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No dia em que Sócrates faria 61 anos, assista a um documentário sobre o legado do Doutor

A Itália marcou a carreira de Sócrates por duas vezes. E de maneiras que o Doutor certamente gostaria de sentir diferente. Esportivamente, o peso daquela partida contra a Azzurra na Copa de 1982 é inenarrável para toda uma geração. Por mais que o camisa 8 tenha sido um dos melhores em campo na denominada Tragédia do Sarriá. Ao lado de Falcão, dominou o meio-campo e criou ótimas oportunidades ao ataque. Em uma delas, abriu o placar. Arrancou do campo de defesa e, a partir do passe de Zico, encontrou o atalho até a área que nenhum outro italiano percebeu. Chutou no único canto desprotegido por Dino Zoff. Aquele gol e suas jogadas, porém, foram insuficientes no dia de Paolo Rossi.

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A mesma Itália que impediu Sócrates de sua maior glória também lhe serviu de refúgio. A campanha das Diretas Já perdeu no Congresso e ele cumpriu a promessa de sair no país. Foi atrás da cultura secular de Florença, mas não jogou tão bem na Fiorentina. Sobretudo, porque não era feliz. “Foi triste. Muito triste. Sou brasileiro até no nome. Fiquei um ano, não aguentei e vim embora. É triste morar fora, uma vida ruim. Quem não assimila isso não consegue transformar a sua atividade em arte. O espírito aqui no Brasil tem ligação com liberdade, independência, criatividade. Ao contrário do europeu, que é quadrado, planejado, não consegue se mexer. É uma sociedade velha” afirmou à extinta Revista Invicto, em 2010.

O legado de Sócrates, no entanto, é bem maior do que as suas frustrações italianas. Afinal, a mensagem de liberdade que ele transmitiu se arraigou no Brasil. O rebelde do futebol que, acima disso, também era um craque. E que passou a ser admirado nos diferentes sentidos em diversas partes do mundo. Inclusive na Itália, que o viu como grande ameaça no Sarriá e teve o gosto de conhecer um pouco melhor o Doutor em Florença. Que o aplaude tanto quanto os brasileiros.

Se ainda estivesse vivo, Sócrates completaria 61 anos nesta quinta-feira. E a nossa homenagem se dá através de um ótimo documentário produzido pela RAI no ano passado, que reconta sua carreira e suas visões. O áudio é em italiano, e não há legendas. Ainda assim, mesmo para quem não entende a língua, vale captar um pouco do respeito que o craque recebeu no país.

E, para quem nunca teve oportunidade de ver, a atuação de Sócrates contra a Itália em 1982.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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