Eficiência é uma palavra que combina muito com Luiz Felipe Scolari. Foi essa a característica da Seleção Brasileira na partida deste sábado contra a Itália. A vitória por 4 a 2 é grande, contra uma rival histórica, uma seleção que tem camisa e tradição, mesmo desfalcada de dois jogadores importantes. O time mostrou consistência. Não foi um grande jogo, mas foi um time seguro. Correu poucos riscos, aproveitou as chances que teve e ainda ganhou uma boa opção na zaga com a entrada de Dante. Teve também novo gol de Neymar, que parece mais à vontade em ter tanta responsabilidade. Fred conseguiu dois gols, o que dá confiança a ele a ao time, que sabe do seu potencial.
Fred fez dois passes para chances de gol, além de ter dado três chutes durante a partida. Foi líder nos dois quesitos. Marcelo também foi bem, defensivamente conseguindo fazer o seu papel. Oscar ficou sumido na partida e, novamente, ficou abaixo do que pode. Jogou a partida inteira, até chutou a gol, mas não conseguiu ser eficiente e o time sentiu falta da sua dinâmica e criação de jogadas. Hernanes ajuda nisso, é um jogador que arma mais o jogo que Paulinho, que conduz mais a bola.
O início de jogo foi avassalador. Foi um minuto de pressão enorme na saída de bola que fez o Brasil estar no campo de ataque o tempo todo. Um começo de jogo animador, que lembrava o alucinante Itália x Japão. Mas foi só uma fagulha. A fogueira não veio. O jogo ficou difícil, com a Itália marcando firme, sem dar espaços. Oscar, apagado, pouco conseguia criar. A Itália não conseguia exercer o seu jogo de posse de bola, muito pela falta que Pirlo e De Rossi fazem ao time, além da saída de Montolivo, machucado.
O segundo tempo brasileiro foi melhor. Não brilhante, mas melhor. Tomou o gol de empate logo no começo, é verdade, mas conseguiu ser eficiente e aproveitar as chances. Além disso, mostrou segurança defensiva nas bolas pelo alto, algo que estava faltando. Se David Luiz fez um grande jogo contra o México, desta vez foi seu substituto que entrou muito bem. Nas bolas pelo alto, Dante é muito bom e ajudou o Brasil a conter as investidas italianas.
O gol do Brasil marcado pouco depois de tomar o empate, em uma cobrança de falta de Neymar, ajudou muito para que o time não perdesse a cabeça. Com o terceiro gol, com Fred fazendo um lance tipicamente de centroavante, o Brasil ficou mais tranquilo no jogo. Tomou um gol de Chiellini depois, mas ainda parecia tranquilo.
Parecia, porque nos minutos finais foi complicado. A Itália acertou a trave com Maggio e rondou a área brasileira. Só que assim como os italianos no primeiro tempo, o Brasil não deu espaços e a Azzurra não conseguia criar chances de gol. Os italianos tocavam a bola de um lado para outro, tentando encontrar o espaço. Nada feito. Assim, o Brasil garantiu o primeiro lugar do grupo, com nove pontos, e a Itália avança em segundo com seis.
Com a confiança que ganhou a e consistência que apresentou nesses três primeiros jogos, o Brasil mostra que é forte o suficiente para brigar pelo título. Cada vez mais, o Brasil tem um time e isso é fundamental para quem jogará a Copa do Mundo em casa, diante de tanta pressão. Com boa parte dos jogadores convocados por Mano Menezes, o Brasil está com mais cara de time. E com os jogadores que a Seleção Brasileira tem, é para ser temida.
Formações iniciais

Destaque do jogo
Fred estava sozinho no primeiro tempo, mal conseguindo ter a bola nos pés. Em uma das poucas chances, deixou Neymar na cara do gol. Mas o segundo tempo viria para o redimir. Marcou dois gols como centroavante típico que é e finalmente marcou na competição. Artilheiro, como se espera.
Momento-chave
A saída de Abate para a entrada de Maggio deixou a Itália mais frágil pelo lado direito da defesa. Foi dele a falta que originou o segundo gol brasileiro.
Os gols
45’/1T: GOL DO BRASIL!
Hernanes cruza para Fred, impedido, cabecear e Buffon fazer grande defesa. No rebote, Dante bateu de primeira e mandou para o gol.

6’/2T: GOL DA ITÁLIA!
Balotelli dá um passe sensacional de calcanhar pelo alto e Giaccherini invade a área para fuzilar Júlio César com um chute cruzado. É o gol de empate.
10’/2T: GOL DO BRASIL!
Em falta que ele mesmo sofreu, Neymar cobrou na gaveta, matou a coruja, e colocou novamente o Brasil em vantagem.

21’/2T: GOL DO BRASIL!
Marcelo fez lançamento longo em contra-ataque, Fred dominou, ganhou na força da marcação e deixou para a perna esquerda. Aí, meu amigo, desceu a pancada sem chance de defesa. Golaço, de alguém que estava seco para balançar as redes.
26’/2T: GOL DA ITÁLIA!
Depois de escanteio, Balotelli foi segurado na área e o árbitro apitou, mas Chiellini chutou para o gol e o árbitro deu gol. Pois é, não tem vantagem em pênalti, mas ele deu e a Itália diminuiu.
43’/2T: GOL DO BRASIL!
Bernard fez a jogada pela esquerda e tocou para Marcelo, que chutou. Buffon bateu roupa e Fred, com a faca e o queijo na mão, tocou para as redes e saiu para o abraço.

Curiosidade
A Itália não vence o Brasil há 31 anos. A última foi na Copa de 1982, quando Paolo Rossi comandou a vitória italiana por 3 a 2.
Ficha técnica
|
ITÁLIA 2X4 BRASIL |
|
![]() |
Itália Gianluigi Buffon; Ignazio Abate (Christian Maggio, 30’/1T), Leonardo Bonucci, Giorgio Chiellini e Mattia De Sciglio; Riccardo Montolivo (Emanuele Giaccherini, 26’/1T) e Alberto Aquilani; Antonio Candreva, Alessandro Diamanti (Stephan El Shaarawy, 28’/2T) e Claudio Marchisio; Mario Balotelli. Técnico: Cesare Prandelli |
![]() |
Brasil Júlio César; Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz (Dante, 34’/1T) e Marcelo; Luiz Gustavo e Hernanes; Hulk (Fernando, 31’/2T), Oscar e Neymar (Bernard, 24’/2T); Fred. Técnico: Luiz Felipe Scolari |
| Local: Estádio Fonte Nova (Salvador-BRA) | |
| Árbitro: Ravshan Irmatov (UZB) | |
| Gols: Dante, 45’/1T, Neymar, 10’/2T, Fred, 21’/2T e 43’/2T (Brasil), Giaccherini, 6’/2T, Chiellini, 26’/2T (Itália) | |
| Cartões amarelos: Neymar, David Luiz, Luiz Gustavo (Brasil), Marchisio (Itália) | |
| Cartões vermelhos: Nenhum | |





