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Scholes: “Barça, Real e Bayern venceriam a Premier League com 15 pontos de vantagem”

O momento não é de grande prestígio para o futebol inglês. A derrota por 5 a 2 do Everton para o Dynamo Kiev decretou a quebra de uma marca negativa: pela primeira vez desde a temporada 1992/93 a Inglaterra não conseguiu classificar algum representante para as quartas de final dos torneios continentais. O número por si só é ruim, mas a maneira como esse fracasso aconteceu, sobretudo na Champions League, acendeu um sinal de alerta no país. Enquanto alguns preferiram culpar a maratona de jogos já tradicional na época de festas, Paul Scholes teve uma visão um pouco divergente, mas sem deixar de criticar o futebol inglês. Para ele, Barcelona, Real Madrid e Bayern de Munique, por exemplo, venceriam a Premier League por até 15 pontos de diferença.

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Já aposentado, Scholes agora compartilha seu conhecimento com os telespectadores da ITV e com os leitores do jornal Independent. No periódico, o ídolo do Manchester United escreveu sobre o vexame dos ingleses em nível continental. “Nas últimas duas semanas, nossos treinadores e jogadores pareceram de segundo escalão na Champions League. Se você colocar Barcelona, Real Madrid ou Bayern de Munique na Premier League, eles a venceriam com um diferença de dez ou até 15 pontos. Mesmo o PSG e a Juventus parecem times melhores que qualquer um desses atualmente no topo da Premier League”, afirmou Scholes.

O inglês ponderou que, de fato, a liga de seu país conta com oponentes da segunda metade da tabela mais fortes do que em outros países, mas, para ele, isso não apaga o insucesso continental recente. “Não é como se os times nunca tivessem conseguido combinar sucesso doméstico com a Champions League no passado (…). Jogamos 63 jogos na temporada em que vencemos a tríplice coroa, em 1999, e não lembro de me sentir cansado uma vez sequer”, recordou.

O motivo pela má fase internacional dos clubes ingleses é bastante simples, na visão de Scholes. Para o ex-jogador, os outros times simplesmente têm melhores jogadores em seus elencos. “O ponto dos fracassos dessa temporada? Acho que os dois grandes da Espanha e o Bayern simplesmente têm melhores jogadores que os times ingleses na Champions League”, decretou. No entanto, sua análise não o impediu de apontar os erros cometidos pelos times do país: “Havia maneiras de vencer o Barcelona, e, na noite de quarta-feira, o City mostrou como não fazê-lo”. Em relação ao Arsenal, indicou a complacência e arrogância dos Gunners no primeiro jogo, a derrota por 3 a 1 para o Monaco em pleno Emirates Stadium, como principais fatores, enquanto o Chelsea fracassou ao criar tão poucas chances contra o PSG, sobretudo em Paris.

As quedas precoces na Champions League seguem uma tendência que temos visto nas últimas temporadas, com a Premier League indo de três representantes nas semifinais de 2009 a essa representação nula nas quartas de final de 2015. Mas há, sim, algo particular desta campanha 2014/15, acontecendo no futebol inglês. O Chelsea lidera a Premier League com seis pontos de vantagem e um jogo a menos em relação ao City, segundo colocado. Esses números poderiam significar uma distância técnica relevante entre os Blues e os outros, mas, em vez disso, apenas evidenciam a falta de competência dos outros.

O próprio Manchester City, por exemplo, é o segundo colocado apesar de ter vencido apenas quatro de seus últimos dez jogos. O Arsenal, terceiro colocado, passou grande parte do campeonato sendo questionado, com Arsène Wenger sofrendo uma pressão sem precedentes pela série de resultados ruins e falta de qualidade do time em determinado momento, e o Manchester United, que aparece na quarta colocação com apenas dois pontos a menos que o City, poderia muito bem estar por volta do sétimo lugar, tamanhas são as críticas que recebeu em quase toda a temporada. É um ano atípico para o futebol inglês dentro de si próprio. Era apenas natural que isso resvalasse nas campanhas europeias, diante de adversários muito mais preparados.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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