Futebol inglês

Quais as saídas do Arsenal no mercado agora que Vinícius Junior escolheu o Real Madrid?

Renovação do brasileiro com o Real Madrid encerra o sonho do Arsenal por uma contratação transformadora

Por alguns dias, o Arsenal acreditou que poderia fazer algo que mudaria não apenas seu elenco, mas também a própria Premier League. O interesse por Vinícius Junior era visto internamente como um jogador capaz de alterar o patamar esportivo do clube, exatamente o tipo de estrela que raramente fica disponível.

A situação contratual no Real Madrid abriu uma pequena janela de oportunidade, e os Gunners decidiram observá-la atentamente. Mas ela se fechou. As conversas entre Vinícius e o Real Madrid avançaram de forma significativa nos últimos dias, com o clube espanhol apresentando uma proposta melhorada de renovação — até que, segundo o “The Athletic”, Vini aceitou ficar na Espanha.

A decisão do brasileiro obriga o Arsenal a voltar para um mercado muito mais complicado do que parecia algumas semanas atrás. O problema é que a necessidade dos Gunners não desaparece junto com Vinícius.

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Vinícius Junior era uma exceção, não apenas um reforço

Existe uma diferença importante entre contratar um ótimo ponta e contratar Vinícius Junior. O brasileiro não era apenas mais um nome da lista de Andrea Berta, mas uma oportunidade de mercado praticamente irrepetível.

Pouquíssimos jogadores no futebol mundial chegam disponíveis depois de protagonizar títulos da Champions League, decidir clássicos, ser eleito o melhor jogador do mundo pela Fifa e ainda estar no auge físico. Era exatamente isso que justificava um investimento superior a 150 milhões de libras para os ingleses.

Vini Jr em jogo do Real Madrid
Vini Jr em jogo do Real Madrid. Foto: IMAGO / Ball Raw Images

É por isso que comparar Vinícius com Bradley Barcola, por exemplo, outro alvo dos Gunners, acaba sendo injusto para o francês. Barcola é um excelente jogador, evoluiu muito no PSG, tornou-se mais completo sem a bola e oferece profundidade, velocidade e capacidade de desequilíbrio. Ainda assim, ele não entrega aquilo que Vinícius entrega.

Não decide jogos grandes na mesma frequência, nem atrai marcações da mesma maneira e não muda sozinho o plano defensivo do adversário. E isso faz toda a diferença quando um clube pensa em investir cifras superiores a 100 milhões.

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O Arsenal continua precisando de um desequilibrador

O ataque dos Gunners já teve mudanças: perdeu Leandro Trossard e o repôs com Christos Tzolis, que teve números excelentes na Bélgica. O clube ainda mantém uma política bastante rígida de estabelecer um teto financeiro para cada alvo — algo que ficou evidente nas negociações frustradas por Morgan Rogers e também nas conversas envolvendo Bruno Guimarães. 

Mas existe uma posição que continua parecendo incompleta: o lado esquerdo do ataque. Gabriel Martinelli continua sendo um jogador muito útil dentro da ideia de Mikel Arteta. Sua intensidade sem bola, capacidade de atacar profundidade e participação defensiva fazem dele uma peça importante para um time que vive de controle territorial.

O problema aparece quando o Arsenal precisa quebrar defesas organizadas. Nesses cenários, Martinelli raramente domina partidas individualmente. Tzolis é um atacante agressivo, finaliza bem, chega de uma grande temporada e oferece características interessantes. Mas ninguém dentro do Arsenal imagina que ele seja um jogador capaz de disputar uma Bola de Ouro nos próximos anos. Vinícius poderia.

Gabriel Martinelli em atuação pelo Arsenal (Foto: IMAGO / Sportimage)
Gabriel Martinelli em atuação pelo Arsenal (Foto: IMAGO / Sportimage)

Ainda existe uma crítica recorrente ao Arsenal nas últimas temporadas: o time controla quase todos os jogos, mas, em partidas de Champions League ou contra adversários que aceitam defender durante noventa minutos, às vezes falta aquele jogador capaz de produzir algo onde aparentemente não existe espaço.

Foi justamente isso que Arteta enxergou em Vinícius.

O brasileiro é um atacante que transforma ataques comuns em situações de gol e que aceita receber cercado por dois ou três marcadores. É um perfil diferente daquele normalmente buscado pelo treinador espanhol.

Arteta costuma privilegiar jogadores extremamente disciplinados taticamente. Vinícius, em compensação, muitas vezes vive do caos, e talvez justamente por isso fosse tão fascinante imaginar esse casamento — e poderia ser o que o Arsenal mais precisaria

O mercado oferece boas opções, mas nenhuma tão completa

Agora o Arsenal volta para uma realidade bem menos confortável. Barcola continua sendo um dos nomes acompanhados pelo clube, mas o PSG faz jogo duro e avalia o francês em valores superiores a 100 milhões de euros. O Arsenal gosta do jogador, mas há dúvidas internas sobre pagar uma quantia tão elevada por alguém que, embora excelente, ainda não pertence ao grupo dos grandes protagonistas do futebol europeu. 

Julián Alvarez continua sendo outro sonho de Arteta. O problema é que o Atlético de Madrid mantém a postura há meses: o argentino simplesmente não está à venda. Nesse cenário, outros nomes inevitavelmente ganham força.

Rafael Leão talvez seja o mais interessante. O português reúne exatamente aquilo que o Arsenal procura: explosão física, capacidade de vencer duelos individuais, condução em velocidade e poder para decidir partidas sozinho. Ao mesmo tempo, continua sendo um jogador irregular em determinados aspectos sem bola, algo que certamente exigiria adaptações dentro do modelo extremamente coletivo de Arteta.

Ainda assim, entre os atacantes potencialmente disponíveis no mercado europeu, poucos oferecem um teto tão alto quanto o jogador do Milan. Também existem alternativas de perfil diferente, jogadores menos midiáticos, mas capazes de crescer dentro do sistema do Arsenal, mas nenhuma delas produz a mesma sensação que Vinícius produzia.

O desafio do mercado do Arsenal sob Andrea Berta

Arteta durante amistoso do Arsenal contra o Real Betis
Arteta durante amistoso do Arsenal contra o Real Betis (Foto: PA Images / Icon Sport)

Há outro aspecto importante na história: desde que assumiu o comando do departamento de futebol, Andrea Berta deixou claro que pretende fugir de leilões. O Arsenal aceita investir pesado, mas apenas quando acredita estar pagando por um jogador verdadeiramente transformador.

Foi exatamente por isso que o clube não entrou na disputa financeira por Morgan Rogers quando o Aston Villa elevou drasticamente suas exigências e o Chelsea decidiu quebrar o recorde britânico para contratá-lo.

O mesmo raciocínio vale agora: pagar 150 milhões por Vinícius parecia justificável porque o brasileiro já provou ser capaz de decidir finais de Champions League, carregar um dos maiores clubes do mundo durante temporadas inteiras e produzir em altíssimo nível contra qualquer adversário. Pagar praticamente a mesma quantia por jogadores que ainda buscam esse status é completamente diferente.

Mas perder Vinícius Junior não significa que o Arsenal terá uma janela decepcionante. O clube continua atento ao mercado, possui margem financeira e mantém diversos alvos monitorados. Além disso, a postura adotada por Berta reduz o risco de depender exclusivamente de uma negociação. Mas a frustração faz sentido.

Oportunidades como essa aparecem muito raramente. Jogadores do nível de Vinícius Júnior quase nunca chegam ao mercado antes dos 30 anos. Agora, Arteta volta à realidade de um mercado em que quase todos os grandes pontas são extremamente caros, e poucos entregam aquilo que o brasileiro já provou ser capaz de oferecer.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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