Futebol italiano

‘Ultraje a Modric’: Substituição e fala polêmica de Amorim geram revolta com astro do Milan

Jornal espanhol questiona escolha de Rúben Amorim, que afirmou ter jogos em que o time melhora sem Modric

A decisão de Rúben Amorim de substituir Luka Modric no intervalo do empate por 2 a 2 entre Milan e Lazio, pela Serie A, provocou uma onda de críticas na Itália e até na Espanha. O jornal espanhol “AS” classificou a escolha do treinador português como um “ultraje a Modric”, em referência ao peso do meio-campista de 41 anos e ao seu status de lenda do futebol mundial.

Modric deixou o campo quando o Milan perdia por 2 a 0 no Estádio Olímpico, em uma das três alterações feitas por Amorim no intervalo. Yunus Musah entrou no lugar do croata, enquanto Christian Pulisic e Diego Moreira também foram acionados. A mudança surtiu efeito: Moreira marcou duas vezes em apenas dois minutos na segunda etapa e salvou o Milan da derrota.

O resultado, portanto, deu munição para Amorim defender sua decisão. O Milan foi completamente diferente depois do intervalo e teve uma atuação muito mais intensa, mas a substituição de Modric abriu uma discussão maior sobre qual é o espaço do veterano no projeto do treinador português.

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Amorim: ‘Há jogos que não são para Modric'

Depois da partida, Amorim não recuou ao explicar por que decidiu retirar Modric. Para o treinador, o problema não foi simplesmente o desempenho individual do croata, mas o tipo de partida que o Milan estava disputando.

“Precisamos ser muito bons com a bola para nos sentirmos confortáveis no jogo. Se a posse mudar de lado o tempo todo durante a partida, então esse não é o jogo para Luka”, explicou Amorim.

A avaliação do treinador parte de uma característica conhecida de Modric: sua capacidade de controlar o ritmo, se oferecer para receber a bola e organizar o jogo a partir de uma equipe que tenha algum controle territorial e da posse. Contra a Lazio, porém, o Milan teve dificuldades para fazer isso.

Ruben Amorim, técnico do Milan (Foto: IMAGO / ABACAPRESS)
Ruben Amorim, técnico do Milan (Foto: IMAGO / ABACAPRESS)

“Precisamos de um bom controle de bola para que o Luka se sinta confortável na partida. Se o jogo se transformar em uma sucessão de perdas de bola e corridas frenéticas, não será a partida adequada para ele”.

Amorim também identificou um problema específico na maneira como Modric estava se posicionando. Segundo o técnico, o croata recuava para perto dos zagueiros, o que diminuía o número de jogadores disponíveis para construir as jogadas e ocupar os espaços entre as linhas.

“Luka estava muito perto dos zagueiros, então eram quatro jogadores para começar uma jogada, com menos espaço entre as linhas. Mudamos nossa forma de jogar no segundo tempo com Musah porque entendemos que precisávamos de um pouco mais de velocidade no meio”, explicou.

A justificativa encontra respaldo no que aconteceu depois. Com Musah oferecendo mais velocidade e aumentando a intensidade, o Milan conseguiu virar completamente a dinâmica da partida. Moreira marcou aos 65 e 67 minutos e decretou o empate.

“Ultraje a Modric” e o debate sobre o papel do craque

Para o AS, a decisão de retirar Modric em um momento no qual o Milan estava dois gols atrás representa um tratamento questionável para um jogador do seu calibre. O jornal espanhol chamou o episódio de ultraje e destacou que a escolha de Amorim alimentou as dúvidas sobre a capacidade do croata de se adaptar às exigências físicas e táticas do treinador.

O contexto torna a discussão ainda mais delicada. Modric chegou ao Milan depois de uma carreira marcada por protagonismo no Real Madrid e pela conquista da Bola de Ouro, mas agora precisa se adaptar a uma equipe comandada por um treinador que exige intensidade, velocidade e um funcionamento coletivo muito específico.

Modric em Milan x Lazio
Modric em Milan x Lazio (Foto: IMAGO / Insidefoto)

Amorim, por outro lado, não parece disposto a preservar Modric simplesmente pelo tamanho de seu currículo. A mensagem passada após o empate foi clara: haverá partidas em que as características do croata serão fundamentais e outras em que o Milan precisará de um meio-campo mais físico e veloz. E foi direto ao avaliar a diferença entre as duas partes.

“A energia no primeiro tempo, honestamente, não estava lá. Perdemos muitas posses sem qualquer pressão, passes simples. Eles passaram pelos nossos defensores com muita facilidade. Mas o segundo tempo foi o oposto. Tivemos energia, controlamos o jogo. Foi um time completamente diferente e um jogo completamente diferente.”

O empate manteve o Milan invicto, mas também aumentou a pressão sobre Amorim: depois de duas vitórias nas primeiras rodadas, a equipe empatou os dois compromissos seguintes. O episódio com Modric adiciona uma nova camada à cobrança sobre o português.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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