Premier League

Wenger diz com todas as letras: Sánchez fica. Mas será que deveria mesmo ficar?

Alexis Sánchez fica no Arsenal. Pelo menos por mais um ano. Arsène Wenger foi taxativo, pela última vez, se depender dele: “Minha decisão é clara: ele fica e respeitará isso. Ficará mais uma temporada e, se pudermos estender por mais temporadas, estenderemos”. Contar com o seu melhor jogador para os desafios difíceis que têm pela frente, precisando retornar à Champions League depois de ficar fora dela pela primeira vez em quase duas décadas, é obviamente importante para os Gunners, mas será que Wenger tomou a decisão certa?

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Pelo cenário atual, será muito difícil convencer Alexis Sánchez a renovar seu contrato, com o Manchester City e o Paris Saint-Germain na primeira fila dos candidatos a contratá-lo. Oferecem mais dinheiro e possibilidades teoricamente mais reais de títulos importantes – o Arsenal não vence a Premier League desde 2004 e nunca foi campeão europeu. Sánchez tem 28 anos e pouco tempo para levantar mais troféus. Wenger precisaria, ao mesmo tempo, de um desempenho fantástico dentro de campo aliado a um trabalho gradual de convencimento para não perder sua principal estrela sem compensações financeiras em julho do ano que vem.

A alternativa seria vender Sánchez, embolsando o que fosse possível por ele. E o possível, neste mercado maluco, é até que muito bom: o PSG, por exemplo, acena com € 50 milhões, mais do que o Arsenal pagou para tirá-lo do Barcelona, em 2014. É um valor muito alto para um jogador com apenas um ano de vínculo. E Wenger poderia iniciar mais cedo a reconstrução da equipe em torno de outra estrela. Por outro lado, diminuiria suas chances de retornar à Champions League na próxima temporada, e é aqui que a conta fica mais complicada.

O cálculo do Arsenal, segundo este artigo do Guardian, é de que financeiramente seria pior ficar fora de mais uma temporada da Champions League do que abrir mão dos € 50 milhões que poderia receber por Sánchez. A situação dos cofres dos Gunners é muito boa: o faturamento de 2015/16 foi de € 468,5 milhões, o sétimo maior da Europa. O clube não precisa de dinheiro imediatamente, mas, para o planejamento em longo prazo, precisa garantir que a ausência da principal competição europeia nesta temporada seja, de fato, uma exceção.

Uma temporada fora da elite europeia custa ao Arsenal aproximadamente € 44 milhões, ou quase o que poderia receber por Sánchez para vendê-lo imediatamente. E quanto mais tempo longe da Champions, pior. Os Gunners viram de perto o exemplo do Manchester United, que precisou compensar sua ausência da competição com salários inflacionados para contratar grandes jogadores. Isso também afeta contratos de patrocínio. O da Puma, por exemplo, será renovado em 2019, provavelmente por menos dinheiro do que poderia se o Arsenal não voltar a ser um clube estabelecido na Champions.

Há outro fator importante: a inflação do mercado. Sinceramente, com € 50 milhões, atualmente, o Arsenal não contrata ninguém nem perto da qualidade de Sánchez. É quase o que o Everton pagará para contratar Sigurdsson, do Swansea. Mbappé está saindo por mais de três vezes esse valor. Por Thomas Lemar, o Monaco pede quase o dobro. Neymar? Foi por mais de quatro vezes essa quantia. A reposição seria muito difícil, e Wenger achou melhor não arriscar a qualidade da equipe em uma temporada tão crucial para o futuro do Arsenal.

Mas é claro que assume riscos da mesma maneira. Se é difícil imaginar que Sánchez renove mesmo com o Arsenal retornando à Champions League, sem a competição para disputar em 2018/19 um novo contrato é praticamente impensável. O pior cenário seria não conseguir a vaga e ainda perder o chileno de graça. A competição pelas quatro primeiras posições promete ser mais uma vez ferrenha: o Manchester United contratou bem, o Chelsea e o Everton se reforçaram, o elenco do Manchester City está mais com a cara de Guardiola e Liverpool e Tottenham mantiveram as suas bases.

Mesmo com os 24 gols e 10 assistências de Sánchez pela Premier League na última temporada, o Arsenal não conseguiu passar da quinta posição. Claro que os Gunners também foram ao mercado, e trouxeram bons nomes, como Lacazette e Kolasinac, mas também há o risco de o desempenho do chileno cair, insatisfeito por não ter sido vendido, embora Wenger garanta que ele está focado. O técnico francês rolou os dados e apostou no próprio taco.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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