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Valiosos mal avaliados

Há duas semanas, o Manchester United recebeu o título de clube mais valioso do mundo, em levantamento realizado pela revista Forbes. Os Red Devils aparecem acima de outros concorrentes no futebol e até mesmo de franquias do esporte americano, com marca avaliada em € 1,86 bilhão. Um império construído, sobretudo, nos últimos 20 anos, no qual o domínio desde a criação da Premier League acabou sendo fundamental.

Aproveitando a boa onda, o United lançaria ações na Bolsa de Valores de Nova Iorque na última semana, mas a medida foi adiada por tempo indeterminado. Na justificativa oficial, a volatilidade do mercado americano desencorajou os proprietários do clube inglês. Segundo relatos da imprensa inglesa, entretanto, as ações não seriam atrativas o suficiente aos investidores.

A antítese entre o sucesso da marca e o fracasso dos planos dá corpo a mais um capítulo entre os torcedores e dos Glazer, donos do clube desde 2005. A crise é antiga, mas já tinha ganhado novas vozes depois dos desdobramentos da última temporada. Os milhões investidos em Manchester City e Chelsea resultaram em títulos. Já em Old Trafford, a falta de reforços de peso é apontada como razão do insucesso dos Red Devils, por mais que Sir Alex Ferguson siga colocando a mão no fogo por seus patrões.

Os números ajudam a ressaltar a insatisfação. Desde a temporada 2005/06, o United reduziu consideravelmente os gastos em relação aos anos anteriores, além de ter feito contratações bem mais modestas que a de seus concorrentes pelo topo da tabela. A exceção foi em 2007/08, quando Anderson, Nani, Tevez e Hargreaves foram trazidos por € 94,7 milhões – e, coincidentemente, o clube conquistou a Liga dos Campeões. Na temporada passada, foram empregados € 57,3 milhões, mas em apostas como De Gea e Phil Jones.

A resposta às críticas mais recentes viria com a chegada de um nome badalado nas próximas semanas. Lucas é fortemente assediado pelos ingleses, enquanto Robin van Persie é outro que foi elogiado por Ferguson, ainda que nenhuma proposta oficial tenha sido feita ao Arsenal. É difícil imaginar que os Red Devils irão gastar tanto com a dupla, mas a possibilidade é bastante real. E, já garantido, há Shinji Kagawa, que foi comprado por um valor relativamente baixo – € 15 milhões – quando se leva em conta a sua qualidade.

De qualquer forma, uma janela de transferências generosa não deverá ser suficiente para aplacar a ira vinda das arquibancadas. Os torcedores continuarão justificando que, apesar do aumento nos ingressos acima da inflação e dos incrementos nas receitas (nesta segunda, foi anunciado acordo de patrocínio com a General Motors por cerca de € 55 milhões anuais), não há reflexos deste dinheiro no elenco.

O ingresso na Bolsa de Valores de Nova Iorque seria mais uma das medidas dos Glazer para benefício próprio. A acusação é a de que, além de quitar as dívidas do clube, avaliadas em € 500 milhões de euros, a venda das ações serviria também para salvar as posses da família americana.

Além disso, a medida não mudaria a estrutura, com influência quase nula dos investidores. A falta de participação nas tomadas de decisão não atraiu os torcedores interessados em vivenciar o cotidiano do clube – e que poderiam dar mais um aporte financeiro considerável.

Uma abertura na estrutura de poder, mesmo que parcial, é vista com bons olhos mesmo pelos críticos mais ferozes dos atuais proprietários. Segundo o grupo “Manchester United Supporters Trust”, a compra das ações poderia ser o início do fim da dinastia dos Glazer. Resta saber se os americanos abandonariam tão facilmente a sua galinha dos ovos de ouro, com a qual poderiam lucrar ainda mais.

Curtas

– A seleção do Reino Unido não fez grandes partidas, mas segue para a última rodada dos Jogos Olímpicos com grandes chances de classificação. Na estreia, a equipe foi inferior a Senegal e o empate foi aceitável. Já contra os Emirados Árabes Unidos, apesar das fragilidades defensivas, Stuart Pearce demonstrou ter um banco capaz de mudar uma partida. Contra o Uruguai, um empate será suficiente para a classificação.

– Pegou muito mal a presença de Gareth Bale em amistoso do Tottenham nos Estados Unidos. A história é nebulosa, sem indícios se a recuperação aconteceu antes do prazo ou se simularam um prazo mais longo para afastá-lo das Olimpíadas. E, no fim das contas, o galês passará os próximos três meses afastado, depois de ter lesionado os ligamentos do tornozelo.

– O mercado de transferências na Inglaterra seguiu sem grandes movimentações nas últimas semanas. A exceção continua sendo o Chelsea, que selou a contratação de Oscar. Com o brasileiro no time, Di Matteo ganha um meia central característico para cadenciar o jogo. Juan Mata, que não rendeu muito na posição, voltará a ser escalado com maior frequência na ponta esquerda.

– E o Queens Park Rangers mantém seu trabalho de buscar bons reforços a baixo custo. O nome da vez foi David Hoilett, que estava sem contrato com o Blackburn ao final da temporada. Versátil, o canadense dá novas opções de jogo pelas pontas aos londrinos.

– O Manchester City também continua de olho em van Persie, mas terá que se desfazer de alguns atacantes antes de partir com mais sede para o negócio – Edin Dzeko e Carlos Tevez são os primeiros da lista. Para os outros setores, não há nenhuma especulação forte dos Citizens.

– Para compensar, o Arsenal deve reforçar bem o meio de campo. Santi Cazorla não deve seguir no Málaga e já foi procurado pelos Gunners, que também querem tirar Nuri Sahin do Real Madrid. E Wilshere já tem retorno marcado para outubro.

– O Newcastle, por sua vez, promete ficar ainda mais forte. Até o momento, não há nenhum rumor muito forte sobre vendas. Em compensação, Mathieu Debuchy está próximo de um acerto e o zagueiro Douglas é mais um que pode se apresentar em St. James Park.

– Assim como previsto, o embate entre John Terry e Anton Ferdinand está longe de um fim. Após ser absolvido pela Justiça, o zagueiro do Chelsea terá que enfrentar o julgamento da Football Association. A absolvição moral, ao que parece, não acontecerá tão cedo.

– A pré-temporada não tem sido muito prodigiosa para os sete clubes ingleses confirmados nas competições continentais. Todos já registram ao menos um tropeço, seja derrota ou empate contra time pequeno. Liverpool e Arsenal nem sequer venceram.

– Na próxima semana, teremos a primeira de duas partes do Guia da Premier League 2012/13.

 

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Equipe Trivela

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