Rafa, é crise
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A maior satisfação da última semana para o presidente da Internazionale, Massimo Moratti, foi ver José Mourinho responder a uma provocação da torcida do Milan. O técnico português, muito vaiado ao entrar no gramado de San Siro, mostrou ao público rossonero três dedos – referência aos títulos conquistados na última temporada. O problema para Moratti é que Mourinho hoje é o técnico do Real Madrid, que vai muito bem, obrigado. E a Inter, nas mãos de Rafa Benítez, vive um princípio de crise.
Habitualmente ponderado nas declarações, o presidente nerazzurro foi duro ao comentar a atuação da equipe na derrota por 3 a 1 para o Tottenham, em Londres, pela Liga dos Campeões. Moratti questionou a dificuldade em lidar com Bale, que não era exatamente um desconhecido após marcar três vezes nos 4 a 3 da Inter em Milão, e ainda assim só não fez chover em White Hart Lane, expondo Maicon ao ridículo. Mais do que isso, apontou a falta de garra do time para um jogo tão importante e deixou no ar uma pergunta sobre a razão do alto número de lesionados no elenco.
No fim de semana, a Inter contou com a ajuda da arbitragem, que inventou um pênalti, para empatar por 1 a 1 com o Brescia e manter sua invencibilidade caseira na Serie A que dura desde 2008. E o adversário vinha de cinco derrotas consecutivas.
A escalação foi uma das mais esdrúxulas da Inter nos últimos anos: um 4-4-2 com Coutinho e Pandev como externos e Zanetti e Sneijder no centro. Ou seja, dos quatro, Zanetti – que não é mais um garoto – era o único com características de marcação. Mesmo com todos os desfalques, uma formação irracional. Não é preciso ser um gênio para intuir que o Brescia, apenas esforçado, engoliu a Inter no setor.
Para piorar a situação, Maicon saiu machucado ainda no primeiro tempo, devendo ficar fora por até três semanas. Mais grave seria a lesão de Samuel, que rompeu ligamentos do joelho e está fora do restante da temporada. Baixas que vão “reforçar” uma enfermaria que já contava com Júlio César, Thiago Motta, Mariga, Muntari e Cambiasso. Não pode ser apenas coincidência, e sim culpa de uma preparação física equivocada.
A Inter marcou apenas 12 gols em dez rodadas. É o pior ataque entre os cinco primeiros colocados, separados na tabela por apenas quatro pontos. O desempenho ofensivo dos nerazzurri não é tão ruim nesta altura do campeonato desde a temporada 2000/01, com Marcello Lippi. E se não fosse pelo momento inspirado de Eto’o, podia ser ainda pior.
Credenciada como favorita absoluta pelo elenco forte e por ter conquistado tudo na última temporada, a Inter começa a dar razões para acreditar cada vez mais em uma disputa equilibrada pelo título. Milan e Juventus podem, sim, ter esperanças. E neste fim de semana há o dérbi em San Siro, depois da rodada de quarta-feira. Um jogo que já ganha ares de decisão.
Obviamente, uma vitória no clássico apagaria qualquer princípio de incêndio. Mas os problemas da equipe não se resolverão em um passe de mágica. Dezembro está chegando, e com ele o Mundial de Clubes da Fifa, que pode coroar o melhor ano da história do clube. Neste momento, quem esfrega as mãos é o Internacional de Porto Alegre.