Senhora coadjuvante
/https%3A%2F%2Ftrivela.com.br%2Fapp%2Fuploads%2Fhttps%3A%2F%2Ftrivela.com.br%2Fapp%2Fuploads%2F2010%2F09%2Fimg_11365_del-piero-capitao-da-uve-durante-jogo-contra-a-sampdoria.jpg)
O domingo tinha tudo para ser perfeito no grupo Fiat. Em Monza, Fernando Alonso venceu o Grande Prêmio da Itália de Fórmula 1, acendendo as esperanças de mais um título mundial de pilotos para a Ferrari. Só faltava a Juventus fazer sua parte e vencer a Sampdoria no Olímpico de Turim, em sua primeira apresentação diante da torcida na Serie A. Era fundamental dar um sinal importante após a péssima impressão deixada na derrota para o Bari. Desta vez, a Juve não fez um mau jogo, pelo menos ofensivamente, mas nem por isso o resultado foi satisfatório: empate por 3 a 3, que deixa a Vecchia Signora com apenas um ponto em seis possíveis na tabela.
Apesar de o time ter mostrado algum potencial, o técnico Luigi Del Neri se apressou em dizer que não se deve esperar que a Juventus brigue pelo título, por considerar que outras equipes estão melhor preparadas para a disputa. De fato, não é simples sair de um sétimo lugar decepcionante como o da última temporada para lutar pelo scudetto, mas quem coleciona 27 títulos (mais dois cassados) normalmente não se contenta em ser coadjuvante. É como se a Ferrari iniciasse uma temporada afirmando que não lutará para ser campeã. Ela pode até ter um carro inferior no papel, mas trabalhará para minimizar a distância para os melhores e entrar na briga.
Del Neri não mente ao afirmar que há times em melhores condições – basta olhar para o que Inter e Milan, e até a Roma, têm à disposição neste momento. No entanto, sua declaração soa mais como uma tentativa de diminuir a pressão sobre o time e ganhar tranquilidade para trabalhar sem olhar tanto para a tabela. Afinal, a Juve montou uma equipe praticamente nova. No empate com a Samp, seis titulares (Storari, Bonucci, Krasic, Motta, Pepe e Quagliarella) foram contratados para esta temporada, além de Aquilani, que entrou no segundo tempo. E mesmo assim, há algumas lacunas no elenco, como por exemplo a falta de um centroavante (por isso fala-se em uma tentativa por Benzema em janeiro) e de um lateral-esquerdo de alto nível (De Ceglie é fraco e a alternativa Traoré já se lesionou).
A partida de domingo foi bastante agradável para o espectador, mas evidenciou a falta de equilíbrio defensivo nas duas equipes. O último trabalho de Del Neri contra o atual. Em campo, as duas equipes tinham apenas um volante marcador de ofício: Felipe Melo, pela Juventus, e Palombo, pela Samp. O 4-4-2 da Juve mais parecia um 4-1-3-2, em função do posicionamento avançado de Marchisio. Alternativa até válida, já que Marchisio mostrou dificuldades quando teve de atuar alinhado a outro volante, mas delicada para o balanço da equipe. O maior motivo para satisfação dos bianconeri foi a ótima participação de Krasic e Pepe pelos lados. Ambos foram estranhamente substituídos a quinze minutos do fim.
Na retaguarda, há muito a corrigir. De Ceglie desta vez foi pouco exigido, diante do 4-3-1-2 da Sampdoria que não previa nenhum jogador caindo por aquele setor. No entanto, Motta levou um baile de Cassano, em um duelo torturantemente desequilibrado. E se a ausência de Pazzini parecia uma boa notícia para os centrais da Juve (e da seleção italiana), Bonucci e Chiellini não foram capazes de domar Pozzi, autor de dois gols.
A Juventus desperdiçou a vantagem no placar por duas vezes jogando em casa, o que torna natural a insatisfação. Olhando para as duas primeiras rodadas, no entanto, os bianconeri verão que Milan e Roma já perderam jogos, enquanto a Inter, apesar de ainda invicta, não joga bem. Apesar do discurso modesto, quem se acertar primeiro pode arrancar. E Del Neri sabe disso.