Talento é o alento
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Cesare Prandelli não conseguiu quebrar um tabu e se tornar o primeiro técnico desde Dino Zoff, em 1998, ao estrear com vitória na seleção italiana. A derrota por 1 a 0 para a Costa do Marfim mostrou o que há tempos é óbvio – a Azzurra tem um oceano de distância a tirar para as melhores seleções do mundo, tendo como referência o que apresentaram Espanha e Alemanha, por exemplo, no Mundial.
Por outro lado, foi animadora a opção do novo técnico por uma equipe mais leve e talentosa. Como qualquer primeiro teste, em especial um realizado em plena pré-temporada para a maioria dos jogadores, o amistoso exige cautela na avaliação. De qualquer maneira, dá um indicativo interessante sobre as intenções de Prandelli. Menos obsessão com o “grupo” e mais aposta no talento.
A presença de Cassano e Balotelli entre os titulares sinaliza uma ruptura importante com a era Lippi, jogando a responsabilidade sobre dois jogadores ignorados pelo antecessor.
Com a bola rolando, pode-se considerar a atuação italiana positiva no primeiro tempo e no início da etapa final. O time pareceu mais rápido e mais voluntarioso que o do Mundial – sempre lembrando que piorar o que se viu na África do Sul era praticamente impossível. Individualmente, Balotelli começou muito bem, buscando sempre a finalização, mas perdeu rendimento com o passar do tempo.
Cassano teve bons momentos, como um cruzamento de primeira que quase resultou em gol de Amauri. O entendimento melhor com os companheiros virá com os jogos, e vale construir o time em torno do camisa 99 da Sampdoria.
Amauri não fez muito para justificar a opção de Prandelli a princípio. O juventino, que como prometido não cantou o hino italiano antes da partida, terá a concorrência não apenas de Borriello, mas também de Gilardino e Pazzini, que já trabalharam com Prandelli e certamente serão observados. Borriello entrou no segundo tempo, mas foi pouco acionado.
A nota negativa ficou por conta dos laterais. Motta esteve bem ofensivamente – foi dele a melhor oportunidade de gol da Azzurra, uma bola na trave no começo do segundo tempo -, mas comprometeu na marcação. Na esquerda, Molinaro deixou clara a falta de bons nomes para a posição, aguardando a recuperação de Criscito.
A dupla de zaga esteve bem na maior parte do tempo, mas foi justamente em um vacilo de Chiellini, até então um dos melhores, que Kolo Touré marcou de cabeça o gol decisivo. Distrações do tipo são imperdoáveis em jogos oficiais – vale lembrar que a Itália sofreu na Copa por sempre sair atrás no marcador.
De qualquer forma, a hora não é de alarmismos, e sim de tempo ao trabalho. Se o mais importante da estreia fosse o resultado, bastaria procurar um adversário inexpressivo. A Costa do Marfim, com um time que joga junto há mais tempo e que esteve inteiro no Mundial, pôde evidenciar as necessidades imediatas da Azzurra e ajudar a apontar o caminho a seguir.