Wenger diz que inauguração do Emirates foi o começo do “período mais difícil” de sua vida
O Emirates é um dos estádios mais modernos do mundo e representa uma significativa renda para o Arsenal. Mas foi caro. E o técnico Arsène Wenger afirmou, em entrevista à BT Sport, que o período imediatamente seguinte a sua construção, em 2006, foi o momento mais difícil da vida dele porque precisava manter o clube na Champions League, com pouco dinheiro à disposição e enquanto seus principais jogadores iam embora.
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O Arsenal trocou Highbury pelo Emirates, que fica exatamente no outro lado da rua do antigo estádio, em 2006/07, depois de gastar mais de £ 400 milões, de acordo com a revista inglesa Four Four Two. Neste mesmo período, os jogadores começaram a sair em busca de títulos, que estavam ficando raros naquela parte do norte da Inglaterra. Antes do bicampeonato da FA Cup, entre 2013 e 2015, o último troféu havia sido a Copa da Inglaterra de 2004/05. A final da Champions League do mesmo ano de 2006 também vale ser destacada.
O primeiro foi Ashley Cole, que trocou o Arsenal pelo Chelsea, naquele mesmo verão. Thierry Henry foi embora logo em seguida. Nos anos posteriores, Fàbregas, Clichy, Adebayor, Nasri e Van Persie também decidiram fazer as malas. E Wenger, junto com a sua já natural predisposição a não pagar altas quantias por jogadores, ficou com as mãos atadas para reformular o elenco porque o clube precisava pagar os empréstimos que pegou para construir o estádio
“Em 2006, começou o período mais difícil da minha vida porque nosso dinheiro estava restrito, precisávamos pagar muito dinheiro que estávamos devendo e tínhamos que vender nossos melhores jogadores e nos manter no topo”, afirmou o técnico francês. “Precisávamos ficar na Champions League e precisávamos deixar pelo menos 54 mil pessoas felizes. Hoje em dia, o dinheiro da televisão faz com que o peso da Champions League seja menor, mas, naquela época, era absolutamente necessário, então foi o período de mais pressão para mim, entre 2006 e 2014”.
Wenger também passou as contas do estádio: £ 4 mil por pessoas, multiplicado por 60.000 dá £ 240 milhões. Mais o terreno e todos os estabelecimentos comerciais que precisaram ser comprados para o estádio existir. “E tínhamos que pagar uma alta quantia todos os anos e era por isso que precisávamos ficar na Champions League. Hoje, se você me disser: ‘faça isso novamente’. Eu diria: ‘não, muito obrigado, dê o trabalho para outra pessoa’, porque foi um período inacreditavelmente difícil”.
Nos oito mercados do período determinado por Wenger nessa entrevista, entre 2006 e 2014, o Arsenal vendeu mais do que comprou em cinco. Ficou no elas por elas em um, deu prejuízo de apenas £ 13 milhões em outro e, no último, de 2013/14, quando contratou Özil, a conta ficou £ 31 milhões no vermelho. A janela mais gastadora do francês foi a de 2011/12, quando gastou £ 55 milhões. Mas, com as vendas de Fàbregas, Nasri e Clichy, arrecadou £ 66 milhões.
Wenger conseguiu: manteve o Arsenal na Champions League ao longo de todos aqueles anos e só ficou de fora na atual temporada, após 18 classificações seguidas. O mercado de verão de 2014, data dada pelo francês como o fim do período de dificuldades, foi o mais caro da história do técnico no clube inglês, gastando £ 100 milhões em reforços. O principal foi Alexis Sánchez.



