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Italianos podem vencer a LC? Dirigente diz que sim

O futebol italiano vive um dos seus piores momentos dos últimos 30 anos. Depois de perder uma vaga na Liga dos Campeões para a Alemanha, na temporada 2010/11, o país viu seus clubes ficarem longe da disputa pelo título europeu. A Internazionale ganhou a competição na temporada 2009/10, contra os prognósticos da época, mas desde então nenhum italiano chega sequer à semifinal. O técnico da Juventus, Antonio Conte, disse que “vai demorar para um clube da Serie A ganhar uma Liga dos Campeões novamente”. A análise parece razoável, considerando o poder financeiro de Real Madrid, Barcelona, Manchester United, Chelsea, Manchester City, Bayern Munique e até do Borussia Dortmund, mais organizado e com finanças em dia. Mas Umberto Gandini acredita que os italianos podem superar tudo isso e levar a taça. Como? Inteligência.

“Quando você não tem os recursos financeiros, você precisa ser mais inteligente que os outros, talvez como o futebol italiano fazia no passado”, disse Gandini.  “A Liga dos Campeões é um tipo especial de competição e há muitos fatores que entram em jogo”, continuou o dirigente. “Não é apenas a situação financeira dos clubes, há outras coisas que podem fazer a diferença. Lesões, má fase, um pouco de sorte”, descreveu Gandini.

Gandini acredita que o Milan não teve sorte na temporada passada. Em parte, ele pode até ter razão. Os rossoneri enfrentaram o Barcelona nas oitavas de final e acabaram eliminados. “Na temporada passada, nós vencemos o Barcelona em casa (2 a 0), mas então Messi reapareceu no jogo de volta. Foi de longe a sua melhor atuação no mata-mata”, analisou o vice-presidente do Milan. E Gandini pode até ter exagerado, mas tem alguma razão. A atuação do Barcelona no segundo jogo foi incrível, mas muitos acreditavam que seria difícil reverter o placar da ida. Os 4 a 0 foram a última vitória do Barcelona na competição. Não faltou tanto assim para o Milan avançar.

“Eu acho que os clubes avaliaram a situação, eles estão cientes da nova realidade e fizeram um esforço consciente para equilibrar as finanças durante a janela de transferência recente”, afirmou Gandini. “Está tudo mais difícil por causa da situação econômico do país”. De fato, os times não gastaram muito em transferências e, mais do que isso, liberaram diversos jogares que pesavam na folha salarial e aliviaram suas finanças. O Milan, por exemplo, liberou Ambrosini, Flamini e Antonini, enquanto a Juventus vendeu Giaccherini e Matri.

O dirigente aponta um problema para o crescimento do futebol italiano: os times não terem seus próprios estádios. “Essa é uma questão muito, muito importante, nós estamos cientes que a maior parte das dificuldades está ligada aos estádios”, disse Gandini. “Há dificuldades na legislação de construção e em ter leis especiais aprovadas pelo parlamento”, comentou o dirigente,se referindo à falta de incentivos fiscais para que os clubes construam os estádios. Com isso, os clubes vivem um dilema: não têm dinheiro para construir seu próprio estádio e, sem seus estádios, fica mais difícil conseguir melhorar suas finanças.

Italianos agressivos na janela

Mesmo com a situação financeira pior para os times italianos em relação aos ingleses, espanhóis e alemães, a Serie A foi a segunda liga que mais gastou no mercado de transferências, que terminou no dia 2 de setembro. Com um total de € 410,94 milhões gastos, os italianos só ficaram atrás da Premier League, que gastou um total de € 760,83 milhões. La Liga, que só tem Barcelona e Real Madrid como potências europeias, teve um gasto total de € 389,95 milhões.

Um dos times que mais ajudou a movimentar o mercado italiano foi o Napoli. O time gastou um total de € 86,96 milhões em contratações na temporada, com destaque para Gonzalo Higuaín (€ 37 milhões), Raúl Albiol (€ 12 milhões) e José Callejón (€ 9,5 milhões) e Dries Mertens (€ 9,7 milhões). O time é um dos representantes italianos na Liga dos Campeões e quer tentar ir além das oitavas de final, como foi em 2011/12, mas terá dificuldade porque caiu em um grupo pesado da Liga dos Campeões, com Arsenal, Borussia Dortmund e Olympique de Marseille.

Os outros dois times italianos, Juventus e Milan, foram modestos no mercado. A Velha Senhora gastou um total de € 32,1 milhões no mercado, sendo que a contratação mais cara foi de um reserva, Angelo Ogbonna, que veio do rival local, Torino, por € 13 milhões. O principal contratado, Carlos Tevez, do Manchester City, custou € 9 milhões e Fernando Llorente veio de graça do Athletic Bilbao. O mais curioso é que o time teve lucro na janela, já que recebeu € 36,75 milhões, com destaque para Alessandro Matri (foi para o Milan por € 11 milhões) e Emanuele Giaccherini (€ 7,5 milhões para o Sunderland).

O Milan gastou € 26,8 milhões no mercado, sendo € 11 milhões só no atacante Alessandro Matri e outros € 6 milhões em Cristian Zapata, que estava emprestado no clube e foi comprado em definitivo. A principal contratação do clube na janela, Kaká, veio de graça do Real Madrid. Andrea Poli, que veio da Sampdoria, chegou por € 3 milhões. E o time ainda vendeu Kevin-Prince Boateng por € 10 milhões.

A grande questão para os times italianos não é o valor pago por jogadores, mas sim seus salários. Clubes como Chelsea, Manchester City, Real Madrid, Barcelona, Paris Saint-Germain e agora o Monaco pagam fortunas aos seus jogadores, o que torna difícil a concorrência. Kaká, que ganhava cerca de € 10 milhões anuais no Real Madrid, aceitou ganhar € 4 milhões por ano para voltar ao Milan. Os mais bem pagos na Itália ganham por volta de € 6 milhões. Ibrahimovic, ex-Milan e Inter, ganha € 12 milhões no PSG.

Com sorte, é possível, mas ainda é improvável

Os três times italianos parecem muito abaixo dos principais favoritos da competição, mas considerando que é uma disputa de mata-mata e que o cruzamento no mata-mata é sorteio, não é um absurdo achar que um italiano pode ir longe. A Juventus, time mais forte do país, parece pronta a chegar a uma semifinal – foi eliminada nas quartas na temporada passada, atropelada pelo Bayern.

Com um cruzamento favorável, é possível ir até a semifinal – lembrem que há duas temporadas o APOEL, do Chipre, foi até as quartas de final. Nessa fase, seria preciso uma atuação épica, como o Chelsea contra o Barcelona em 2012 ou a Inter, também contra o Barcelona, em 2010.

É difícil, mas não é impossível. Afinal, o futebol é um esporte que gosta de surpresas. E não dá para subestimar camisas como a de Milan e Juventus e nem o bom time do Napoli. Sim, por que o futebol tem surpresas, mas também não dá para esperar que o Kobenhavn leve o título, porque aí já seria demais.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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