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Kaká é protagonista, mas precisa de tempo para decidir

A chegada de Kaká foi benéfica à imagem do Milan. Até o anúncio do brasileiro, os rossoneri tinham feito movimentações discretas no mercado de transferências. O camisa 22 era o craque que a equipe de Massimiliano Allegri precisava para subir de patamar na Serie A. Mesmo mais velho e vindo de uma passagem ruim pelo Real Madrid, o craque voltou carregando a aura que o levou à conquista da Bola de Ouro em 2007. A recepção calorosa da torcida em Milão foi a melhor demonstração disso.

No entanto, os milanistas precisam de um pouco de paciência. Kaká foi peça-chave em sua reestreia oficial pelo clube, no empate por 2 a 2 contra o Torino. Centralizou as ações de ataque e chegou até a vestir a braçadeira, depois da substituição de Riccardo Montolivo. Protagonista, como se espera, ele foi. Mas a falta de ritmo de jogo e de entrosamento com os companheiros impediu que o brasileiro tivesse uma atuação fora de série, como acostumou os rossoneri por tanto tempo.

Kaká permaneceu em campo até os 25 minutos do segundo tempo, quando o cansaço pesou e precisou ser substituído por Valter Birsa. Chamando a responsabilidade para si, foi o meia central no esquema 4-3-1-2 utilizado por Allegri, alimentando Mario Balotelli e Robinho. Um esquema que lembrou os tempos de Carlo Ancelotti à frente dos rossoneri, quando o camisa 22 fazia o mesmo papel e voava em campo.

Durante os 70 minutos que permaneceu no jogo, Kaká foi o terceiro jogador do Milan com mais passes, atrás apenas de Nigel De Jong e Philippe Mexès, responsáveis pela saída de jogo. Além disso, também foi o jogador que mais efetuou cruzamentos. Sinal claro de sua funcionalidade em campo, na armação do time.

O mapa de calor de Kaká na reestreia (Fonte: Squawka)
O mapa de calor de Kaká na reestreia (Fonte: Squawka)

Todavia, faltou ainda ver o velho poder de decisão voltando à tona. Kaká só criou uma chance de gol para os companheiros e deu dois chutes, ambos de fora da área, sem sucesso. E o desempenho físico abaixo do esperado foi evidenciado pela quantidade de bolas perdidas. Foram quatro desarmes sofridos pelo brasileiro, mais do que qualquer outro jogador na partida, e mais três perdas de posse de bola por erro – números bastante altos, considerando que o meia recebeu a bola 61 vezes na noite.

No fim, a reação do Milan evitou um vexame na volta do ídolo. Sulley Muntari achou um gol em chute de fora da área e Mario Balotelli buscou o empate nos acréscimos, convertendo um pênalti bastante questionável. Um reinício modesto tanto para as pretensões de Kaká quanto para as dos rossoneri. Se não dá para ser o melhor do mundo novamente, Kaká pode ao menos ambicionar voltar ao topo do futebol italiano com o clube. Algo que não acontecerá em um passe de mágica, por mais que o meia consiga recuperar o bom nível perdido há um tempo.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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