Serie A

Milan confirma Ricardo Rodríguez e dá sequência a um mercado bastante promissor (e coerente)

Que o Milan partiria com sede ao mercado de transferências, não era segredo para ninguém. A venda dos rossoneri para investidores chineses indicava que as torneiras voltariam a se abrir em Milanello, algo que não vinha sendo tão comum nos últimos tempos com Silvio Berlusconi. E, mais do que o dinheiro despejado, o início de mercado dos milanistas chama atenção pela coerência. A princípio, o clube tem feito bons negócios para rechear o elenco de Vincenzo Montella. Depois de Mateo Musacchio e Franck Kessié, a diretoria anunciou seu terceiro reforço nesta quinta. Deu as primeiras pistas até, enfim, confirmar a chegada de Ricardo Rodríguez, ex-Wolfsburg.

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Aos 24 anos, Rodríguez vinha sendo um dos laterais mais cobiçados da janela. A qualidade do suíço não é segredo para ninguém, especialmente pelo talento para bater na bola, seja em cruzamentos ou cobranças de falta. Os rossoneri pagaram €18 milhões para contar com os seus serviços pelos próximos quatro anos. Somando as vindas de Musacchio e Kessié (este, emprestado inicialmente, mas com a contratação definitiva estipulada para a próxima temporada), os milanistas já desembolsaram €44 milhões – mais €20 milhões, pelo acerto posterior com Kessié. Valor alto, mas que serve para melhorar a estrutura do time como um todo.

Em nova temporada decepcionante, na qual desperdiçou pontos em demasia e dependeu de Gianluigi Donnarumma em diversos momentos, melhorar a espinha dorsal era mais do que necessário. Assim, chegam os três contratados. Kessié vem como uma promessa pronta para se afirmar, após o ótimo ano com a Atalanta; Musacchio é relativamente jovem e, depois de bons momentos pelo Villarreal, agarra a grande chance de sua carreira; já Ricardo Rodríguez desponta como uma liderança dentro do processo de renovação do Milan. Não atravessava exatamente em seu melhor momento com o Wolfsburg, mas tem cancha para se recuperar e se colocar como referência técnica, até pela multiplicidade de suas funções em campo.

Além do mais, pela possível saída de Mattia de Sciglio, a chegada do lateral esquerdo se faz ainda mais pertinente. Rodríguez possui características distintas, mas que podem servir dentro dos planos de Montella, a depender do desenho tático que ele imagine para esta nova era dos rossoneri. Fato é que, além de um competente defensor, os milanistas ganham uma arma ofensiva que pode ser útil em diversos momentos. Nas últimas cinco temporadas, o suíço somou 26 assistências e 15 gols, números consideráveis para um lateral.

Obviamente, o mercado do Milan não para aí. As necessidades se espalham em diferentes setores, e há mesmo outras questões a se resolver, como as renovações-chave, sobretudo a de Donnarumma. De qualquer maneira, pelo trabalho imediato demonstrado pela nova diretoria, os rossoneri já contarão com diversos novos nomes para trabalhar desde a pré-temporada e moldar a equipe. Tranquilidade necessária e que poucas vezes se vê durante os primeiros anos de investidores massivos. A antecipação já é elogiável.

Resta ver como será o comportamento do Milan nas próximas semanas. Já está claro que os cofres em Milanello estão cheios, mas há uma equação a se respeitar, pensando no Fair Play Financeiro – e o “empréstimo temporário” de Kessié, muito provavelmente, atende isso. Só que as contratações, independentemente de sua qualidade, por enquanto, são periféricas. Aguarda-se um nome que chegue com o peso de elevar o patamar dos rossoneri e que possa chamar a responsabilidade nos jogos mais difíceis, algo que anda em falta nos últimos tempos. Então, será possível avaliar melhor qual a capacidade dos novos donos em realmente iniciar uma nova era no clube – especialmente, que não repita os erros da rival Internazionale.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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