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Diga “presente!”

Colocada sob desconfiança por causa do investimento nulo na montagem do elenco na pré-temporada, a Lazio somou resultados interessantes nas primeiras rodadas do Campeonato Italiano. Parecia faltar uma prova de fogo, que colocasse em jogo a maturidade do elenco tão bem comandado por Vladimir Petkovic. A vitória contra o Milan, por 3 a 2, na última rodada, era o que a equipe da capital precisava.

Muito além do resultado, o confronto serviu para provar a força da defesa da terceira colocada do campeonato, apenas quatro pontos atrás da líder Juventus. Enquanto a formação titular da última linha de marcação da Lazio esteve em campo, o Milan não teve grandes oportunidades. Pazzini inexistiu, Boateng fracassou, o apoio dos laterais foi pífio. Com Konko, Biava, André Dias e Lulic no 4-1-4-1 laziale, a equipe ainda não sofreu gols. O quarteto enfrentou Atalanta, Palermo, Pescara e Siena, além do time rubro-negro.

Com defesa sólida, a Lazio não encontrou muitos problemas para controlar a partida e liderar o jogo por 3 a 0, aos três minutos do segundo tempo. O caldo só arriscou entornar quando Cavanda entrou no lugar de Mauri e o bósnio Lulic foi jogar no meio-campo. A entrada lateral belga coincidiu com o pior momento laziale da partida e o próprio atleta demonstrou sérios problemas de concentração, como é habitual.

E é esse o calcanhar de Aquiles da Lazio. Com os 11 titulares em campo, os aquilotti conseguem defrontar em patamar de igualdade qualquer rival italiano, talvez com exceção à Juventus. O problema está no banco. Entre todos os habituais reservas, não há ninguém capaz de assegurar pouca queda de qualidade. Do goleiro Bizzarri ao instável Zárate, as opções são fracas e, em um torneio longo, podem contar pontos contra uma campanha de 38 rodadas — sem contar os jogos da Liga Europa e da Copa da Itália.

Por causa dessas deficiências, Petkovic só escalou 23 atletas nas 12 partidas da temporada até agora. Os ex-capitães Rocchi e Zauri nem sequer chegaram a estrear na temporada. Com menos opções, alguns jogadores acabaram sobrecarregados. Menos mal que o principal deles seja o brasileiro Hernanes, único utilizado pelo treinador em todos os jogos.

Hernanes, aos 27 anos, vive a melhor fase da carreira desde que assinou contrato com a Lazio. Nos oito jogos pela Série A, marcou cinco vezes e deu assistência para dois gols, atuando como um “falso meia-atacante”, se é que a literatura tática permite a existência dessa função. Na linha de quatro armadores, o brasileiro aproveita o vigor físico de González para ganhar liberdade. Mas ele também recua para marcar e, bem posicionado, consegue interceptar muitas bolas.

Quando a Lazio tem a posse de bola, Hernanes vira o maestro da companhia. Dribla muito bem e trata a bola com cuidado, seja nos lançamentos, nos chutes de longa distância ou nos passes perfeitos na entrada da área. Entre os titulares do time, aliás, ninguém tem melhor aproveitamento no passe (89,3%), ninguém finaliza mais a gol (3,8 por jogo), ninguém dribla mais do que ele (2,9). Mas Hernanes não está só. As presenças de Candreva e Klose têm sido essenciais para o assédio do time da capital ao título italiano. Se será suficiente, são cenas dos próximos capítulos.

Pallonetto

– Seleção Trivela da 8ª rodada: Gillet (Torino); Rosi (Parma), André Dias (Lazio), Ranocchia (Inter) e D’Ambrosio (Torino); Pirlo (Juventus), Hernanes (Lazio) e Nainggolan (Cagliari); Cassano (Inter), Amauri (Parma) e Osvaldo (Roma). Treinador: Petkovic (Lazio)

– O zagueiro Bonucci, da Juventus, agrediu um assaltante que tentou tomar dele um relógio, na porta da loja em Turim da Ferrari. Estava com os filhos e arriscou a integridade deles. Se quer ser xerife, que demonstre em campo.

– Em um jogo contra o Livorno, pela Série B, parte da torcida do Hellas Verona insultou o ex-jogador Morosini, morto em campo em abril. O presidente da Lega Serie B, Andrea Abodi, disse que “é fácil demais punir o time” pela descortesia. Que os animais, então, sejam devidamente identificados e expulsos da vida esportiva do clube.

– Na vitória da Juventus sobre o Napoli, por 2 a 0, aconteceu de muito um pouco. Um jornalista da televisão estatal foi suspenso por racismo, um membro da comissão técnica napolitana estapeou um segurança, torcedores juventinos atiraram moedas e pedaços de vidro no grupo rival, que revidou jogando garrafas cheias de urina. Em campo, a Velha Senhora chegou a 47 jogos de invencibilidade.

– A derrota para a Lazio pode ter selado o destino de Massimiliano Allegri no comando do Milan. Há quem diga que o treinador só não acabou demitido porque não há ninguém pronto para o lugar dele. O próximo comandante rubro-negro provavelmente será um ex-jogador do clube.  Tassotti? Costacurta? Inzaghi?

– Desconsiderando atletas lesionados, dá para montar um time de jogadores que — alguns até de forma surpreendente — ainda não entraram em campo pela Série A: Julio Sergio (Roma); Stankevicius (Lazio), Camporese (Fiorentina), Bruno Uvini (Napoli) e Gabriel Silva (Udinese); Matuzalém (Lazio), Palombo (Sampdoria) e Krhin (Bologna); El Kaddouri (Napoli), Rocchi (Lazio) e Iaquinta (Juventus). Boas oportunidades para janeiro.

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