Itália

Além de um trabalho abaixo das expectativas, Mihajlovic ainda foi machista depois da demissão

O Milan investiu pesado nesta temporada para voltar a disputar competições continentais. No mínimo, a Liga Europa, e neste momento, está fora até dela. Em sexto lugar, a sete pontos da Fiorentina, a principal alternativa parece ser o título da Copa da Itália. O adversário da final será a Juventus. Sem vencer a cinco partidas, Sinisa Mihajlovic não resistiu e entrou na máquina de moer técnicos de Silvio Berlusconi. Foi o quarto a ser demitido nas últimas três temporadas – Allegri, Seedorf e Inzaghi foram os outros.

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O trabalho de Mihajlovic não era exatamente ruim, diante das condições apresentadas e de contratações duvidosas, e ele poderia ser mantido no mínimo até o fim do campeonato. A torcida gostava dele, como indica uma pesquisa da Gazetta dello Sport, que mostra 93% dos fãs do Milan contra a demissão. Os resultados, porém, eram abaixo das expectativas dos dirigentes e, convenhamos, também dos torcedores, que não aguentam mais ver o seu clube sofrer no meio da tabela.

Pior que tudo isso, porém, parece ser a maneira como Mihajlovic lida com a demissão. Em entrevista à Striscia la Notizia, rebateu com boa dose de machismo uma declaração da namorada de Kevin-Prince Boateng, que havia dito que o vestiário do Milan ficaria menos tenso com a saída do sérvio – a imprensa italiana afirma que os jogadores estão divididos. “Não sou preconceituoso, mas eu acho que mulheres não deveriam falar sobre futebol porque elas não são as mais adequadas para fazer isso”, disse.

Surpreende como a construção “não sou preconceituoso, mas…” frequentemente vem acompanhada por uma bobagem. Mihajlovic tem motivos para reclamar da demissão, até porque ela tem a ver também com a sua inflexibilidade diante das interferências de Berlusconi, mas não tem direito de falar assim de uma parcela da torcida do clube que acabou de deixar.

“Eu gostaria de agradecer aos torcedores do Milan, que têm sido gentis comigo”, completou. Todos os torcedores ou só os homens?

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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