Itália

O irmão bom de Felipe

No início de julho, torcedores da Juventus e da Seleção Brasileira tinham algo em comum: o desprezo por Felipe Melo. Plenamente justificado, é bom que se diga. O volante havia feito uma temporada abaixo da crítica na Vecchia Signora, com futebol pobre e temperamento explosivo. No Mundial, não foi surpresa para ninguém quando ele deu um pisão em um adversário caído e praticamente matou as possibilidades de uma virada sobre a Holanda no jogo das quartas de final, que selou a volta para casa dos comandados de Dunga (que deveria ter interpretado melhor o mau momento e buscado outra alternativa). Transformou-se no símbolo daquele fracasso, mais ainda que o próprio Dunga em 1990.

Naquele momento, seria difícil imaginar uma volta por cima. Mas três meses se passaram e o Felipe Melo que se vê hoje parece um jogador renascido. A Juventus poderia ter jogado o brasileiro para escanteio, como fez com Diego, de salário mais alto, mas optou por apostar nele e tentar justificar os € 25 milhões gastos no ano passado para tirá-lo da Fiorentina. Por alguma razão, Luigi Del Neri estava convencido de que Melo seria importante para o funcionamento do seu 4-4-2. E por enquanto vai ganhando a aposta.

A boa vontade da nova direção juventina, na figura do diretor Giuseppe Marotta, e a disposição da torcida em abraçar o novo time foram fundamentais para que Felipe sentisse a confiança do ambiente bianconero. Dentro de campo, procura fazer o simples, de forma quase operária, ajudando a dar sustentação a um sistema defensivo que começou cambaleante e levantando muitas dúvidas. No esquema da Juve, Melo atua ao lado de Aquilani, jogador mais criativo, fundamental na manutenção da posse de bola. A capacidade de desarme e saída para o jogo do brasileiro é, portanto, indispensável.

Evidentemente, a temporada está apenas no início, mas este é o jogador que encantou no Almería, sob o comando de Unai Emery, e na Fiorentina, com Cesare Prandelli. O principal desafio, agora, é evitar recaídas. Recuperar a autocrítica que havia sido perdida, não confundir vontade com violência e não achar que a recuperação do prestígio, pelo menos na Itália, seja a senha para começar a inventar demais com a bola nos pés. No jogo de domingo contra a Internazionale, houve um bate-boca com Lúcio em um lance na área, mas é possível interpretar como coisa de jogo.

Por enquanto, não há excessos. Na partida contra o Cagliari, em Turim, após a partida o volante recebeu como presente do árbitro Christian Brighi seu cartão amarelo, com uma dedicatória “ao irmão bom de Felipe”. Uma brincadeira sobre o surpreendente temperamento sereno do brasileiro, que não precisa se sentir perseguido. Como qualquer outro, será elogiado quando houver razões para elogiar.

A Juventus, como um todo, tem dado sinais de crescimento desde o vexame em casa contra o Palermo. Em uma semana de fogo, os empates fora de casa com Manchester City (pela Liga Europa) e Inter mostraram evolução sobretudo na parte defensiva. Em Milão, a Juve teve pela frente Eto’o, o homem em melhor forma neste início de campanha, e saiu com a meta intacta. No ataque, criou tantas oportunidades quanto os rivais, em um jogo que terminou 0 a 0, mas poderia perfeitamente ter sido 1 a 1 ou 2 a 2.

Todo mundo já sabe que Krasic é o homem a mais desta Juve, pela capacidade de criação e conclusão das jogadas pela direita. Contra a Inter, o time praticamente só atacou por aquele setor (Marchisio, escalado na esquerda, tinha de se preocupar em limitar Maicon) e ainda assim foi constantemente perigoso, levando Chivu à loucura.

A falta de um centroavante goleador e de melhores laterais ainda pode custar caro à Vecchia Signora, mas as últimas aparições serviram de alento. Um vexame como o da temporada passada dificilmente se repetirá. No mínimo, a Champions pode esperar.

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Equipe Trivela

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