Inglaterra

62 milhões jogados fora: Tottenham rescinde com maior contratação da história do clube

Tanguy Ndombélé deixa Spurs de graça após cinco anos de mais baixos do que altos e três empréstimos

Foram cinco anos de mais baixos do que altos entre Tottenham e Tanguy Ndombélé. Contratado em 2019 por 62 milhões de euros, o francês se tornou o maior investimento da história do clube londrino, que, no fim, se provou um mau negócio.

Foram apenas 90 partidas no período pelos Spurs, três empréstimos (Lyon, Napoli e Galatasaray) até o fim do acordo entre atleta e time.

Segundo o site Foot Mercato, Ndombélé e a equipe do norte de Londres concordaram em rescindir de forma amigável.

Ou seja, a partir da abertura da janela de transferências para 2024/25, o meio-campista poderá assinar com qualquer clube de graça.

É o fim de uma relação que não deu liga desde o início, e culminou em uma rescisão que frustra o torcedor pelo tamanho do investimento.

Ndombélé chegou à Inglaterra na era dos bons meias franceses

O futebol inglês se acostumou a ver ótimos meio-campistas franceses desfilando na Premier League. Desde Claude Makélélé e Patrick Vieira até N’Golo Kanté e Paul Pogba.

Ndombélé não chegou com esse status, mas era uma promessa para o meio-campo, contratado com boas expectativas do Lyon – que pareciam justificar os 62 milhões de euros investidos – a pedido do técnico Mauricio Pochettino.

A carreira dele na base teve vários clubes: Épinay Sous Sénart, d’Épinay Athletico, Linas-Montlhéry, Guingamp e Amiens.

Só no último que veio a ascensão meteórica, atuando 31 partidas na Ligue 2 2016/17, na transição dos 17 para os 18 anos, que o credenciaram para mudar para Lyon, primeiro como empréstimo, depois em definitivo por 8 milhões de euros.

Nos Gones, viveu duas temporadas de altíssimo nível, normalmente como um dos meias do 4-3-3 montado pelo técnico Bruno Génésio. Tanguy era bom no passe, tinha força física e intensidade.

Foram os dois anos com mais jogos na carreira de Ndombélé: 47 partidas em 17/18 e 49 em 18/19. Marcou quatro gols e distribuiu 15 assistências.

Nesse período, ele já começou a defender a seleção francesa. Começou no sub-21 dos Les Bleus, fazendo a transição para o profissional no fim de 2018.

A mudança ao Tottenham freou a ascensão, mesmo encontrando um elenco cheio de compatriotas para facilitar a adaptação, casos de Moussa Sissoko, Hugo Lloris e Serge Aurier.

Na temporada inaugural, fez apenas 29 jogos, 20 a menos que na anterior, castigado por cinco problemas físicos – além de ver o cara que pediu sua contratação ser demitido.

Na seguinte, mesmo com José Mourinho, um desafeto público, emplacou o melhor momento na Inglaterra com 46 jogos, seis gols e quatro assistências.

Mas isso não teve continuidade. Muitas vezes criticado pela pouca intensidade e um claro desinteresse quando estava em campo, emplacou três empréstimos em dois anos e meio sem um grande destaque, seja na França, Itália ou Turquia.

Além do prejuízo óbvio no dinheiro pago ao Lyon, o Tottenham dava um salário anual de 10 milhões de libras para o atleta, segundo a ESPN.

Tottenham virou ‘gastão’ nos últimos anos

Richarlison é a segunda maior contratação da história do Tottenham (Foto: Icon Sport)

Apesar de parte do Big Six, o grupo de clubes mais ricos da Premier League, a liga mais rentável do mundo, o Tottenham nunca foi muito “gastão“.

Isso ficava claro no discurso do presidente Daniel Levy, sempre levando em consideração os resultados financeiros e pouco os esportivos.

Em alguns momentos, preferia vender a contratar, e isso atrapalhou para que o clube conquistasse títulos – o último veio em 2008.

Aos poucos, os Spurs mudaram esse perfil, especialmente após Ndombélé. No top-10 maiores contratações da história do time londrino, segundo o Transfermarkt, sete são desde 2019, sem contar o francês.

Atrás de Ndombélé está o brasileiro Richarlison, comprado por 58 milhões de euros em 2022 junto ao Everton, e Brennan Johnson, promissor galês do Nottingham Forest, vindo no ano passado pela quantia de 55 milhões.

As 10 maiores contratações da história do Tottenham

  1. Ndombélé (2019): 62 milhões de euros
  2. Richarlison (2022): 58 milhões
  3. Brennan Johnson (2023): 55 milhões
  4. Cristian Romero (2022): 52 milhões
  5. James Maddison (2023): 46,3 milhões
  6. Davinson Sánchez (2017): 42 milhões
  7. Pedro Porro (2023): 40 milhões
  8. Micky van de Ven (2023): 40 milhões
  9. Moussa Sissoko (2016): 35 milhões
  10. Giovani Lo Celso (2020): 32 milhões
Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.
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