Agora ou nunca
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Qualquer torcida encara o dérbi como um jogo à parte, muitas vezes até maior que os objetivos do que o clube possa ter na temporada. Para a Sampdoria, no último domingo, superar o Genoa era muito mais que uma simples questão de rivalidade. Primeiro, porque o Palermo havia vencido o Chievo mais cedo, abrindo três pontos de vantagem na quarta posição, fechando a zona de classificação para a Liga dos Campeões. Segundo, porque a Samp havia perdido os últimos três confrontos com o Grifone, e a quarta derrota consecutiva seria um fato inédito na história do dérbi genovês, algo que o torcedor genoano jogaria na cara pelas próximas décadas.
A tensão criada do lado de fora do estádio Luigi Ferraris, onde houve confrontos entre torcedores, treze agentes de segurança feridos e um torcedor morto, transferiu-se para o campo. Não foi o clássico mais bonito de se assistir pela técnica, e muitas vezes os jogadores confundiram empenho com violência, exigindo que o árbitro Paolo Tagliavento exibisse nove cartões amarelos – seis deles para o Genoa.
Com a bola rolando, o equilíbrio foi um pouco maior, mas o talento de Antonio Cassano fez a diferença para a Samp com o único gol da partida, marcado aos 23 minutos do primeiro tempo. Bola alçada pelo capitão Palombo (melhor em campo, disposto a se garantir entre os 23 de Lippi para o Mundial) e escorada na área pelo zagueiro Lucchini para Cassano concluir de cabeça.
Palombo foi fundamental para a vitória porque o time de Luigi Del Neri precisou jogar muito pelo centro do campo. Sabendo da importância de Semioli e Guberti pelas alas no time blucerchiato, o técnico genoano Gian Piero Gasperini fechou os setores com Criscito e Mesto, em seu tradicional 3-4-3, fazendo com que a Samp fosse obrigada a afunilar as jogadas. Na parte ofensiva, porém, faltou poder de fogo ao Genoa, sem um centroavante de ofício (começaram jogando Palacio, Sculli e Palladino). Dá para questionar se o clube se precipitou ao liberar Crespo para o Parma em janeiro.
Duelo tático à parte, o fato inegável é que Cassano tem sido o diferencial para a arrancada blucerchiata. Algo que não parecia provável em janeiro, quando o Talentino di Bari foi afastado da equipe por Del Neri e por muito pouco não se transferiu por empréstimo para a Fiorentina.
O treinador abriu mão de Cassano após o empate por 1 a 1 com o Catania, que marcou a sétima rodada consecutiva sem vitória, no momento mais delicado da temporada para a equipe. Saberemos um dia se houve uma discussão ou alguma violação disciplinar por parte do atacante, mas o certo é que Del Neri se mostrou insatisfeito com a incapacidade do camisa 99 em jogar pela equipe. Não ajudava no trabalho defensivo, e quando tinha a bola muitas vezes procurava a jogada de efeito em vez do lance mais objetivo.
Sem Cassano e com o bom rendimento de Pozzi em seu lugar, a Sampdoria engrenou quatro vitórias na seqüência. Em seguida, vieram o empate sem gols com a Internazionale e a derrota por 1 a 0 para o Parma. A volta do atacante se deu na vitória por 2 a 1 sobre a Lazio, quando entrou no segundo tempo. No jogo seguinte, empate por 1 a 1 fora de casa com o Bologna, Pozzi se lesionou com gravidade, encerrando ali sua temporada. Cassano entrou em seu lugar, e a partir da rodada seguinte, contra a Juventus, já era titular novamente. Com um chutaço de longa distância e a colaboração do goleiro Chimenti, garantiu a vitória por 1 a 0.
Del Neri foi o grande vencedor por ter tomado uma decisão corajosa em um período difícil para a equipe. Em seu retorno, Cassano tornou-se o jogador objetivo e decisivo que precisava ser. Tanto que, nas últimas cinco partidas, marcou quatro gols, três deles decisivos para os resultados. O gol diante do Genoa confirmou sua vocação para os dérbis – já havia marcado pelo Bari contra o Lecce, pela Roma contra a Lazio e pelo Real Madrid contra o Atlético de Madrid.
Mais importante do que isso, o resultado manteve a Samp Com os mesmos pontos do Palermo e com três de vantagem sobre a Juventus. O time terá neste fim de semana um confronto crucial com o Milan. Os blucerchiati defendem uma invencibilidade caseira de 25 jogos, e vencer é fundamental, porque em seguida virá a visita à embalada Roma. O Palermo, por sua vez, viaja para enfrentar o Cagliari e no fim de semana seguinte terá sua ocasião de receber o Milan. Na penúltima rodada há um confronto direto que pode ser crucial.
A briga pelo quarto lugar chama a atenção nessa que deve ser a última temporada com as quatro vagas para a Liga dos Campeões, pensando na provável ultrapassagem da Alemanha no ranking da Uefa. Uma oportunidade como essa pode não se apresentar novamente.
Veja os jogos que faltam para os quatro principais concorrentes.
Palermo (54 pontos): Cagliari (f), Milan (c), Siena (f), Sampdoria (c), Atalanta (f)
Sampdoria (54): Milan (c), Roma (f), Livorno (c), Palermo (f), Napoli (c)
Juventus (51): Inter (f), Bari (c), Catania (f), Parma (c), Milan (f)
Napoli (49): Bari (f), Cagliari (c), Chievo (f), Atalanta (c), Sampdoria (f)