Itália

Meio cheio ou meio vazio?

 Tomando como base a preparação da Itália para a Copa do Mundo e as más expectativas criadas, é necessário admitir que a atuação no empate por 1 a 1 com o Paraguai, na Cidade do Cabo, foi satisfatória. A Azzurra conseguiu evitar a derrota contra o adversário mais difícil do grupo, e jogou o suficiente para que uma eventual vitória fosse merecida. O problema é a razão para a vitória não ter chegado: o time não tem jogadores capazes de decidir.

Esta coluna tem insistido na crítica à convocação de Lippi, que abriu mão de jogadores como Totti, Cassano e Balotelli em razão do decantado “espírito de grupo”, exatamente por saber que eles seriam a cereja do bolo para um time que se mostrou inquestionavelmente dedicado e aplicado. Desde o primeiro minuto, não faltou empenho e nem consciência tática para a Itália, que pressionava no campo de ataque, roubava a bola e saía com velocidade. O Paraguai praticamente não assustava.

A boa impressão durou por pouco mais de meia hora, mas a defesa, que no título de 2006 só levou um gol contra e um de pênalti em toda a campanha, entregou o ouro. Emblemático que o erro tenha sido de Cannavaro, que não saiu do chão para impedir a cabeçada de Alcaraz, mostrando que, apesar de seu senso de posicionamento permanecer muito bom, a questão física não permite que o desempenho seja o de outros tempos.

A opção por deixar Di Natale no banco de reservas é difícil explicar, assim como a manutenção de Marchisio na linha avançada de meio-campo no esquema 4-2-3-1, considerando que o desempenho do juventino nos testes pré-Copa na função foram insatisfatórios. Iaquinta é justificável no grupo, mas não como titular no início do Mundial, considerando a temporada fraca que teve na Juventus.

Montolivo, como parceiro de De Rossi na linha mediana, não decepcionou, mas perdeu a chance de fazer a diferença ao desperdiçar um lance em que sobrou livre com a bola no ataque.

Depois de sofrer o gol na primeira chance clara dos paraguaios, a Itália teve mais dificuldades e voltou para a segunda etapa sem mudar nomes, mas com o esquema tático modificado: 4-3-3, com a inversão de Pepe e Iaquinta, colocando o primeiro na esquerda, e De Rossi recuado em relação a Montolivo e Marchisio, que passaram a jogar em linha.

O isolamento e a apatia de Gilardino na área se mantiveram, e o gol só saiu graças ao presente do goleiro Villar, que não cortou o escanteio cobrado por Pepe na pequena área e permitiu que De Rossi marcasse. O Paraguai, que levantava as mãos para o céu pela vitória, se agarrou ao empate e praticamente abdicou do ataque. Mas a Itália só melhorou com nova mudança tática promovida por Lippi.

Na formação 4-4-2, Iaquinta passou a jogar no ataque, ao lado de Di Natale, substituto de Gilardino, enquanto Pepe e Camoranesi, que entrou na vaga de Marchisio, ocuparam os flancos do meio-campo. Novamente, porém, a falta de um jogador capaz de decidir frustrou a Azzurra, que foi obrigada a se dar por satisfeita com o empate.

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Equipe Trivela

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