando, ainda, o defensor espanhol Abel e o atacante brasileiro Arthuro.

Correndo o risco de perder titulares importantes, a exemplo do Cluj, o atual vice-campeão sabe que o título é uma realidade pouco provável, embora a distância de seis pontos em relação ao Dinamo seja amplamente reversível. A grande questão, todavia, é saber o quanto Becali continuará interferindo na equipe e afetando os profissionais que o representam dentro de campo. Se a competência do presidente fosse inversamente proporcional ao seu caráter, o Steaua Bucareste certamente teria condições de reviver seus áureos tempos de glória.

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Equipe Trivela

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