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Empate fraco entre Milan e Inter evidencia caminho longo que os dois têm a percorrer

A beleza do Derby della Madonnina ficou mesmo restrita às imagens que as duas torcidas protagonizaram nas arquibancadas do San Siro antes do jogo. Do apito inicial em diante, o que se viu foram duas equipes com bastante limitação técnica, e o placar de 1 a 1 resume bem o que fizeram Milan e Internazionale em seu primeiro encontro nesta temporada. O resultado foi ruim para os dois times, que vivem sequências incômodas sem vitórias na Serie A. Aquele início relativamente positivo que ambos tiveram na campanha parece agora bem distante, mesmo após apenas 12 rodadas, e as esperanças das duas torcidas em relação à briga por uma vaga na Champions League certamente não são das maiores.

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Com os ânimos renovados pela estreia de Roberto Mancini no comando técnico, a Inter começou melhor no jogo. O trágico esquema de três zagueiros em que Mazzarri tanto insistira foi deixado para trás pelo novo treinador, que apostou em um 4-3-3. Nada que mudasse substancialmente o nível da equipe, mas pelo menos foi um alívio para o torcedor, uma projeção de que alguma alternativa será buscada. Entretanto, mesmo com a superioridade inicial, quem abriu o placar foi o Milan. El Shaarawy, que aos poucos vai acumulando tempo de jogo e retomando a boa forma física, arrancou pela ponta esquerda e cruzou para dentro da área. Encontrou Jérémy Ménez, que de primeira pegou com elegância na bola, de chapa, no alto, para mandar colocado no canto do gol de Handanovic e fazer 1 a 0.

O gol era aquilo de que os rossoneri precisavam para acordar para o jogo, e os papeis se inverteram. Também sem tanta incisividade, o Milan passou a atacar mais, mas ninguém parecia muito inspirado. Fernando Torres, mais avançado da equipe, mal recebia a bola, e passou os 60 minutos em que esteve em campo sem finalizar uma vez sequer. Chute a gol, aliás, foi algo bem raro em todo o duelo, com a Inter mandando apenas três vezes a bola na meta de Handanovic, enquanto os comandados de Inzaghi foram ainda piores: duas vezes.

A Internazionale não jogou para merecer o resultado, mas tampouco o Milan teve uma atuação que tornasse o seu 1 a 0 um resultado condizente com o que apresentou em campo. Cedo no segundo tempo, a equipe nerazzurra então deu ao duelo um placar mais justo. Após uma bola cruzada da direita, Cristián Zapata afastou muito mal a bola, e Joel Obi se antecipou a Michael Essien, protegeu a posse e bateu fraco, rasteiro, da entrada da área, mas com precisão o bastante para tirar do alcance de Diego López e balançar a rede, aos 16 minutos da etapa complementar.

A necessidade de vitória dos dois lados infelizmente não tornou o jogo melhor. Naturalmente, por ter estado à frente no placar e ter tomado o gol do empate, o Milan buscou mais um segundo gol, mas esbarrou na falta de criatividade de seu meio de campo e, quando teve suas melhores oportunidades, na limitação de El Shaarawy.

Primeiro, o garoto, que há poucas rodadas encerrou uma sequência de 18 meses sem marcar, recebeu bola na cara do gol, com apenas Handanovic à sua frente, e conseguiu mandar a bola no travessão, naquele típico lance que jogador algum pode desperdiçar em partida tão importante como a deste domingo. Minutos mais tarde, já próximo do fim do jogo, recebeu a bola dentro da área e poderia ter se livrado da marcação para buscar espaço para a finalização, mas se atrapalhou com a bola e sequer teve a chance de fazer o arqueiro da Inter trabalhar. Entre os dois lances, Icardi foi outro que chegou perto do gol, completando cruzamento com um chute decidido, mas que caprichosamente beliscou o travessão de Diego López.

Milan e Internazionale têm um longo caminho a percorrer se quiserem, de fato, brigar até o fim por uma vaga na Champions League. Sem vencer há cinco jogos, o clube rossonero, sétimo colocado, só não vê o terceiro lugar tão longe por causa do início instável do Napoli e das outras equipes. A Inter completou “apenas” três partidas sem vitórias, mas aparece com um ponto a menos, na nona colocação. Embora apenas quatro e cinco pontos, respectivamente, separem Milan e Inter da posição que leva à principal competição de clubes europeia, aquela que tem valor importantíssimo na temporada de uma equipe do tamanho da dupla, a distância entre os clubes e o futebol que garante essa boa colocação parece ser enorme.

Destaque do jogo

Em meio a um time pouco criativo, Ménez consegue ser perigoso com sua boa movimentação e eficaz penetração na área. O gol cheio de estilo que abriu o placar foi o ponto alto de sua atuação. Tem sido uma das boas notícias do Milan em meio a uma temporada irregular e, se estivesse em uma equipe mais acertada, poderia ter ainda mais destaque.

Momento-chave

A Internazionale não parecia ter fôlego ou capacidade para buscar a virada, e El Shaarawy teve em seus pés a chance de definir o confronto aos 29 minutos do segundo tempo. Teve tempo e espaço para fazer o que achasse melhor no lance, mas desperdiçou a oportunidade, mandando a bola no travessão de Handanovic.

Os gols

23’/1T: GOL DO MILAN!

El Shaarawy leva a bola pela ponta esquerda e cruza baixo para Ménez. O francês, de primeira, bate com categoria, de chapa, tirando de Handanovic e mandando no canto esquerdo do gol.

16’/2T: GOL DA INTERNAZIONALE!

Zapata afasta mal o cruzamento, e a bola sobra para Joel Obi. O nigeriano protege contra a marcação de Essien e bate rasteiro, no canto esquerdo de Diego López, para empatar o jogo.

Curiosidade

Após 54 jogos com a camisa da Internazionale, o nigeriano Joel Obi fez apenas no dérbi seu primeiro gol no Campeonato Italiano, em sua quinta temporada.

Ficha técnica

MILAN 1X1 INTERNAZIONALE

Milan

Diego López; Adil Rami, Philippe Mexès, Cristián Zapata e Mattia De Sciglio; Giacomo Bonaventura, Michael Essien, Sulley Muntari (Andrea Poli, 31’/2T) e Stephan El Shaarawy; Jérémy Ménez e Fernando Torres (Keisuke Honda, 28’/2T). Técnico: Filippo Inzaghi

Internazionale

Samir Handanovic; Yuto Nagatomo, Andrea Ranocchia, Juan Jesus e Dodô; Fredy Guarín, Zdravko Kuzmanovic, Joel Obi (Hernanes, 27’/2T) e Mateo Kovacic (Yann M’Vila, 49’/2T); Rodrigo Palacio e Mauro Icardi (Daniel Osvaldo, 44’/2T). Técnico: Roberto Mancini

Local: Estádio San Siro, em Milão

Árbitro: Marco Guida

Gols: Ménez, 23’/1T, Obi, 16’/2T

Cartões amarelos: Mexès e Bonaventura (Milan); Obi e Juan Jesus (Internazionale)

Cartões vermelhos: nenhum

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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