Futebol inglês

Um terço já foi: sete impressões sobre o que rolou na Premier League até agora

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Não dá para dividir um campeonato de 38 rodadas em três partes iguais, mas podemos usar a técnica do arredondamento para dizer que um terço da Premier League já ficou para trás – embora alguns times ainda tenham 11 ou 12 jogos. Uma temporada estranha até agora, cheia de altos e baixos, clássicos pouco empolgantes (chatos) e um top 5 com Everton, Leicester e Southampton. É uma amostra já razoável para tirarmos algumas impressões, nada definitivas, apenas algumas tendências em cima do que rolou nessas 13 primeiras rodadas.

O alçapão de Anfield

Klopp cumprimenta a torcida em Anfield (Jon Super – Pool/Getty Images/One Football)

A campeã da Premier League nas primeiras 13 rodadas é a palavra oscilação. Ninguém conseguiu atuar em um nível muito alto por muito tempo. Não há segredo sobre os motivos: pré-temporada curta, maratona de jogos, lesões à esquerda e à direita, portões fechados na maioria dos estádios, menos contratações do que o normal, todos mentalmente exaustos. Enfim, os sub-produtos da pandemia. A sequência mais longa de vitórias até agora não passou de quatro jogos – Everton, Aston Villa e Tottenham. Os 28 pontos do Liverpool perdem para todos os líderes a esta altura da Premier League desde que o Leicester, em 2015/16, liderou uma uma tabela que também prezou pela irregularidade – por outros motivos. Não é coincidência que ao fim desse primeiro terço da temporada os Reds estejam começando a se distanciar. Eles têm a melhor combinação de poder financeiro, competência e trabalho de longo prazo. Mas, especialmente, eles possuem uma âncora de consistência que quase nenhum outro time tem: Anfield. Enquanto muita coisa mudou, a regularidade do Liverpool como mandante continua a mesma. Ganhou os sete jogos em casa até agora e estendeu sua invencibilidade para 66 partidas. A vantagem aumenta porque a cidade é uma das poucas em que torcedores são permitidos no momento – o que, para mim, é uma injustiça: abram todos os estádios ou nenhum. Desde que 2.000 pessoas voltaram às arquibancadas, o Liverpool teve suas melhores atuações na Premier League, contra Wolverhampton e Tottenham. Continuar somando todos os pontos ou quase todos os pontos em casa pode ser o suficiente para se manter na ponta até o fim. Na estrada, o aproveitamento cai: apenas uma vitória e cinco jogos sem vencer.

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Duas vitórias seguidas são bastante

Ancelotti dá aquele abraço em Richarlison (Foto: Getty Images)

Nesse cenário de irregularidade, ficou claro que quaisquer duas vitórias seguidas fazem maravilhas para a sua posição na tabela. Pergunte ao Everton. Foi a sensação do começo da temporada ao ganhar os quatro primeiros jogos. Depois, venceu apenas uma vez em sete rodadas. Após ter derrotado Chelsea e Leicester, aparece novamente na parte de cima, a apenas um ponto do segundo lugar. As Raposas, aliás, são outro ótimo exemplo. O segredo delas é não empatar: ganharam três jogos, perderam dois, ganharam outros três, perderam dois, ganharam mais dois e perderam do Everton. Logo, apesar de terem o maior número de derrotas entre os dez primeiros (cinco), estão em quarto lugar. O Southampton aparece no mesmo patamar graças a sete triunfos nas últimas 11 rodadas. Isso indica que não será preciso um aproveitamento espetacular para brigar por vaga na Champions League ou talvez até pelo título. Se alguém conseguir uma sequência de vitórias que em outras edições seria módica, como seis ou sete, pode juntar uma boa gordura para esses grandes objetivos.

Ok, agora podemos nos preocupar

Chris Wilder, do Sheffield United (Foto: RUI VIEIRA/POOL/AFP via Getty Images/One Football)

Escrevi uma coluna no final de setembro defendendo que ainda estava cedo para se preocupar com o Sheffield United. Havia fatores mitigantes para os resultados ruins, as estatísticas estavam se recuperando e praticamente todas as suas torradas estavam caindo com a parte da manteiga virada para baixo. Era uma questão de manter a confiança no que o havia tornado a grande surpresa da última temporada e esperar que os ventos voltassem a soprar a seu favor. Bem…. os Blades têm um empate e 12 derrotas em 13 rodadas e tudo segue dando errado. Esse é um problema ao Sheffield United porque, mesmo em seus melhores momentos, as margens sempre foram pequenas: um gol para cá, um gol para lá, vitórias apertadas. Esse perfil segue igual, mas ao contrário, porque oito das 11 derrotas foram por um gol de diferença. A sorte pode mudar uma hora, mas como estará o clube até lá? A quantos pontos de sair da zona de rebaixamento? Chris Wilder ainda será o técnico? Os jogadores estarão mentalmente capazes de dar duas embaixadinhas? Ou seja, agora há muitas razões para estar preocupado com o Sheffield.

Impressões erradas?

Ole Gunnar Solskjaer durante a goleada sofrida pelo Manchester United (ALEX LIVESEY/AFP via Getty Images/OneFootball)

Dois dos maiores clubes da Premier League terminaram a última temporada longe de onde gostariam de estar, mas com bons sinais de que estavam no caminho certo. É fantástico como esse tipo de impressão muda rápido no futebol. Ole Gunnar Solskjaer nunca pareceu o cara certo para liderar o Manchester United. A sequência brilhante de resultados depois da pausa de março, com classificação à Champions League, indicou que talvez tivesse finalmente entrado em uma estrada menos tortuosa. Nope. Os problemas seguem iguais: quando enfrenta um time que dá espaço para contra-ataques, seus talentos individuais brilham; quando enfrenta um time que marca fechado atrás, nada acontece – e a defesa raramente segura. Por isso é tão bom visitante (venceu todas) e ganhou apenas um jogo em Old Trafford. O aproveitamento na estrada pode ser uma âncora de consistência como a do Liverpool em Anfield. Não à toa, em pontos perdidos, está a apenas dois da liderança. Mas é muito mais difícil basear uma candidatura ao título em suas visitas a territórios hostis. No norte de Londres, Mikel Arteta, apesar de inexperiente, pareceu muito promissor. Melhorou os resultados, apresentou um bom plano, desenvolveu jovens, ganhou um título. Ainda parece promissor. Está cedo para qualquer tipo retificação contundente, mas, a cada rodada, o Arsenal se aproxima mais da zona de rebaixamento do que do topo da tabela. Precisa se reagrupar imediatamente.

O difícil encaixe do Chelsea

Havertz e Mount, do Chelsea (Foto: MIKE HEWITT/POOL/AFP via Getty Images/One Football)

A principal missão de Frank Lampard era arrumar o sistema defensivo do Chelsea. Havia conseguido: havia sido vazado apenas três vezes em 11 jogos entre o empate por 0 a 0 contra o Sevilla e a vitória sobre o Leeds, seu melhor jogo nesta temporada. Mason Mount e Kai Havertz atuaram juntos apenas no primeiro jogo dessa sequência, posicionados em um 4-2-3-1, com o jovem inglês pelos lados. Quando o alemão testou positivo para Covid-19, a base do meio-campo se tornou Kanté, Jorginho e Mount, às vezes com Kovacic no lugar de um dos dois primeiros. Nas últimas duas rodadas, Lampard tentou encaixar os dois camisas 10 juntos novamente. Colocou Havertz mais avançado contra o Everton e os dois ao lado de Kanté diante do Wolverhampton. Especialmente nesse último jogo, a defesa voltou a parecer frágil. O Chelsea aproveitou um momento de baixa do mercado por causa da pandemia para empilhar talentos, sem necessariamente pensar no encaixe, e a próxima grande missão de Lampard será encontrar um time equilibrado entre defesa e ataque, sem irritar suas estrelas ou barrar o desenvolvimento de jovens talentos que vinha sendo uma das marcas do seu trabalho. Posso apenas lhe desejar boa sorte.

Are you not entertained?

Bielsa no 5 x 2 contra o Newcastle (Foto: RUI VIEIRA/POOL/AFP via Getty Images/One Football)

O histórico, sua filosofia de futebol e de vida, e no geral tudo que sabemos sobre Bielsa não permite que fiquemos surpresos que os jogos do Leeds estão entre os mais movimentados desta temporada. Desde o início: o retorno à Premier League após 16 anos começou com uma derrota por 4 a 3 para o Liverpool. A média de gols em partidas do Leeds é de 3,54 a cada 90 minutos, inferior apenas à dos jogos dos Reds. Tem o sétimo melhor ataque e a segunda pior defesa. Mesmo quando não saem tantos gols, como no empate por 1 a 1 com o Manchester City, as suas partidas são cheias de acontecimentos. Os resultados ainda não são excelentes, mas, mesmo se não melhorarem significativamente, está claro que o papel do Leeds de Bielsa nesta temporada será nos divertir.

 

O problema do City é o… ataque

Oi, eu sou Sergio Agüero, às vezes jogo de centroavante pelo Manchester City. Geralmente, não. (Foto: Clive Brunskill/Getty Images/One Football)

O problema mais apontado do Manchester City desde a última temporada é a fragilidade defensiva. Deixou o time na mão em alguns jogos importantes, como a eliminação para o Lyon na Champions League. Mas, com uma partida a menos que a maior parte do resto da tabela, o time de Guardiola chega ao fim do primeiro terço do campeonato com a melhor defesa, empatado com o Tottenham. Foram 12 gols sofridos, cinco deles em um único jogo, contra o Leicester. Temos dois problemas: esses gols têm saído nas horas erradas, tanto que são quatro empates por 1 a 1; e o ataque não tem compensado. Marcou apenas 18 vezes até agora, o que é uma média baixa de 1,5 por partida – baixa para uma equipe de Guardiola. Por outro lado, o otimista pode dizer que o treinador decidiu primeiro arrumar a cozinha e, se conseguir atacar como antes mantendo o equilíbrio, os resultados começarão a melhorar.

 

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Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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