Rooney fora do United: há razão para alarde?
O banco de reservas contra o Real Madrid foi a chave para as especulações. Os jornais ingleses já começam a bradar que Wayne Rooney será negociado pelo Manchester United na próxima temporada e disparam para todos os lados, apontado para PSG, Man City, Chelsea, Anzhi, Juventus e para os próprios merengues. Obviamente, ser preterido em um jogo decisivo e contra um rival fortíssimo demonstra que o camisa 10 não é tão essencial na visão de Sir Alex Ferguson. Mas será que a exclusão é realmente um sinal da saída de Rooney?
Em seu passado recente, o United não demonstrou tanta gratidão na hora de se desfazer de alguns de seus ídolos. David Beckham, Ruud van Nistelrooy e Jaap Stam são exemplos de jogadores que Ferguson não fez tanta questão de manter, mesmo distantes do fim de suas carreiras – e, de fato, nunca mais renderam tanto quanto em Old Trafford. O debate em torno de Rooney gira exatamente sobre este ponto: se, na avaliação do técnico, o atacante já atravessou seu auge. Ao menos neste ponto, seus números não indicam tal decadência.
O novo Rooney de 2012/13
Desde a chegada de Robin van Persie, Rooney precisou se reinventar no Manchester United. Deixou de ser a referência ofensiva para atuar como segundo atacante (no 4-4-2) ou meia central (4-2-3-1). E a adaptação do camisa 10 às novas funções foi boa. Com nove assistências, o inglês é o líder do quesito na Premier League e possui a melhor média de passes para finalização do clube.
Mesmo com a dinâmica alterada, sua média de gols também não é das piores. São 11 gols em 20 aparições na liga, 0,55 a cada jogo – uma marca inferior apenas às registradas em 2009/10 e 2011/12. Desses tentos, todos vieram em vitórias dos Red Devils na competição e sete valeram o empate ou a vantagem ao time.
Somente em 2013, Rooney marcou sete gols em 11 partidas, uma marca superior à de Van Persie, com seis tentos em 14 jogos – e apenas um nas últimas nove aparições. O holandês, aliás, já não demonstra o mesmo faro de gol das últimas semanas de 2012. Apesar do empenho demonstrado contra o Real Madrid, o artilheiro não foi bem nos dois jogos, desperdiçando chances nas quais costuma marcar – e que poderiam ter sido decisivas para os rumos do confronto.
O empecilho físico
Em contrapartida, a condição física de Rooney seria a principal questão que colocaria em xeque sua permanência em Old Trafford. No início da temporada, Ferguson comentou publicamente as dificuldades do atacante para entrar em forma. Além disso, o inglês sofreu quatro lesões desde agosto, ficando afastado do time por um período acumulado de dez semanas.
Das 29 partidas que fez pelo clube na temporada, Rooney permaneceu o tempo todo em campo em 17 delas – sua média é de 76 minutos em campo por aparição. O atacante é o sexto jogador do elenco com mais minutos em campo, mas bem abaixo dos cinco primeiros. E não são grandes as perspectivas de que o jogador de 27 anos pudesse melhorar esses números, dado seu histórico de brigas contra a balança.
Quem levaria?
Outra situação indicada que poderia pesar contra Rooney: Por que o United manteria um jogador tão caro se ele é dispensável ao time titular? Em 2010, Ferguson sacrificou o atacante contra o Bayern Munique, mesmo com um problema nos ligamentos do tornozelo. Nesta semana, o deixou em campo durante os 90 minutos contra o Norwich, três dias antes do confronto decisivo com o Real Madrid, talvez já pensando em mantê-lo no banco.
A estimativa é de que Rooney arrecade por semana a bagatela de € 240 mil. Não por menos, a imprensa inglesa aponta que o atacante deverá custar “apenas” € 24 milhões, mesmo tendo mais dois anos de contrato com os Red Devils. Segundo o site Transfermarkt, o preço de mercado do camisa 10 está estabilizado desde fevereiro de 2012, avaliado em € 65 milhões. São poucos os clubes capazes de cobrir a oferta. Apesar da rivalidade, o Manchester City é o primeiro a aparecer como candidato a levar Rooney, ao lado do PSG.
Sem conspiração
Antigo assistente de Alex Ferguson, Steve McClaren buscou uma solução mais simples para o enigma. “Todos na imprensa procuram controvérsia e encontraram na decisão de Ferguson. Foi uma decisão feita no melhor interesse para o United vencer o jogo”, declarou, em entrevista à Sky Sports. Em uma visão mais pura da questão, é possível compreender a escolha do técnico sem partir para extremismos.
De fato, Rooney não rendeu o esperado na marcação pelo lado direito do meio-campo no Santiago Bernabéu e a melhora do setor com Ryan Giggs foi visível em Old Trafford. Além disso, Fergie optou por Welbeck no ataque. Trocou o poder de definição e o talento do camisa 10 pelo vigor físico do garoto, capaz de incomodar Xabi Alonso na saída de jogo e potencializar os contra-ataques. Uma estratégia que funcionou muito bem até a expulsão de Nani.
A resposta para toda essa discussão só será obtida na sequência da temporada. A partir de agora, o Manchester United se dedicará apenas à Premier League e à Copa da Inglaterra. A exigência física sobre Rooney será bem menor e, a não ser que Ferguson queira reconfigurar o estilo de jogo dos Red Devils, é difícil imaginar o camisa 10 fora da equipe sem motivos aparentes. Uma transferência ao final da temporada só deve acontecer se o clube concordar que o custo-benefício não vale a pena.