Os reis do Sul
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O confronto entre Napoli e Palermo, encerrando a 15ª rodada da Serie A, desenhava-se como o duelo pela condição de principal força do sul italiano na corrida por uma vaga na próxima Liga dos Campeões. A partida só foi decidida no minuto 50 da segunda etapa, graças a uma bela ação coletiva concluída por Maggio, mas o placar foi plenamente justo pelos esforços do Napoli, que dominou as ações e poderia ter vencido antes. Apenas o ótimo goleiro Sirigu foi capaz de manter o time rosanero no jogo por mais tempo.
Foi a quinta vitória do time de Walter Mazzarri nos últimos sete jogos. Com 27 pontos, os partenopei estão empatados com a Juventus, terceira colocada, e quatro acima da Internazionale, que ocupa apenas a quinta posição e está fora da zona de classificação para a LC. Disputar a Champions pela primeira vez desde a Era Maradona é uma obsessão do presidente Aurelio De Laurentiis desde que assumiu o controle do clube, e a possibilidade parece ser mais realista do que nunca.
Aquele que se desenhava como um confronto equilibrado, de dois fortes tridentes ofensivos – Hamsik, Lavezzi e Cavani, pelo Napoli; Pastore, Ilicic e Miccoli, pelo Palermo – acabou se transformando em um duelo de gato e rato por causa da postura dos visitantes. O técnico Delio Rossi mudou a formação habitual, adotando um esquema 3-4-2-1 que em tese deveria espelhar o utilizado pelo Napoli desde o início da temporada. No entanto, o posicionamento em campo foi bem diferente, de forma que o goleiro De Sanctis praticamente não fosse incomodado.
Em teoria, a formação do Palermo com três zagueiros deveria dar liberdade aos laterais Cassani e Balzaretti, mas não foi o que se viu em campo: ambos pouco passaram do meio-campo. Pastore, que deveria ser a luz do trio ofensivo, não conseguiu brilhar no campo de Maradona. Além da dificuldade em receber apoio dos companheiros, ainda sofreu com o ótimo trabalho de marcação de Pazienza, designado exclusivamente para impedir o ex-Huracán de jogar. Ilicic e Miccoli também perderam seus duelos individuais contra Grava e Paolo Cannavaro, respectivamente.
O Napoli foi mais competente em tirar as referências da defesa adversária com uma boa movimentação no ataque, sobretudo nas trocas de posição entre Hamsik e Cavani, aproveitando as características do uruguaio, que sabe sair da área para jogar. O uruguaio, aliás, tem sido o homem a mais deste time, oferecendo um rendimento superior ao de Quagliarella na última temporada. Já tem 9 gols no campeonato, dividindo a artilharia com Eto’o e Di Natale.
Além das questões táticas, o Napoli soube usar a seu favor o calor do público no estádio San Paolo, que, notando o esforço da equipe, apoiou até o último momento. Com a atmosfera certa, é um dos campos mais temíveis da Itália. Foi a terceira vitória consecutiva em casa, depois de um começo irregular, com apenas um triunfo nos quatro primeiros compromissos como mandante.
Quando Sirigu parecia um muro insuperável, Hamsik deu o lançamento preciso para Cavani, que, na linha do último defensor, deu a assistência precisa para Maggio concluir para o gol, enfim, aberto. Para o ala-direita, foi um momento importante, já que seu rendimento estava longe daquele que o levou à seleção italiana na Copa do Mundo. A recuperação do camisa 11 será fundamental para que o Napoli continue evoluindo em busca de seus objetivos.
Curiosamente, o Palermo foi “punido” por tentar ganhar tempo no final com a substituição de Ilicic por Pinilla. O árbitro Morganti, que havia dado quatro minutos de acréscimos, permitiu mais meio minuto de jogo. Resultado: o gol decisivo saiu aos 49 minutos e 17 segundos. Castigo justo para quem precisa controlar as oscilações (quatro vitórias e quatro derrotas nos últimos oito jogos) para se manter vivo na corrida pela Europa que vale.