Maldini recusa cargo em nova diretoria do Milan, que fica sob ainda mais desconfiança
Os novos donos chineses do Milan tiveram a ideia de contratar um grande nome da história do clube para fazer parte da sua gestão, Paolo Maldini, um símbolo de um Milan vencedor ao longo de mais de duas décadas. O problema é que o ex-jogador pediu vários esclarecimentos e se sentiu sem ter poder de decisão em uma estrutura onde ele se viu como um mero símbolo, algo que ele discorda.
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Em agosto, a Fininvest, dona do Milan – e do ex-premiê italiano Silvio Berlusconi – chegou a um acordo para vender 99,93% das ações do clube para a Sino Europe Sports, grupo chinês, por € 520 milhões, além do pagamento de débitos de € 220 milhões. O acordo, porém, ainda está sob forte desconfiança e não foi completado. Foi feito o pagamento inicial de € 100 milhões à Fininvest em agosto e o resto ainda deverá ser feito nos próximos meses. O grupo já trabalha para montar uma nova estrutura de trabalho, incluindo uma nova diretoria.
A saída de Adriano Galliani, dirigente histórico do Milan, já deixa clara a tentativa de mudança. Só que Maldini não aceitou o cargo e os motivos que ele deu são mais do que suficientes para desconfiar.
“O Milan sempre foi uma questão de coração e paixão para mim”, afirma Maldini. “Minha história, a história do meu pai e dos meus filhos prova isso, e ninguém pode tirar esse vínculo com as cores rossoneri de nós. Esta ligação muito forte me obriga a ser muito cuidadoso, preciso e profissional ao aceitar um trabalho que me é oferecido, continuou.
“É claro, seria muito mais fácil seguir com a empolgação da proposta e dizer ‘sim’, mergulhando de cabeça nesta nova aventura sem considerar as potenciais consequências, mas não, eu não poso fazer isso”, avaliou o ex-jogador.
Maldini afirmou que a causa de não ter acordo nunca passou pela parte financeira, que sequer foi discutida. “Eu não fiz nenhuma exigência financeira, eu reiterei na nossa primeira reunião que a definição do meu papel seria a chave básica para qualquer possível colaboração”, explicou o jogador italiano. “Como eu poderia julgar uma oferta quando as responsabilidades não foram definidas?”.
“Eu expliquei que eu me dedicaria ao máximo a um projeto sério, mas eu nunca aceitei ser um mero símbolo. Eu repito, para mim o Milan é uma escolha de coração”, disse. “Eu nunca pedi um por um papel como o de Galliani, como um executivo com poder total. Eu conheço as minhas virtudes, mas eu conheço minhas limitações ainda melhor, minha área de especialidade tem que ser o lado esportivo”.
“Me ofereceram o cargo de diretor técnico, antes disso um diretor esportivo seria contratado com a confiança do executivo-chefe e então, de acordo com a estrutura organizacional que me foi apresentada, eu iria dividir qualquer projeto, compra ou venda de jogador meu diretor esportivo. Minha pergunta específica foi sobre o que aconteceria se nós discordássemos e Fassone [executivo-chefe do clube] disse que ele iria decidir”, explicou ainda Maldini.
“Eu disse a ele que não achava que esta era a base para uma equipe vencedora. Eu foi parte de times que fizeram história e eu sei que para atingir resultados é preciso ter grande sinergia entre todos as partes do clube e os investidores, além de papeis bem definidos”, disse.
“As últimas temporadas que o Milan teve dois executivos dividindo a função [Adriano Galliani e Barbara Berlusconi] deveriam ter sido uma lição. É claro, eu teria que assumir, aos olhos dos torcedores, da imprensa e dos donos do clube, toda responsabilidade pelo lado esportivo das coisas, potencialmente sem ter nenhum poder executivo”, explicou ainda o ex-lateral e zagueiro do Milan.
Basicamente, Paolo Maldini teria que dividir todas as suas decisões esportivas com um diretor executivo, o que, na avaliação dele, o deixaria em uma posição de ser apenas um símbolo, usado para que a nova diretoria chinesa tenha credibilidade.
Maldini afirmou que queria falar com Dabid Han Li, diretor executivo do Sino Europe Sports, grupo chinês que comprou o Milan. Teve o seu pedido negado. Queria ouvir do executivo o que era esperado dele. Explicou que não queria passar por cima do executivo do Milan, apenas queria entender qual seria o seu papel. Diante da negativa, não quis continuar as negociações.
Por isso, faz sentido que Maldini desconfie e não queria o cargo. E deixa mais desconfianças em relação à nova diretoria do Milan.



