Itália

Pirlo diz que não mudará convicções “porque alguns resultados não foram bons” em sua experiência na Juventus

O ex-jogador de 42 anos assumiu a Juventus (antes do esperado) e conduziu uma temporada acidentada durante a pandemia antes de ser trocado por Allegri

A primeira experiência de Andrea Pirlo como treinador principal começou antes do esperado. Havia sido contratado à base da Juventus e foi imediatamente promovido após a saída de Maurizio Sarri. A as condições da temporada, disputada inteira durante a pandemia, sem torcedores, com calendário apertado, viciaram um pouco a amostra, mas os resultados não foram ideias. Durou apenas um ano, antes do retorno de Massimiliano Allegri.

Em entrevista ao The Athletic, Pirlo tocou em alguns assuntos, mas o foco principal foi o que tirou da primeira experiência acidentada como técnico, em que foi campeão da Copa Itália e conseguiu boas vitórias, mas também acabou eliminado nas oitavas de final da Champions League pelo Porto e correu o risco de não se classificar à Champions League – sem falar que perdeu a sequência de nove títulos seguidos da Juventus.

No geral, faltou consistência, mas Pirlo não acredita que precise mudar as suas convicções, muito bem detalhadas em uma tese de conclusão de curso, em que defende a manutenção da posse de bola, a recuperação rápida, o controle, a imposição e o jogo ofensivo. “Eu aprendi bastante”, disse. “Foi minha primeira experiência como técnico, mas foi muito intenso porque começamos a temporada com apenas um amistoso. Foi tudo muito rápido. Jogamos a cada três dias, sem torcedores, sem conseguir se recuperar e sem conseguir treinar e preparar para o próximo jogo. Foi difícil tentar algo novo. A recuperação era o mais importante”.

“Não mudarei (suas convicções) porque alguns dos resultados não foram bons. É o que eu ainda penso sobre o jogo – construir da defesa, tentar manter a bola, recuperar a posse o mais rápido possível. Muito depende dos jogadores que você tem disponíveis e o que eles permitem que você faça. Os jogadores são muito mais importantes do que os técnicos. São os treinadores que precisam se adaptar”.

“Eu poderia ter feito mais e, quando você não consegue alguns resultados, o primeiro responsável é o técnico. Preciso trabalhar para melhorar. Foi ano em que tive muito crescimento pessoal”, completou.

Pirlo agora pensa no próximo passo e vê com bons olhos trabalhar fora da Itália. Como na Major League Soccer, por exemplo, na qual passou os últimos anos da sua carreira e que tem sido uma plataforma para formação de técnicos.

“Eu gostaria de ir para fora. Passei três anos nos EUA, então não tenho problemas com inglês e falo francês também. Sinto que posso ir para qualquer lugar”, disse. “(A MLS) é uma grande liga. Eu vejo muitos treinadores indo à MLS de outros países. Tive a sorte de jogar lá. Você viu o que o time masculino fez na Copa Ouro (campeão contra o México com um time de jovens), então eu diria que o jogo norte-americano está começando a decolar. Muitos estão jogando pelos melhores clubes do mundo – Juve, Barcelona, Chelsea. Se estão jogando nesse nível, é um indicativo do seu potencial”.

“Estou pronto para embarcar em uma nova aventura”, terminou.

Sobre a Serie A, com a maior média de gols das cinco grandes ligas

“Você tem esses técnicos jovens que querem tentar algo diferente. Para mim, o futebol está indo nessa direção. Guardiola mostrou isso nos últimos anos. Se você não controlar o jogo, será difícil pensar em vencê-lo. Claro, pode haver momentos em que você tem 90% de posse de bola e deixa entrar o único chute que o seu adversário teve no alvo, mas eu prefiro perder dessa maneira do que passar o jogo inteiro defendendo minha própria área, tentando marcar no contra-ataque”.

Sobre Weston McKennie, meia norte-americano da Juventus

“Ele é jovem e pode melhorar muito. Na minha opinião, ele é um meia que pode jogar como número 8 em um meio-campo com três, pela direita ou pela esquerda. Ele entra na área e faz gols, mas ele também é muito bom em recuperar a bola. Seu papel é em um meio-campo com três como um dos dois jogadores ao lado do regista. Ano passado, jogamos em um sistema diferente, então ele teve que se adaptar”.

Sobre Kalvin Phillips, o Pirlo de Yorkshire

“É verdade. A Inglaterra nunca teve esse tipo de jogador (o regista). Teve grandes meias ao longo dos anos, mas com habilidades diferentes. Tem esse garoto do Leeds, que é um pouco regista…. mas somos um pouco diferentes. Ele não têm as mesmas características que eu. A Inglaterra sempre teve meias box-to-box, como Frank Lampard”.

Título da Itália na Euro 2020

“Não há alegria maior do que vencer pela seleção. Mancini fez um grande trabalho. O time tem uma identidade clara e quase joga como se fosse um clube. Eles sabiam o que fazer desde o começo”.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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