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Apesar da vontade de Milan e Inter de derrubar o San Siro, destino do estádio ainda não está selado

A candidatura da Itália para sediar os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026 venceu o pleito nesta segunda-feira, em evento do Comitê Olímpico Internacional em Lausanne, na Suíça. Presentes na ocasião, o CEO da Internazionale e o presidente do Milan anunciaram seus planos de demolir o histórico San Siro e construir um novo estádio no espaço em que hoje está o estacionamento do atual estádio dos clubes.

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A notícia rapidamente preocupou muitos amantes do futebol italiano, afinal, o San Siro é um ícone intrínseco da Serie A. Por mais que o papo já seja antigo e pareça estar ganhando cada vez mais força, cravar o fim da tradicional casa dos clubes de Milão ainda é prematuro.

Conforme foi amplamente disseminado, Paolo Scaroni, presidente do Milan, disse na Suíça que o San Siro seria demolido e que os clubes chegaram a um acordo pela construção de uma arena. A ideia, segundo vem noticiando a imprensa italiana, seria que os trabalhos de construção se encerrassem a tempo da temporada 2022/23, ao custo de cerca de € 700 milhões. “Teremos um novo San Siro ao lado do antigo, na mesma área da concessão. O antigo será derrubado e, em seu lugar, haverá novas construções”, explicou Scaroni à ANSA. CEO da Inter, Alessandro Antonello acrescentou que, “sim, absolutamente”, o estádio seria construído pelos dois rivais.

Entretanto, não cabe apenas aos clubes definir o futuro do San Siro. A prefeitura de Milão é a proprietária do estádio, tendo parceria com Inter e Milan para a sua utilização. E, segundo o prefeito Giuseppe Sala, em 2026, a tradicional casa do futebol na cidade ainda estará de pé.

“No dossiê de (candidatura) Milão-Cortina, garantimos que, em 2026, o San Siro ainda estará aberto, como de costume. Fim de história. Depois de 2026, decidiremos o futuro do San Siro caso exista um novo estádio. Mas, agora, estamos absolutamente convencidos de que este será o local para a cerimônia de abertura”, cravou Sala.

O prefeito de Milão reafirma a posição importante da cidade na tomada de decisões, afirmando que “somos os donos do estádio”. Ele também alerta que a construção de um novo estádio levaria bastante tempo, e não apenas alguns anos, já que incluiria outras construções ao redor.

“É óbvio que o novo estádio em si, se não tiver mais nada, não pode ser sustentado financeiramente. Você pode construir se fizer mais coisas ao redor: residências, prédios comerciais. Se os dois times apresentarem um projeto global, é impossível que possa ser feito em alguns anos. Eu gostaria de fazer as coisas amanhã mesmo, mas não vai acontecer. Preciso abafar o entusiasmo”, continuou Sala.

O prefeito reforçou que o dossiê de candidatura trazia o San Siro como palco da cerimônia de abertura e foi taxativo: “O San Siro é nosso. Portanto, irei mantê-lo aberto até 2026. Ouvirei os dois times, mas o estádio pertence à prefeitura, e a prefeitura mantém seu compromisso de manter o San Siro aberto até 2026”.

Um estádio renovado é uma necessidade já estabelecida de Inter e Milan para voltarem a brigar lá em cima no futebol italiano e também no cenário europeu. Alguns anos atrás, os clubes italianos começaram a se mexer para construir ou reformar seus estádios, em um processo de modernização já muito presente em diversos países e até sedimentado e basicamente encerrado em lugares como a Inglaterra e a Alemanha. A Juventus inaugurou sua arena em 2011, a Udinese renovou seu Estádio Friuli, e a Roma anunciou seu projeto e atualmente espera formalização para começar a construir sua nova casa. Nesse meio tempo, Milan e Inter ensaiaram projetos de estádios próprios, mas, por fim, parecem se encaminhar para um só novo estádio, novamente a ser dividido.

Por muito tempo, a opção de se renovar o San Siro foi explorada pelos dois clubes, mas eles queriam que isso fosse feito com ambos tendo a copropriedade do estádio. Em março deste ano, no entanto, o prefeito de Milão cravou que a cidade “não poderia perder” o estádio. Diante do impasse, avançaram com a ideia de se criar uma nova casa.

Por mais que, para ser competitivo financeiramente e, por consequência, esportivamente, seja imprescindível ter um estádio renovado e capaz de atrair grandes públicos com frequência, a escolha por abandonar um ícone do futebol italiano como o San Siro por uma nova arena está longe de ser unânime. O projeto novo sequer dá a cada um dos clubes a sua própria casa, e, visualmente, o San Siro é símbolo do futebol europeu e poderia ser renovado para manter sua arquitetura básica, mas se tornando mais funcional. As falas desta segunda-feira por parte dos dirigentes, no entanto, são apenas o início de uma novela com vários capítulos por vir.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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