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Quando o coletivo não vai bem, o Chelsea ainda pode contar com Hazard para desequilibrar

Depender de apenas um jogador nunca é coisa boa para um time que briga pelo título. O Chelsea parece tão à frente de seus concorrentes na Premier League justamente por ter o conjunto mais forte, com boas opções em todas as posições e um jogo coletivo muito forte. Ainda assim, haverá aquelas ocasiões em que as coisas não dão certo. E é aí que entra a individualidade, com a qual os Blues contam também de maneira que os diferencia dos outros. Há diversos atletas à disposição de José Mourinho com capacidade de mudar um jogo, e Eden Hazard é o principal deles. Neste sábado, na vitória por 2 a 0 sobre o Hull City, isso ficou muito evidente.

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Em parte pela ausência de Fàbregas e também pela atuação apagada dos que estiveram em campo, o Chelsea não teve um jogo muito fluído, de criação constante de jogadas de ataque como tem sido comum nesta temporada. Diante dessa dificuldade, o belga, de 23 anos, mostrou mais uma vez seu poder de decisão. Primeiro com um gol de cabeça, apesar da baixa estatura, logo no início do jogo. Depois, com boa jogada individual e passe para o gol de Diego Costa, que passou em branco nas duas rodadas anteriores em que esteve em campo – além de ter desfalcado o time por suspensão em outra.

Hazard na Premier League 2014/15: 16 jogos – 6 gols – 5 assistências

Embora o trabalho coletivo não tenha sido muito bom, houve outros jogadores que fizeram bem seu papel. O regular Matic foi bom na contenção como sempre, e Oscar se movimentou bem, estando sempre próximo da bola e dando a assistência para o primeiro gol de Hazard. No entanto, nenhum deles com um fator de desequilíbrio tão grande como o belga. E não falo apenas por seu envolvimento direto em todos os gols do duelo, mas também pela mobilidade e capacidade de criar chances de perigo seja pela esquerda ou pela direita. Veloz, driblador e conhecedor do caminho da rede. Construindo-se gradativamente como o grande craque do time, no presente e também no futuro próximo

Além de saber vender peças que estavam encostadas em seu elenco, José Mourinho foi cirúrgico em suas contratações. Resolveu a carência de atacantes decisivos despachando Demba Ba e Fernando Torres e trazendo Diego Costa, Loïc Rémy e Drogba; no início do ano, buscara Matic, que rapidamente se tornou imprescindível para o esquema; com Fàbregas, ganhou um poder de criação incrível na transição entre defesa e ataque. Para todos os setores, tem alternativas de qualidade, que mantém quase o mesmo patamar de atuação dos titulares. Como o futebol não é uma ciência exata, não basta ter as melhores opções para se garantir os jogos, e é aí que entra a subjetividade, a jogada individual, e Hazard é capaz de exercer esse papel como poucos. Se o Chelsea tem um time completo, é também por contar com a inspiração de seu camisa 10.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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