Seis motivos que tornam esse Liverpool x United mais imperdível do que de costume
Quando Liverpool e Manchester United entram em campo para se enfrentar, levam consigo 38 títulos ingleses e uma rica história de rivalidade. São os dois clubes mais vitoriosos do país, nacional e internacionalmente. O episódio 191 desse confronto será realizado no próximo domingo, e vários elementos o tornam ainda mais imperdível do que ele costuma ser, dos roteiros pessoais das estrelas ao combate de filosofias. Sem contar tudo que está em jogo.
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O último do capitão
O circuito de despedida de Gerrard continua e, neste final de semana, desembarca em uma partida que lhe causa sentimentos conflitantes. Por um lado, seu retrospecto contra o Manchester United não é muito bom, com 13 vitórias, dois empates e 19 derrotas em 34 partidas. Por outro, ninguém vazou mais o rival do que ele com a camisa do Liverpool. Foram nove gols desde 2001, quando marcou o seu primeiro contra eles. Superou, na temporada passada, os oito de Dick Forshaw e os sete de Harry Chambers e Gordon Hodgson.
Embora não tenha tanta sorte contra o Manchester United, alguns jogos são memoráveis. Como a final da Copa da Liga de 2003, quando fez um dos gols da vitória por 2 a 0. Ou aquela goleada impressionante por 4 a 1, em 2009, e a vitória na temporada passada por 3 a 0, ambas em Old Trafford.
Brendan Rogers não confirmou seu capitão desde o início no jogo do próximo domingo. Gerrard, 34 anos, volta de lesão e o time encaixou muito bem durante a sua ausência. Mas dificilmente o treinador o privará de uma última chance de brilhar contra o Manchester United. Nem que seja apenas por serviços prestados, ele merece.
Rooney desencanta em Anfield?
Se para Gerrard, Anfield Road é o jardim de casa, para Rooney é um campo hostil. Não apenas porque foi revelado pelo Everton e se consagrou pelo Manchester United, os dois principais rivais dos torcedores que lotam as arquibancadas do estádio, mas também porque nunca teve muita sorte naqueles metros quadrados. Foram dez partidas em toda a sua carreira, inclusive duas pelo clube azul da cidade, e apenas um gol: em 2005, seu primeiro clássico pelo United. Desde então, jogou sete vezes nesse estádio e não só passou em branco como deu apenas dois chutes a gol.
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O auge de Rooney já passou, mas a temporada atual é uma das suas melhores recentemente. É líder e o melhor jogador do time ainda meio bagunçado de Van Gaal, seja escalado no ataque ou no meio-campo. Tem 11 gols em 25 partidas e três nos últimos quatro jogos de Premier League. Não é um desempenho comparável aos seus melhores, quando era certamente colocado entre os principais atacantes do mundo, mas anima a torcida. E ele próprio, provavelmente muito motivado para encerrar sua seca em Anfield.
O enigma de Van Gaal
Louis van Gaal tem uma escolha para fazer. Ao lado da vitória por 3 a 0 sobre o Liverpool no primeiro turno, a última apresentação do Manchester United no Campeonato Inglês contra o Tottenham foi a melhor da temporada. O técnico holandês formou o meio-campo com Carrick, Fellaini e Herrera, e o ataque, com Ashley Young, Mata e Rooney. O problema: Robin Van Persie e Angel Di María voltam de lesão. O que ele fará? Mantém o time que destroçou os Spurs ou modifica a escalação para encaixar as estrelas?
Filosofias diferentes
Manchester United e Liverpool movimentaram-se bastante antes do início da temporada, mas em direções diferentes. Van Gaal foi nas estrelas. Gastou seus milhões em Di María, Falcao, Luke Shaw e Ander Herrera. Mas o retorno não vem sendo tão bom assim. Herrera agrada, mas o atacante colombiano ainda parece sem condições de retomar o ritmo das temporadas passadas depois de se machucar seriamente. O meia argentino também não repetiu as atuações que teve pelo Real Madrid e passo um tempo fora por lesão.

Brendan Rodgers precisava de elenco. Foi vice-campeão em 2013/14 muito em função de disputar poucas partidas. Não estava em competições europeias e caiu cedo nas copas nacionais. Disputaria, porém, a Champions League e tinha o planejamento de avançar em todos os torneios. Gastou o dinheiro de Luis Suárez em várias peças, de revelações, como Markovic e Emre Can, a jogadores experientes, como Rickie Lambert.
Demorou um pouco para as novas peças engrenarem, e o Liverpool como um todo sofreu coletivamente sem Suárez e Sturridge, machucado boa parte da temporada. Mas Rodgers achou um esquema para encaixar todo mundo e equilibrar a equipe, com Can no trio de zaga, Markovic, Moreno, Lallana ou o jovem Jordan Ibe pelas alas, e um triângulo de ataque formado idealmente Coutinho, Sterling e Sturridge. O que se vê desde o final do ano passado é um time sem grandes estrelas, mas coeso. Domingo, enfrentará uma equipe ainda sem identidade, mas cheia de craques.
O fim de um ciclo e revanche
O jogo do primeiro turno foi um divisor de água para ambos, ao encerrar uma sequência de seis vitórias seguidas do Manchester United e iniciar a arrancada do Liverpool. Em Old Trafford, as falhas defensivas do time visitante, pela primeira vez na temporada com três zagueiros, foram fatais na derrota por 3 a 0. O ataque produziu bem, e David de Gea saiu de campo consagrado. O desempenho satisfez Rodgers que manteve o esquema. Desde então, não perdeu mais pela Premier League: 10 vitórias e três empates.
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Para o Manchester United também foi uma partida marcante porque, na sequência, ele entrou em um espiral descendente e ganhou apenas um jogo em cinco. A vaga na Champions League e o terceiro lugar que pareciam assegurados começaram a ser ameaçados. A recuperação recente (19 pontos em 24 possíveis) mantém o time em boa posição na tabela. Mas…
Basicamente uma final por vaga na Liga dos Campeões
Todos os caminhos, os altos e baixos, a longa e dura temporada, convergiram para esse jogo. Os resultados do último final de semana colocaram o Manchester United em quarto lugar 56 pontos e o Liverpool em quinto com 54. Uma vitória do atual vice-campeão o eleva à zona de classificação à Champions League, a oito rodadas do final. Uma derrota deixa o rival com uma confortabilíssima vantagem para administrar. Pode não estar valendo títulos, como os torcedores desses times se acostumaram com o passar dos anos, mas tem muita coisa em jogo.



