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Ibra trocou muito de camisa, mas a do Milan ainda se destaca: “Maior clube pelo qual já joguei”

Você pode definir Ibrahimovic como o craque dos golaços. Como o dono das afirmações mais egocêntricas do mundo do futebol. Ou como uma exceção espontânea em meio a um oceano de jogadores de discursos pasteurizados. Todas essas facetas são subjetivas, mas uma outra é verificável: Ibra é o craque dos múltiplos clubes grandes, acumula um monte deles em seu currículo: Ajax, Juventus, Internazionale, Milan, Barcelona, PSG… Um deles, entretanto, se destaca do restante: o rossonero. Para o sueco, o “melhor clube pelo qual jogou”.

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Ouvir Ibrahimovic em entrevistas exclusivas ou ler declarações dadas pelo atleta em uma conversa particular com algum jornalista é quase sempre garantia de ótimas frases, e seu papo com a repórter Jennifer Wegerup, para a Gazzetta dello Sport, não foi diferente. Os temas abordados pelos dois foram diversos. As costumeiras afirmações narcisistas não puderam faltar, mas os pontos que mais chamaram atenção foram sua declaração em relação ao Milan e o detalhamento de como sua volta para os Rossoneri quase se concretizou antes do início da atual temporada.

“No último verão, houve uma ótima oferta do Milan. Se eu tivesse dito sim, o acordo teria sido fechado. Entretanto, não chegamos a esse ponto, já que não é o que eu queria. Porém, sou grato ao Milan. É o melhor clube pelo qual já joguei, e olha que joguei por muitos times importantes. Nenhum se compara a eles em termos de como trabalho ou de como são organizados, e tínhamos uma equipe fantástica”, relembra o craque, que garantiu que sua vontade era permanecer em Milão, mas se recusou a comentar o que exatamente causou sua saída da equipe ao fim da temporada 2011/12, quando, em crise financeira, o Milan precisava fazer caixa. “O San Siro, a cidade, as pessoas, a língua: tenho ótimas memórias. Sempre disse que a Itália é meu segundo lar, já que sempre fui feliz lá. Se fosse por mim, eu não teria saído. Isso já está no passado, agora que as coisas aconteceram como aconteceram. Agora tenho outros objetivos, no futebol e na minha vida”, limitou-se a dizer o sueco.

Ibrahimovic deixou os Rossoneri em 2012 para se juntar ao Paris Saint-Germain tornar o maior símbolo da nova era que o dinheiro do sheikh Nasser Al-Khelaïfi  inaugurava no Parque dos Príncipes. Nunca fugiu da responsabilidade de liderar tecnicamente a equipe e também não se escondeu do papel de comandante do grupo, ao lado de Thiago Silva. Sente-se orgulhoso do que fez ao lado dos companheiros: “Sinto como se fosse parte deste projeto desde o início. Tudo está mais fácil para quem quer que chegue agora. Com todo respeito ao clube, eu cheguei quando as coisas não funcionavam bem. Agora construímos um grande time.”

Apesar do discurso de trabalho em conjunto presente na afirmação anterior de Ibra, a repórter não precisou insistir muito para tirar do craque um aperitivo de sua principal faceta. Perguntado se se considera um líder, respondeu que “não importa o que seja dito ou escrito, só há um chefe no PSG”.  E ele é Zlatan Ibrahimovic? “Sim, é claro.”

Relembre os gols de Ibra pelo Milan:

O craque do PSG já falou sobre o assunto em diversas oportunidades, mas, diante da confiança nas palavras do sueco, a repórter teve que perguntar de onde vinha aquela sua personalidade. Zlatan explica: “Parte dela é por causa do meu caráter, outra é por causa da minha infância difícil. Quando eu era pequeno, tinha que ser dez vezes melhor que todos. Ninguém nunca me deu qualquer coisa. Mesmo os meus anos na Juventus foram importantes (para a formação de sua personalidade), já que havia grandes estrelas, como Alessandro Del Piero e David Trezeguet, e eu sempre dizia que eu era como eles. Sempre quis estar sob os holofotes, nunca quis ser ofuscado pelos outros. Posso dizer que consegui isso”.

Aos 34 anos, Ibrahimovic, que já disse não querer seguir jogando quando estivesse velho, ainda se sente capaz de render em alto nível: “Tudo pode acontecer. Sinto-me bem e estou jogando bem. Veremos como as coisas serão daqui a um mês ou daqui a seis meses. Estou em forma e vou continuar jogando enquanto sentir que posso contribuir”. A Major League Soccer poderia ser uma alternativa para seus anos finais de carreira? “Tenho minhas ideias e sei o que quero, mas é preciso dois lados para ter um acordo.”

Tendo contrato com o PSG apenas até o fim desta temporada, Ibra já pensa em seus próximos passos. Com tranquilidade e mantendo as questões esportivas acima de outras como a cidade ou a qualidade de vida que teria em cada possível destino, embora esses pontos permeiem mais sua mente do que há alguns anos: “Tomarei minha decisão pensando como um jogador de futebol”.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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