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Pupilo de Mourinho, Karanka estaciona o ônibus e Boro segura Arsenal

Quem assistiu ao jogo entre Arsenal e Middlesbrough no estádio Emirates viu a estratégia de um time prevalecer sobre o outro. O time visitante estacionou o ônibus na frente da sua defesa e chamou o Arsenal. Mais do que isso: estava montado para matar o jogo no contra-ataque. Não conseguiu, mas saiu de campo com um empate sem gols que é sem dúvida melhor para o Boro do que para os Gunners.

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No Brasil, algumas vezes estratégia é visto como uma forma de um time tecnicamente mais fraco segurar um mais forte. Não é bem assim: o Barcelona tem uma estratégia e a utiliza com eficiência. Assim como o Arsenal. O time entrou nesta nona rodada com o melhor ataque da Premier League, ao lado do Manchester City, com 19 gols. É um time de troca de passes intensa, mas que aprimorou a sua objetividade para oferecer mais perigo ao time adversário. Desta vez não funcionou.

E olha que a fase era muito boa. O Arsenal vinha de sete vitórias consecutivas, contando todas as competições. Só na Premier League, eram seis vitórias seguidas. O time alcançou a mesma pontuação do Manchester City no topo da tabela, ficando em segundo apenas pelo saldo de gols. Do outro lado, a situação era inversa. O Middlesbrough vinha de sete jogos sem vencer na Premier League. Só conseguiu uma vitória na liga até aqui, na segunda rodada.

O time de Aitor  Karanka, assistente de José Mourinho nos anos de Real Madrid, de 2010 a 2013, estacionou o ônibus, como dizem na Inglaterra. O pupilo do Special One mostrou que aprendeu bem como jogar uma chave de fenda no motor do time adversário. No primeiro tempo, por exemplo, além de uma marcação incansável no seu campo, o Boro foi mais perigoso no ataque. Ameaçou mais abrir o placar que o time de Wenger.

No segundo tempo, o Arsenal conseguiu encontrar alguns espaços. Trocou passes no último terço do campo, mas viu a boa marcação do Boro ainda bem posicionada e praticamente não dando chances claras. O time da casa insistiu, mas os momentos de maior emoção foram os contra-ataques. Em um deles, Adama Traoré, que pode ter algumas deficiências técnicas, mas é muito valoz, arrancou suspiros dos torcedores. Ele arrancou em tamanha velocidade do seu campo que só parou na área do Arsenal, chutando para boa defesa de Petr Cech.

A insistência do Arsenal aumentou com a entrada de Lucas Pérez e de Oxlade-Chamberlain. O problema é que nenhum jogador do Arsenal tinha liberdade. Mesut Özil, talvez o principal jogador deste bom início de campanha dos Gunners, poucas vezes teve espaço para pensar. O que se viu foi um time com a bola e o outro postado, pronto a desarmar o adversário e tentar sair em velocidade.

No fim, empate por 0 a 0 no Emirates, que é ótimo para o Manchester City. Seus dois principais concorrentes na ponta da tabela tropeçam ao empatar. No aniversário de 67 aos de Arsène Wenger, ele não terá muito o que comemorar com este tropeço.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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