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Torcedores pressionam Premier League a aumentar salários de funcionários e conseguem reunião

A riqueza da Premier League já chegou a basicamente todos os níveis da elite do futebol inglês. Entretanto, a exceção existe, e há funcionários que ainda não recebem sequer o chamado “salário de vida”. A pressão pela introdução desse novo piso salarial já era grande, mas com o novo acordo dos direitos de televisão do torneio cresceu ainda mais. Após juntar mais de 50 mil assinaturas em uma petição online no site change.org, Joel Sharples, de 25 anos, torcedor do Tottenham e representante da organização Football Beyond Borders, conseguiu uma reunião com representantes da Premier League.

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Nesta quinta-feira, Sharples se encontrará com Bill Bush, chefe de políticas da Premier League. “Espero que o Bill Bush reconheça a grande repulsa com a desigualdade nojenta nos clubes de futebol e comece a dar passos para implementar o ‘salário de vida'”, comentou o torcedor. A Football Beyond Borders, organização que busca diminuir desigualdades através do futebol, iniciou a petição há apenas uma semana.

Diferentemente do salário mínimo, que leva em conta apenas o necessário para a subsistência e às vezes precisa ser complementado por políticas assistencialistas, o “salário de vida” (tradução literal de “living wage“) é o valor com o qual uma pessoa consegue ter um padrão de vida decente, seguro e inclusivo. Enquanto o salário mínimo inglês está avaliado em 6,5 libras por hora, o “salário de vida” vale £ 9,15 em Londres e £ 7,85 no restante do país.

Logo após o anúncio do novo acordo de direitos de televisão, de mais de € 2,6 bilhões, Richard Scudamore, diretor executivo da Premier League, foi questionado se o aumento significativo nas verbas significaria que finalmente esses funcionários, como stewards e equipes de limpeza dos estádios, teriam o “salário de vida”. A resposta do dirigente foi transferir a responsabilidade para políticos. “No fim do dia, tem um negócio chamado ‘salário de vida’, mas também tem um salário mínimo, e os políticos é quem têm o poder para aumentar esse salário mínimo. Isso cabe inteiramente aos políticos, não a nós”, afirmou, em entrevista à rádio BBC 4.

O processo ainda está em fase preliminar, mas o fato de uma reunião ter sido marcada representa um passo maior que qualquer outro dado em direção a essa remuneração mais justa. Outro forte argumento desses torcedores, além dos valores astronômicos do acordo de TV, é de que não é possível que em um campeonato em que atletas cheguem a ganhar £ 300 mil por semana, como Wayne Rooney, outros trabalhadores, importantes para o funcionamento da liga e para os bastidores do espetáculo, ganhem tão pouco.

Scudamore defende-se, afirmando que não sabe qual caminho cada clube tomará com as novas rendas e que isso não está sob seu controle, o que é verdade. Mas tanto ele quanto qualquer outro dirigente forte da Premier League, como o próprio Bill Bush, podem abrir caminho para a introdução de pelo menos uma política que garanta que funcionários de todos os 20 clubes da elite recebam um salário pelo menos um pouco mais proporcional às cifras quase vulgares a que a liga chegou.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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