Itália

Tão perto, tão longe…

Juventus bem reforçada e com comando renovado. Inter sem seu principal jogador dos últimos títulos. No começo da temporada, tudo apontava para uma queda na diferença técnica entre as duas equipes. Uma sensação que as primeiras rodadas ajudaram a alimentar, com a Juve partindo forte (quatro vitórias consecutivas) e a Inter enfrentando dificuldades, convencendo apenas na vitória sobre um cambaleante Milan no dérbi. A Vecchia Signora assumia as vestes de favorita ao título – mas dali por diante tudo começaria a dar errado.

A inexperiência de Ferrara e as dificuldades individuais de alguns jogadores passaram fatura desde então, e o empate por 1 a 1 com a Fiorentina no último sábado foi o quarto jogo consecutivo sem vitória na Serie A (e cinco no geral, considerando o empate com o Bayern na Liga dos Campeões). A Juve estava dois pontos à frente da Inter no dia 20 de setembro, e um mês depois se encontra quatro pontos abaixo. Pior que a distância matemática, no entanto, é saber que a diferença técnica, que parecia diminuir, pode até ter aumentado.

Na goleada de 5 a 0 sobre o Genoa, a Inter obteve seu melhor desempenho desde a chegada de José Mourinho. Uma vitória com dois pontos a reforçar: a visita a Marassi para enfrentar os Grifoni é um dos desafios mais difíceis para qualquer time da Serie A, e os nerazzurri o fizeram mesmo com os desfalques de Eto’o, Milito e Thiago Motta.

Mourinho, que recebeu justas críticas por exagerar nas rusgas com a imprensa e não tirar o máximo do time em alguns momentos, desta vez transformou a necessidade em virtude. Sem seus dois atacantes titulares, mexeu no esquema da equipe e escalou apenas um atacante (Balotelli), apoiado por Stankovic e Snejider na ligação. A divisão de tarefas entre o sérvio e o holandês funcionou à perfeição e deu ao jogo da Inter uma fluidez até então pouco vista.

Quando os nerazzurri tinham a posse da bola, era comum ver um dos três volantes (Muntari) se apresentando como mais uma alternativa ofensiva, colocando em dificuldade o tradicional módulo 3-4-3 de Gasperini no Genoa. Sneijder mostrou por que era a peça que faltava a Mourinho, e não é por acaso que ele esteve em campo nas seis vitórias da Inter no campeonato – e não esteve nos dois únicos tropeços.

Obviamente as falhas individuais do Genoa contribuíram para o marcador elástico – em especial o goleiro Amelia, que, em noite particularmente infeliz, deu o “lançamento” para Stankovic marcar um gol antológico ao bater de primeira do meio do campo. Mas os méritos da Inter para superar uma situação adversa, com tantos desfalques, são maiores.

Quando Eto’o e Milito estiverem de volta, será necessário fazer com que o esquema com apenas um “trequartista” funcione bem, mas o 4-3-2-1 se mostra uma alternativa válida para casos de necessidade – vale lembrar que o camaronês perderá vários jogos no início de 2010, quando se disputa a Copa Africana de Nações.

A Inter se sobressai justamente nos quesitos em que a Juventus parece perder forças. A ascensão de Sneijder coincide com a queda de rendimento de Diego, que arrancou elogios empolgados no início, mas se lesionou no jogo contra a Lazio e desde então não foi mais o mesmo. E enquanto os nerazzurri contam com um Cambiasso recuperado e fundamental, a Juventus continua esperando que Felipe Melo justifique os € 25 milhões investidos em sua contratação.

O volante da Seleção Brasileira tem sofrido para exercer a função requerida pelo esquema 4-3-1-2 de Ciro Ferrara, sendo o homem mais recuado do losango de meio-campo. Perde bolas cruciais e demonstra nervosismo. Uma boa oportunidade de mostrar serviço era o encontro com a Fiorentina, seu ex-clube, mas sua atuação levou a Viola a pensar que fez um excelente negócio ao vendê-lo por tanto dinheiro e ainda encontrar justamente na Juventus um substituto que faz a mesma função sem comprometer – caso de Cristiano Zanetti.

A baixa por lesão de Marchisio, até então um dos destaques positivos da equipe, provocou a entrada de Sissoko, enfim recuperado da fratura no pé sofrida em março, mas o malinês não parecia tão à vontade na função. E estava muito menos à vontade Poulsen na vaga de Camoranesi. Perda considerável em qualidade no passe e na construção das jogadas desde a intermediária defensiva.

Pensar na volta ao antigo 4-4-2 não é uma hipótese inteligente porque simplesmente mataria Diego taticamente. Não é meia para jogar em linha e também não é segundo atacante – foi assim que sua passagem pelo Porto naufragou.

Uma hipótese que Ferrara já levantou, mas ainda não colocou em prática, é a utilização do meia brasileiro em uma linha de três (com Camoranesi e Giovinco), apoiando um atacante isolado (Amauri ou Trezeguet). Além de dar a Diego liberdade para criar e se aproximar da área adversária, essa formação permitiria ainda que Sissoko recuasse para atuar ao lado de Felipe Melo, minimizando assim as dificuldades do volante da Seleção.

A Juve tem a semana ideal para sua recuperação: recebe o Maccabi Haifa na Liga dos Campeões, quarta-feira, e visita o Siena, vice-lanterna da Serie A, no próximo fim de semana. Voltar a vencer é fundamental não apenas para recuperar a confiança, mas também para evitar um princípio de crise e provar que a Inter não vai passear mais uma vez no campeonato, hipótese que parece ganhar força novamente.

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Equipe Trivela

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