Inglaterra

Um feliz 2012

Podemos começar essa coluna pedindo desculpas pelas semanas puladas e pelo atraso nessa semana ou podemos fingir que nada aconteceu e passar direto ao que interessa. Enquanto eu penso, escolha sua alternativa. E vamos ao que interessa!

Devido ao tempo acumulado, vários assuntos são obrigatórios na coluna de hoje. Por isso, deixo para a semana que vem o perfil do Redknapp, e faço a desta semana no modelo “pequenas colunas em uma só”. Começando, claro, pelo English Team.

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E Fabio Capello deu uma de Francesco Schettino, o capitão do navio italiano que afundou no meio de janeiro. Tocou fogo no barco, e depois pegou seu bota salva-vidas e voltou para a Itália. Claro que a discussão é muito mais profunda do que isso, a começar por avaliar se o trabalho do técnico foi bom ou ruim, e, para além disso, se com os jogadores de que dispõe poderia fazer mais. É inegável, entretanto, que a postura de Capello a partir do último incidente com John Terry – jogador, diga-se de passagem, com quem nunca teve proximidade especial – serviu para jogar gasolina em uma fogueira que arde há anos.

O trabalho de Capello na Inglaterra não foi bom, não importa o que digam as estatísticas. Classificou a equipe com certa tranquilidade para as duas competições que tinha que classificar, e foi só. Sim, foi mais do que fez Steve McClaren, mas… em que planeta ser mais que Steven McClaren significa ser bom? Se no primeiro momento, ou seja, até a Copa de 2010, o italiano parecia ter trazido um pouco de calma e serenidade ao dia-a-dia da equipe, ficou claro na África do Sul que o clima não resistiria a um começo de turbulência. Como não resistiu.

Para além de climas, Capello nunca conseguiu definir um esquema de jogo ou um grupo de jogadores em que confiasse. Fugiu de escolher entrte Lampard ou Gerrard – ou de excluir ambos da equipe –, deu força demais à bobagem que os ingleses têm com relação ao “capitão” do time. E, principalmente, nos momentos em que teve que dar valor a comportamentos de grupo, eximiu-se da responsabilidade.

A Inglaterra que Capello abandonou é uma equipe pior do que a que ele encontrou, por incrível que isto possa parecer. Se o time de McClaren era taticamente incompreensível, o de Capello também se tornou. Pior: com mais um fracasso, e desta vez de um treinador de renome, fica escrachado o poder que têm os medalhões do time. À imagem de seu capitão, Capello transformou a Inglaterra em um Chelsea mal treinado – isso, o Chelsea de André Villas-Boas: um time em que mandam alguns medalhões, e em que estes medalhões podem fazer o que quiserem, e onde o futebol absolutamente não é prioridade.

Devia ter sido demitido após a Copa de 2010. Que sua substituição não seja apenas uma troca de nomes, mas sim de postura. Há suficientes jogadores em quantidade e qualidade para formar um time de primeira linha, que possa fazer frente às melhores seleções do mundo. Será preferível, porém, contar com o segundo time se este tiver um sentido de time do que com medalhões que não são tão bons quanto os tablóides dizem que eles são, ,as agem como se fossem ainda melhores.

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Enquanto escrevo, o Chelsea perde do Napoli no San Paolo, e Roman Abramovich, se já não fez isso antes, gasta algum tempo no telefone para arrumar alguém para tentar prolongar um pouco a temporada azul. André Villas-Boas deveria ter sido demitido há muito tempo, e é evidente que só não o foi porque nem o russo gosta de rasgar dinheiro – no caso, o que pagou para tirar o português no Porto, além do que vai ter que pagar como indenização.

Gasta muito mais dinheiro, porém, se for eliminado precocemente da Liga dos Campeões, e muito, mas muito mais, se ficar fora da competição no ano que vem. E qualquer um que prestar atenção em como vem jogando o Chelsea sabe que o risco de isso acontecer não é pequeno – e só não é uma certeza ainda porque Arsenal e Liverpool estão ajudando.

É verdade que é difícil prestar atenção na forma como o Chelsea vem jogando, porque esta “forma” inexiste. AVB não conseguiu implantar sua “fórmula”, e não parece conhecer outra. Quando o caldo começou a entornar, optou por eleger culpados, afastou jogadores, contratou outros e a coisa continuou tão ruim quanto antes. Não se trata apenas de capacidade técnica ou tática, mas, principalmente, de incapacidade de reação diante da pressão. É sempre bom lembrar, aí, que AVB não tem 40 anos, e treina seu segundo time.

AVB fracassou, mas é pouco provável que qualquer treinador consiga salvar o Chelsea de Abramovich, mesmo a médio prazo. Os jogadores há muito não respeitam qualquer um que não seja o próprio Abramovich, que nada faz para mudar o quadro. O líder da equipe é um jogador com sérios problemas de caráter, e com cada vez mais problemas técnicos. E não parece haver qualquer sentimento de equipe, clube ou algo parecido.

Resta saber se a fase conto de fadas acabou para sempre. Abramovich se desencantou do brinquedo há tempos, e não é impossível que resolva se desfazer dele. O que virá pela frente é impossível de prever. Mas dificilmente terá a mesma cara do passado recente.

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Por fim, não há como não comentar a derrota do Arsenal para o Milan, bem como os últimos incidentes da dupla Dalglish/Suárez. Mas não comentaremos! Deixaremos ambos os assuntos para as semanas vindouras.

CURTAS

  • No Championship o quadro mudou bem desde a última vez que falamos no assunto.
  • Pra começo de conversa o Southampton (59 pontos em 32 jogos) perdeu a liderança para o West Ham (60 em 31), e sofre a aproximação de Birmingham e Reading (54 em 31).
  • Para complicar, a distância entre 3o e 8o colocados é de apenas 4 pontos, sendo que o Hull, 8o, tem um jogo a menos que o Birmingham.
  • Na rabeira, quem escorrega agora é o Portsmouth que, com cinco derrotas e um empate nos últimos sete jogos, caiu para a 22a colocação.
  • Sorte do Nottingham Forest, que tem os mesmos resultados, mas pelo menos venceu na última rodada – e é agora o último entre os que não cairiam.
  • A League One continua tendo o Charlton (69 pontos em 31 jogos) na liderança, perseguido pelos times de Sheffield: o United é o 2o, com 62 em 30, e o Wednesday, o terceiro, com 57 em 32.
  • Huddersfield (55 em 30) e MK Dons (55 em 31) vem a seguir, seguidos pelo Stevenage (48 em 28) .
  • Na League Two o AFC Wimbledon continua inconsistente: depois de perder 6 seguidas engatou uma série de três vitórias, duas derrotas e dois empates. Os Dons estão em 17o, 10 pontos acima da zona de rebaixamento.

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Equipe Trivela

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