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Sem recurso: Robinho é condenado em última instância na Itália por caso de violência sexual

Robinho e amigo Ricardo Falco são condenados a nove anos de prisão por violência sexual, em caso de 2013

O atacante brasileiro Robinho, de 37 anos, foi condenado por violência sexual em grupo na Itália, em caso que aconteceu em 2013. Nesta quarta-feira, a Corte de Cassação da Itália, última instância do sistema judiciário do país, condenou o jogador a nove anos de prisão pelo caso de violência sexual contra uma mulher albanesa, em uma boate de Milão. Na época, o jogador atuava pelo Milan. O jogador foi condenado em duas instâncias anteriormente. Por ser a última instância, não cabe mais recurso do jogador e a execução da pena é imediata.

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A Justiça Italiana pode pedir a extradição de Robinho para o cumprimento da pena, mas a Constituição brasileira impede extradição de seus cidadãos para o exterior. A sentença do jogador será proferida na Itália em até 30 dias. Caso a Itália emita um pedido internacional de prisão, Robinho pode ser preso se sair do Brasil, já que a Constituição brasileira só se aplica, obviamente, no Brasil.

Um dos argumentos da defesa de Robinho, feita por Franco Moretti, foi tentar trazer à tona uma prova que não foi aceita na segunda instância: um dossiê sobre a vítima que mostrava fotos das suas redes sociais com pouca roupa ou consumindo álcool. A tentativa, claro, era desqualificar o seu depoimento. O pedido não foi aceito e o jogador foi condenado.

Segundo o relato da vítima, ela foi embriagada e abusada sexualmente por seis homens enquanto estava inconsciente. Os acusados dizem que as relações sexuais foram todas consensuais. A vítima acompanhou o julgamento no tribunal. Na época, ela tinha 23 anos e completará 32 nesta semana. Além de Robinho e Ricardo Falco, outros quatro brasileiros podem ter os processos contra si reabertos, especialmente após a condenação dos dois primeiros.

O ge.globo teve acesso em outubro de 2020 a interceptações realizadas pela Justiça italiana contra Robinho e seus amigos, com escutas instaladas no carro do jogador que mostram declarações bastante incriminatórias. Também em outubro de 2020, Robinho deu uma entrevista ao UOL admitindo a relação sexual, mas negando que tenha sido estupro, menos ainda coletivo.

As gravações foram transcritas e se tornaram provas. A primeira condenação do jogador aconteceu em novembro de 2017, quando Robinho atuava pelo Atlético Mineiro. Como houve recurso de Robinho, houve o julgamento de segunda instância em dezembro de 2020, quando novamente Robinho foi condenado. Com novo recurso, o caso foi para a última instância, julgada nesta quarta-feira.

Segundo o repórter Marcelo Courrege informou ao vivo de Roma no SporTV, é possível que a condenação seja cumprida no Brasil por um acordo legal entre os dois países, mas o processo é moroso. Ainda que seja rara, é uma possibilidade que os advogados da vítima pretendem tentar.

Robinho deixou o Milan, clube que defendia na época da acusação, em 2014. Voltou ao Brasil para defender o Santos, seu clube de formação. Em 2015, o jogador foi para a China, no então Guangzhou Evergrande. O jogador voltou da China para atuar no Atlético Mineiro, em 2016, e jogou até o final de 2017 pelo clube.

Em 2018, foi para a Turquia jogar pelo Sivasspor e disputou a temporada 2018/19. Em 2019/20, foi contratado pelo Istambul Basaksehir. Acertou a sua volta ao Santos em 2020, mas a pressão na imprensa, dos patrocinadores e dos torcedores fez o clube desistir do negócio. Ele não voltou a atuar profissionalmente desde então.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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