Revolução ou adeus: As condições inegociáveis de Gasperini para seguir na Roma
Técnico exige autonomia total e saída de figuras centrais para cumprir contrato na capital italiana
O casamento entre Gian Piero Gasperini e a Roma, que começou sob um misto de ceticismo da torcida — devido a sua relação fraternal com a Atalanta — e grandes expectativas da diretoria, chegou a uma encruzilhada definitiva.
Embora o treinador tenha contrato vigente até 2028, a atmosfera em Trigoria (CT da Roma) deteriorou-se a tal ponto que a permanência do técnico para a próxima temporada não é mais uma garantia. A Roma está na sexta posição da Serie A italiana.
Segundo o jornal “Gazzetta dello Sport”, o comandante, conhecido pelo seu gênio forte e métodos implacáveis, apresentou ao Friedkin Group — consórcio norte-americano dono da Roma — uma lista de quatro exigências não negociáveis. Na visão do treinador, não se trata apenas de reforços, mas de uma reestruturação total do organograma de poder no clube.
A crise de confiança foi alimentada por uma queda vertiginosa de desempenho. Após um início promissor que levou a Roma ao terceiro lugar em fevereiro, o time desmoronou, sofrendo eliminações dolorosas e goleadas que minaram a estabilidade do projeto.
No entanto, Gasperini entende que a culpa não reside somente nas quatro linhas, mas em uma estrutura interna que ele considera disfuncional e, em certos casos, abertamente hostil ao seu trabalho.
Orçamento e o fator Ranieri: Gasperini coloca cartas na mesa da Roma
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A primeira dessas condições é de ordem financeira e estratégica. Gasperini exige que o orçamento para transferências mantenha o patamar de seu primeiro ano, quando o clube investiu cerca de 97 milhões de euros, fora a compra definitiva de Donyell Malen por 25 milhões de euros junto ao Aston Villa — no momento ele está emprestado.
O técnico entende que qualquer redução nesse fôlego de mercado significaria uma estagnação técnica que ele não está disposto a gerenciar, especialmente após o elenco demonstrar carência de peças com a intensidade física que seu sistema exige.
As exigências mais complexas, porém, tocam na hierarquia do clube. O treinador solicitou formalmente a saída do diretor esportivo Frederic Massara, com quem nunca desenvolveu uma sintonia de trabalho.
Mas o ponto de maior atrito atende pelo nome de Claudio Ranieri. Gasperini foi categórico: para permanecer, não quer qualquer vínculo profissional com o atual consultor sênior dos proprietários.
A relação entre os dois ruiu publicamente após declarações recentes de Ranieri à “DAZN”, nas quais sugeriu que o atual técnico era apenas a quarta opção do clube e listou jogadores contratados que estariam sendo subutilizados. Para Gasperini, essas manifestações não foram apenas críticas técnicas, mas uma exposição desnecessária que minou sua autoridade perante o vestiário e a arquibancada.
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O controle total como última fronteira
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A quarta e última exigência do treinador é o controle absoluto sobre o seu programa esportivo. Isso abrange desde a gestão cotidiana do time até a seleção rigorosa de todos os profissionais que compõem o estafe de apoio, incluindo a equipe médica.
A posição do Friedkin Group agora é delicada. Atender aos pedidos significa entregar as chaves do clube a um técnico de gênio difícil, em detrimento de figuras históricas e administrativas já estabelecidas.
Caso os proprietários optem pela manutenção do atual status quo, o ex-técnico da Atalanta já indicou que está pronto para considerar novos destinos, aproveitando o forte interesse de clubes italianos e estrangeiros que acompanham de perto o desenrolar desta queda de braço na capital.