Wilshere tenta recomeçar em Bournemouth, mas parece se assumir como uma promessa perdida
Aos 24 anos, Jack Wilshere já não pode mais ser chamado de promessa. Na verdade, estamos tão acostumados ao meio-campista que ele parece até mais velho do que isso. Mas, ainda que a idade não seja problema, o inglês não desfruta da mesma confiança de outros tempos no Arsenal. Arsène Wenger vinha indicando que o camisa 10 não seguia em seus planos. Mesmo assim, o desfecho de seu destino não deixa de surpreender: emprestado por uma temporada, Wilshere defenderá o Bournemouth. Brigará contra o rebaixamento, mas sob as expectativas de ao menos emendar uma sequência de partidas, algo que não conseguiu em seus últimos anos no Emirates.
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Wilshere despontou na equipe principal do Arsenal em 2008/09. Parecia a promessa em ascensão para assumir o lugar de Cesc Fàbregas como protagonista no meio de campo. O problema é que, desde então, o camisa 10 superou os 30 jogos por temporada em apenas três ocasiões. Em 2010/11, a primeira como titular e a mais consistente, chegou a 49 partidas. No entanto, logo sofreu uma sequência de lesões que o afastou dos gramados por 15 meses. Em 2012/13, quando retornou, parecia mesmo um novo jogador: fortalecido fisicamente, se tornou mais produtivo e atravessou excelente momento com os Gunners. Mas não demorou outra vez para que a sina com as contusões voltasse a persegui-lo. Nos dois últimos anos, o meio-campista só entrou em campo 26 vezes e se machucou mais do que fez gols – incluindo o rompimento dos ligamentos do tornozelo e a fratura na fíbula.
O retorno mais recente de Wilshere aconteceu em abril. Disputou algumas partidas com o time sub-21 do Arsenal, além de aparecer no final da Premier League. Naquele momento, porém, estava clara a relação desgastada. Que o talento continue intacto, suas mostras foram muito pequenas nos últimos meses. O suficiente para Wenger abrir mão de seus serviços. Juventus, Roma e Milan apareciam entre os interessados pelo empréstimo do meio-campista. Ele, entretanto, preferiu permanecer na Premier League. Terminou no Bournemouth, de pretensões bastante modestas na tabela, em sua segunda temporada consecutiva na elite.
Por qualidade técnica, Wilshere tinha bola para cavar espaço em uma equipe maior do futebol inglês. Em Bournemouth, ao menos, encontrará um ambiente mais confortável para se restabelecer. Não terá que se adaptar à liga, como aconteceria se fosse à Itália, da mesma forma que pode continuar sendo observado de perto pelo Arsenal. Além disso, poderá até mesmo atuar mais adiantado, quem sabe para ser dono do time e melhorar seus números ofensivos. Considerando que seu contrato com os Gunners vai até 2018, resta tempo para uma redenção em Londres. O que depende bastante do nível de confiabilidade que o camisa 10 alcançará nesta temporada.
A questão fica para o nível de comprometimento de Wilshere em Bournemouth. Além das lesões, a indisciplina sempre pesou contra o meio-campista. Precisará de empenho neste recomeço, algo que já não inicia da melhor forma, preferindo o comodismo de um ambiente no qual costuma ser adulado do que a competitividade em outra liga e em um clube grande da Europa continental. Este é o ultimato para o inglês. Um ano em que poderá se reinventar ou se afirmar como uma promessa perdida a vagar por equipes medianas. Mas que já não começa tão bem assim, em uma equipe na qual dificilmente terá relevância dentro da Premier League.




