Rebaixado na Premier League, Wolves podem negociar dois brasileiros e manter apenas um
Com a queda confirmada para a Championship, clube deve vender a dupla de volantes e lateral jovem, por outro lado, faz parte dos planos de reconstrução
O Wolverhampton está de volta à segunda divisão inglesa. O rebaixamento, selado na segunda-feira (20) após a derrota por 3 a 0 para o Leeds e o empate do West Ham contra o Crystal Palace, encerrou oito anos do clube na Premier League e agora abre um verão de decisões difíceis no Molineux.
Para os brasileiros do elenco, os caminhos são distintos: enquanto João Gomes e André devem ser vendidos por valores altos, Pedro Lima é visto como parte do futuro que o clube quer construir.
Conforme apurou a Trivela, André e João Gomes seguem em contato com clubes que demonstraram interesse na última janela de transferências. O contato com os jogadores sempre foi na ótica de uma transferência para a janela de verão europeu.
A queda era esperada há meses. Desde a demissão de Vítor Pereira e a chegada de Rob Edwards em novembro, o clube já se preparava para o pior. Edwards perdeu os primeiros sete jogos no comando antes da janela de transferências de janeiro, e o destino estava praticamente selado.
João Gomes e André: saída certa, valores altos
A dupla brasileira de meio-campo é apontada pelo próprio clube como saída praticamente certa. João Gomes e André são os ativos mais valiosos do elenco e devem ser negociados antes do fim de junho, numa estratégia do clube para equilibrar o balanço financeiro atual e chegar cedo ao mercado de reposições.
A Trivela ouviu que André mantém contato com um “gigante italiano” e outro clube inglês — ambos omitidos, para preservar futuras negociações. João Gomes, por sua vez, teve contato avançado com o Manchester United durante a última janela, mas, em meio à troca de treinador no clube, não houve proposta oficial naquele momento.
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Nos últimos meses, João Gomes também entrou no radar do Atlético de Madrid. Houve conversas com o clube espanhol visando uma transferência para a janela que se abrirá em julho e o contato foi visto como positivo.
No lado dos Wolves, a necessidade de venda é real. Com o rebaixamento, o clube deixa de contar com as receitas de transmissão da Premier League. Os chamados parachute payments, verbas de auxílio para clubes rebaixados, devem ser de cerca de 49 milhões de libras no primeiro ano e 40 milhões no segundo, uma queda drástica em relação ao que o clube recebia.
Os contratos dos atletas têm cláusulas de redução salarial de cerca de 50% em caso de rebaixamento, o que ajuda, mas não resolve o rombo. Vender os brasileiros é, portanto, uma necessidade financeira e também esportiva: ambos têm nível para a Premier League e dificilmente aceitariam disputar a segunda divisão inglesa por mais de uma temporada.
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Pedro Lima, o brasileiro que fica
Se a história de João Gomes e André no Molineux chega ao fim, a de Pedro Lima pode estar apenas começando. O lateral jovem é listado pelo “The Athletic” como parte do núcleo que Edwards quer preservar para a reconstrução, ao lado de nomes como Yerson Mosquera, Santiago Bueno e Toti Gomes.
Pedro Lima has returned to the club following a loan spell with @FCPorto 🤝https://t.co/SZ8DfU2MEk pic.twitter.com/nY82XGdbYq
— Wolves (@Wolves) January 5, 2026
O técnico galês tem planos claros para a Championship: quer um time mais agressivo, que proponha o jogo. A ideia é montar uma base sólida antes da pré-temporada, e Pedro Lima entra nesse projeto como aposta de longo prazo. A permanência do lateral reforça a intenção do clube de não desmantelar completamente o elenco, mas sim reconstruí-lo com critério.
A maior joia do momento, no entanto, é Mateus Mané, de 18 anos, português que, segundo o próprio clube, é peça central nos planos para 2026. Os Wolves, porém, sabem que propostas de gigantes da Premier League podem ser difíceis de recusar caso apareçam com força no verão europeu.
O presidente interino Nathan Shi, que substituiu Jeff Shi após a demissão do executivo em fevereiro, tem trabalhado para reconquistar a torcida: prometeu redução de preços de ingressos e se mostrou mais próximo dos torcedores do que o antecessor. Mas o sucesso da gestão será medido pelas ações na janela.
Os Wolves terão de vender, reinvestir com inteligência e montar um elenco competitivo o suficiente para disputar o acesso à Premier League antes que as verbas de auxílio comecem a diminuir. Para os brasileiros, o capítulo seguinte já está se desenhando, e ele leva a destinos opostos.