Pressão aumenta sobre Wenger com críticas de acionista do Arsenal
Um dos maiores técnicos do mundo está sob pressão. Arsène Wenger, no comando do Arsenal desde 1996, sofreu duras críticas de Alisher Usmanov, dono de 30% das ações do clube. O russo disse que o técnico não tem aprendido com os seus erros e que o Arsenal sofre com os mesmos problemas a cada temporada, com o time ficando para trás na disputa tanto na Premier League quanto em território europeu, na Champions League. Críticas que colocam o emprego do técnico sob risco, porque a pressão das arquibancadas pela demissão de Wenger já existe há algum tempo.
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“Ele é um dos melhores técnicos, não apenas da Europa, mas do mundo do futebol. Mas nós temos um provérbio russo que fiz: ‘Mesmo uma velha senhora tem um teto caindo sobre ela. Todo mundo comete erros. Ele pode cometer erros e eu sei que à medida que você erra é mais difícil e mais desafiador aceitar os erros. Wenger tem dinheiro ou não? Oficialmente há dinheiro no clube”, disse Usmanov, deixando claro que a política de gastar pouco do técnico francês não é uma decisão da diretoria.
“O Arsenal é um sonho que às vezes se torna uma miragem e às vezes uma dor”, afirmou Usmanov. “O potencial do time está lá, mas não há avaliação crítica dos erros. Nenhum gênio pode manter o nível de genialidade se eles não souberem entender seus erros. Nós apenas repetimos os mesmos erros ano após ano”, criticou o russo. “Nós precisamos fortalecer todas as posições para jogar no nível de times como Chelsea e Manchester City e na Europa como o Real Madrid, Barcelona, Paris Saint-Germain e outros clubes”, analisou um dos principais acionistas do Arsenal. “Eu gosto de Arsène e seus princípios”, afirmou ainda Usmanov. “Mas os princípios são uma espécie de restrição. E restrições são sempre possibilidades perdidas”, afirmou ainda Usmanov. O russo não gostou da atuação do time contra o Manchester United, no último sábado. Ele classificou o time como “defensivamente ingênuo”.
Vale lembrar que o projeto de Arsène Wenger era tornar o time do Arsenal forte o suficiente para brigar com ainda mais força com o Manchester United, potência de quando o francês assumiu o comando do time do norte de Londres. Ele venceu três vezes o Campeonato Inglês e cinco vezes a Copa da Inglaterra. O projeto de apostar em jovens jogadores era de longo prazo, mas não contava com um cenário de mudanças que o futebol mundial, e especialmente o inglês, passou nesse período, com bilionários do mundo assumindo clubes e os tornando potências, como aconteceu, especificamente, com Chelsea e Manchester City, times que não passavam nem perto de concorrer com o Arsenal de Wenger. O princípio de Wenger contratar jogadores jovens virou piada nos últimos anos, com o Arsenal brigando só por uma das vagas na Champions League.
Depois de 12 jogos, o Arsenal tem 17 pontos e é só o oitavo colocado, 15 pontos atrás do líder da Premier League, o Chelsea. A campanha não é boa a o time está longe demais da disputa pelo título. Mesmo com a classificação para a próxima fase da Champions League com boas possibilidades de acontecer, o time parece não ter força para ir muito além das oitavas de final. Resta saber o que o Arsenal quer. Arsène Wenger é um dos técnicos que mais entende de futebol no planeta, mas até mesmo o Manchester United caiu na vala comum de trocar de técnico antes do fim da temporada com David Moyes, depois da era Alex Ferguson ter durado 26 anos. Com o clube na pressão por lutar pelos títulos mais importantes, Wenger conseguirá sobreviver no cargo?



