Ventura vai usar base de Conte, mas quer Itália com mais jovens em campo
Depois da boa campanha na Eurocopa com Antonio Conte como técnico, a Itália terá novo treinador. Para chegar à Copa do Mundo de 2018, a Azzurra terá como técnico Giampiero Ventura, 68 anos, apresentado nesta terça. E o novo técnico chegou falando em aproveitar o bom trabalho de Conte, ao mesmo tempo que trazer jogadores jovens para o time.
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“Estou orgulhoso de ser escolhido para representar uma das nações de futebol mais importantes do mundo”, declarou Ventura na sua coletiva de apresentação. “Eu quero agradecer a Antonio Conte, que deixou um time extremamente trabalhador”, disse. “A Eurocopa nos deixou conscientes que, por meio de organização, consistência solidez, sacrifício e união podemos atingir objetivos importantes”, explicou o técnico. “Para esses objetivos, precisamos de todos”.
Por isso, o técnico diz que pode falar com Andrea Barzagli, zagueiro da Juventus, de 34 anos, que anunciou aposentadoria da seleção após a Eurocopa. Não descartou nem mesmo Mario Balotelli. Diz que ele precisa jogar e ser profissional e, a partir daí, pode ter uma chance.
Estilo de jogo
“Qualquer estilo de jogo, se feito corretamente, dá certo. Se for feito errado, não dá. Quando você quer chegar a um resultado, você não pode confiar na individualidade ou na sorte, todos devem se esforçar juntos”, explicou Ventura.
“O futebol de Conte funcionou por um tempo particular, os jogadores do banco quando [Marcello] Lippi ganhou a Copa do Mundo eram grandes nomes, os que foram à Eurocopa ainda têm trabalho ia fazer para chegar a este nível”, continuou. “O estilo de Conte foi importante para chegar aos resultados, mas nós teremos que trabalhar para melhorar”.
“Nós também temos muitos bons jogadores para jogar pelas pontas, como [Stephan] El Sharaawy, [Giacomo] Bonaventura e outros. Usando o 3-5-2, há uma possibilidade de prejudicarmos isso”, explicou o ex-técnico do Torino.
Trabalhar com jovens
“Agora podemos começar a pensar na classificação para a Copa do Mundo, que é o nosso objetivo. Queremos trabalhar com jogadores jovens, já que eles são essenciais para o nosso futuro, mas nós temos que ser pacientes com eles”, explicou o treinador.
“Contra a Alemanha [na Eurocopa 2016] nós tínhamos quatro jogadores jovens em campo. Nós iremos procurar colocar lentamente jovens jogadores e integrá-los ao time gradualmente, já que seria uma vergonha não aproveitar a qualidade que temos nisso”, afirmou Ventura.
Sem títulos?
Uma das críticas que se fez à escolha de Ventura foi a sua falta de títulos. Aos 68 anos, é um técnico muito experiente, com trabalhos sempre em clubes pequenos ou médios. Seus únicos títulos foram nas divisões inferiores, como a Série C1 (terceira divisão) em 1995/96 pelo Lecce. Trabalhou em times como Sampdoria, Udinese, Cagliari, Verona, Bari e Torino, onde estava desde 2011. Se caracterizou por fazer trabalhos com baixo orçamento, a realidade que encontrou a maior parte da carreira.
“Eu não ganho € 1 a mais para treinar a seleção”, afirmou Ventura, falando sobre o seu salário no Torino. “Nem € 1 a mais. Quando se trata de títulos, depende do que você considera vencer”, disse. “Se você estiver falando de ganhar campeonatos e copas, então, se eu falar honestamente, é muito difícil fazer isso se você não treina um dos cinco melhores times da liga”, analisou o treinador.
“Eu desafio qualquer um a fazer isso enquanto treinar Udinese, Sampdoria, Cagliari ou Torino. Se ganhar for levar jogadores adolescentes ou nos seus 20 e poucos anos à seleção ou ter um time que perdia € 20 a € 30 milhões por temporada e em quatro anos você ter € 150 milhões de capital, então isso para mim significa alguma coisa”, argumentou o técnico.
Ventura de fato trabalhou com elencos modestos e fez um bom trabalho. Resta saber se, podendo escolher com quem contar, ele conseguirá desenvolver jogadores que possam ajudar a Itália a chegar mais forte em 2018. Afinal, depois de ser campeã em 2006, a Itália protagonizou dois vexames nas Copas de 2010 e 2014, caindo já na fase de grupos. É preciso mais. Bem mais.
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