Soberano
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Na matemática, ainda não se pode dizer que o Manchester United é campeão inglês. Na prática, entretanto, se não empatar (pelo menos) com o Blackburn fora na próxima rodada, é impossível que a equipe de Alex Ferguson seja derrotada pelo Blackpool em sua própria casa – ou seja, o título volta para Old Trafford em no máximo duas semanas.
Não é só que os Red Devils garantiram o troféu com antecedência. Não é só que o teriam feito antes mesmo, se o Chelsea não tivesse sido beneficiado por dois erros gritantes de arbitragem diante do Tottenham. É, muito mais que isso, o 19o título inglês dos mancunianos. O Manchester United de Alex Ferguson é o maior da Inglaterra não nesta temporada, mas em todos os tempos.
Um título incontestável, mas com um sabor diferente dos últimos. Desta vez, é difícil apontar uma estrela na equipe, um nome que tennha feito a diferença. Van der Sar, sem dúvida, é um. Giggs, outro. Vidic, garantindo o bom trabalho da defesa mesmo sem ter Ferdinand ao lado, é apontado por muitos como o melhor jogador do ano. E mesmo Rooney tem defensores: sendo menos artilheiro, tornou-se mais útil para os colegas, que marcaram como há muito não marcavam.
Os artilheiros são dois, um marcou mais, mas é do outro qe todos falam. Berbatov fez 21 gols no campeonato, sendo que 8 deles abriram o placar. Nos grandes jogos, entretanto, Berba só anotou contra o Liverpool. Se o búlgaro foi mais efetivo no começo e meio da campanha, em seu final foi Javier Chicharito Hernández quem apareceu. Fez 12 gols, dois a mais que Rooney. E também só marcou contra o Liverpool entre os grandes.
O título, entretanto, desta vez é muito pouco dos artilheiros. É, na realidade, muito pouco de um grupo de onze jogadores. Desta vez, ainda que tenha sido por necessidade, Ferguson usou, e bem, seu elenco. Só oito jogadores começaram mais do que 20 jogos como titulares, e só três – Van der Sar, Vidic e Evra – mais que 30. Evra, aliás, é provavelmente o mais subvalorizado dos jogadores do United, embora tenha sido, com 34 aparições nos 36 jogos até aqui – 33 delas como titular – o mais presente em campo.
Do resto do pelotão, destaca-se Nani, com seus nove gols e numerosas (não tenho aqui as estatísticas agora, mas são numerosas) assistências. E merecem menção Park, que marcou quatro vezes, uma delas para derrotar o Arsenal em Old Trafford, e Carrick, finalmente se aproximando de ser o que o United pagou caro para que ele fosse. Até Valencia, entretanto, foi importante em suas seis aparições. No jogo que decidiu a fatura neste final de semana, o equatoriano infernizou Ashley Cole, e deixou no ar enorme expectativa para a próxima temporada.
A próxima temporada, é claro, é outro papo. O United, mais uma vez, dependeu demais de Ryan Giggs nesta temporada. Rio Ferdinand, que já passou um bom tempo fora, provavelmente nunca mais será tão seguro. E, principalmente, seja quem for o goleiro dos Devils, não será Edwin van der Sar.
Isso, entretanto, será em 2012. Em 2011 o título inglês é do soberano Manchester United. O campeão inglês de 2011 é o maior campeão da história do futebol inglês.